Cultura

Troia: Navio naufragado no séc. XIX traz novos dados

É um navio do século XIX e naufragou ao largo de Troia, Setúbal. Por enquanto não se sabe muito mais mas o arqueólogo que está a estudar os destroços, Adolfo Miguel Martins, suspeita que se trata de um navio de pesca ou transporte de sal.
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É um navio do século XIX e naufragou ao largo de Troia, Setúbal. Por enquanto não se sabe muito mais mas o arqueólogo que está a estudar os destroços, Adolfo Miguel Martins, suspeita que se trata de um navio de pesca ou transporte de sal. Hipóteses que serão confirmadas nos próximos meses e que trarão novos conhecimentos para o estudo das atividades comerciais da região.

por Patrícia Maia

O navio, batizado de Troia 1 e que tem mais de 30 metros de comprimento, está naufragado a duas milhas da costa de Troia. A proa está virada no sentido sul-norte e os destroços encontram-se muito fragmentados, o que leva o arqueólogo Adolfo Miguel Martins a acreditar que a embarcação tenha naufragado devido a um forte embate nas rochas quando se preparava para atracar no porto de Setúbal.

No início do mês, o arqueólogo, que está a fazer o mestrado em Património da Universidade Autónoma de Lisboa (UAL) em parceria com o Instituto Politécnico de Tomar (IPT), com o apoio de uma equipa ligada às duas instituições, realizou diversos mergulhos no local tendo recolhido fragmentos das madeiras, das peças e outras provas (como fotografias e vídeos) que vão definir com precisão a data do naufrágio e indicar de que tipo de embarcação se trata.

O facto de ser o único navio naufragado na costa do alto Alentejo que se encontra devidamente declarado, “reveste esta investigação de uma importância especial”, explica o arqueólogo ao Boas Notícias. Os dados recolhidos serão fundamentais para reforçar a tese de mestrado que Adolfo Miguel Martins está a realizar sob o título “Contributo para o estudo das rotas comerciais e marítimas do século XIX do estuário do Sado”.

Navio sem sobreviventes

“Devido aos materiais que compõem o barco, que além do bronze já conta com a presença de muitos elementos em ferro, e analisando o tipo de âncoras e de amarras e a técnica de construção naval, acreditamos que se trata de uma embarcação do final do século XIX, provavelmente um lubre de pesca”, explica Adolfo Miguel Martins.

Até agora a investigação não encontrou, nos destroços, contentores para transporte de cargas sólidas pelo que esta embarcação será, provavelmente, “um navio pesqueiro ou de transporte de material a granel, como o sal”, explica Adolfo Miguel Martins, salientando que, nessa época, Alcácer exportava sal para várias zonas do país e também para fora de Portugal, sobretudo para a Irlanda.

O tipo de madeira usado na embarcação – sobretudo carvalho e, em algumas peças, pinho ibérico – deixa uma forte indicação que se trata de um barco português. Uma informação de resto reforçada “pelos registos documentais dessa época que apontam para o naufrágio de um barco português, ao largo de Setúbal, que terá resultado na morte de todos os tripulantes”.

Nesta investigação – que por enquanto está a ser realizada sem qualquer fundo do Estado – tem sido fundamental a colaboração da professora do Politécnico de Tomar e orientadora da tese do arqueólogo, Alexandra Figueiredo, e do conservador e restaurador Cláudio Monteiro que tem feito a análise das amostras de madeira e metais recolhidas. 

A equipa conta também com técnicos especializados, como um geólogo e outros colaboradores pontuais, sobretudo alunos da pós-graduação em Arqueologia Subaquática do IPT ou investigadores do Mestrado de Património da UAL, e ainda uma bióloga para analisar as variadas espécies animais e vegetais do local, muitas das quais são endémicas.

Um museu submarino

Adolfo Miguel Martins salienta ainda que a concretização desta investigação – que exige uma pesada logística como barcos, câmaras subaquáticas, fatos de mergulho e botijas de oxigénio – só se tornou possível graças ao apoio de várias entidades como a Direção-Geral do Património Cultural, o Troia Resort, a empresa de mergulho TopSub e a Câmara Municipal de Grândola, entre outras.

A investigação arrancou em Maio deste ano e deverá prolongar-se por quatro anos. Quanto ao espólio da embarcação, Adolfo Miguel Martins gostaria de manter o navio no fundo do mar mas pretende conseguir apoios para oferecer à população um acesso privilegiado a estes vestígios.

“Em princípio vamos avançar com a  criação de um museu imersivo virtual que vai permitir visualizar os destroços tal como eles se encontram mas gostava também de conseguir criar um museu submerso com visitas guiadas ao local que podem ser feitas num barco de fundo transparente que, aliás, já há em Portugal”,  revela ao Boas Notícias.

Um museu que será particularmente interessante para as pessoas da região já que, aparentemente, o Troia 1 é um testemunho direto da História e das memórias do litoral do Alto Alentejo.

[Notícia sugerida por Elsa Martins e Raquel Baêta]

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