Ambiente

Videiras: Resíduos usados para criar rolhas e rótulos

O investigador português Pedro Teixeira, responsável pelo projeto Da_Vide, está a otimizar uma nova tecnologia que vai permitir, a partir das fibras extraídas dos resíduos das videiras, produzir os rótulos, as rolhas e até as embalagens do vinho.
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Depois do artesanato, do “combustível sólido inteligente” e da “super madeira”, o investigador português Pedro Teixeira, responsável pelo projeto Da_Vide, está agora a otimizar uma nova tecnologia que vai permitir, a partir das fibras extraídas dos resíduos das videiras, do Douro produzir os rótulos, as rolhas e até as embalagens dos próprios vinhos.
 
Como o Boas Notícias adiantou em Outubro do ano passado, o Da_Vide é um projeto que tem desafiado os viticultores do Douro a juntarem-se na criação de um vinho produzido exclusivamente com os recursos das vinhas, do interior ao exterior, ou seja, do conteúdo à caixa.
 
Pedro Teixeira começou por utilizar as vides – resíduos que sobram após a limpeza das videiras através da poda e que são, por norma, triturados ou queimados – para criar artesanato e, depois, estudou a possibilidade da sua utilização para a produção de um “combustível sólido inteligente” para utilização em assadores ou lareiras, que queimasse à medida das necessidades.
 

A mais recente aposta do investigador vai, porém, mais longe. Pedro Teixeira está, neste momento, a trabalhar numa tecnologia que vai utilizar as fibras extraídas das vides para a produção de materiais que vão do papel e cartão à cortiça, madeira e até um material com um comportamento físico idêntico ao do plástico.
 
Em declarações à Lusa, o português, de 40 anos, explicou que a ideia é criar “um produto vinho do Porto com o ciclo fechado na vinha”. Ou seja, com o papel e cartão de fibra de vide serão “produzidos os rótulos e as embalagens em cartão, com a madeira de fibra de vide serão feitas as embalagens de madeira, com a cortiça de fibra de vide são feitas as rolhas e com o plástico de fibra de vide são feitas as garrafas”.

Cortar no abate de árvores e aumentar receitas


Além disso, acredita Pedro Teixeira, a madeira de fibra de vide – batizada “super madeira” – poderá mesmo ser utilizada para produzir as pipas. “Teremos assim um produto vinho do Porto exclusivamente com os recursos das vinhas – uvas e vides”, salientou, acrescentando que acredita que este “é um projeto interessante e bastante inovador a nível mundial, apesar de bastante ambicioso” e garantindo que já há empresas a estudarem a criação do produto.
 
Até à data, o projeto Da_Vide já permitiu criar o “combustível sólido inteligente”, que queima à medida, e a “super madeira”, um material que tem uma matéria base igual à das madeiras naturais mas que, graças às fibras de vide, tem uma resistência mecânica muito superior e é também mais leve e facilmente moldável durante a produção. 
 
Os dados divulgados pelo projeto revelam que o total de biomassa produzida anualmente pelas vinhas nacionais é superior a 500 mil toneladas por ano, o que corresponde aproximadamente à massa de 1,6 milhões de pinheiros ou 1.000 hectares de pinheiros adultos em estado de desenvolvimento ideal para abate.
 
“Isto quer dizer que a aplicação da nossa tecnologia pouparia o abate de 1,6 milhões de árvores todos os anos”, concluiu Pedro Teixeira, que assegurou ainda que a tecnologia desenvolvida no âmbito deste trabalho poderá representar um aumento de receitas para os produtores de vinho na ordem dos 10% a 30%.

[Notícia sugerida por Vítor Fernandes]

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