Ciência

Tetraplégica domina braço robótico com pensamento

O caso da norte-americana Jan Scheuermann não é o primeiro em que um braço robótico é controlado pelo pensamento. Porém, de acordo com os especialistas, nunca se tinha conseguido um controlo tão preciso e natural.
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O caso da norte-americana Jan Scheuermann não é o primeiro em que um braço robótico é controlado pelo pensamento. Porém, de acordo com os especialistas, nunca se tinha conseguido um controlo tão preciso e natural. Agora, graças a uma equipa da Universidade de Pittsburgh, nos EUA, a mulher de 53 anos, tetraplégica, conseguiu até dar chocolate a comer a si própria.
 
“Dar cinco” a alguém, agarrar e mover objetos de diferentes formas e tamanhos ou até comer sem necessitar de ajuda são tarefas que, para a maioria de nós, parecem banais. No entanto, há já nove anos que Scheuermann, que sofre de degeneração espinocerebelar – uma patologia que leva à destruição das células nervosas do cerebelo, do tronco cerebral e da espinal medula e à perda dos movimentos – não conseguia cumpri-las.
 
Ao tomar conhecimento de um sistema pioneiro que estava a ser desenvolvido em Pittsburgh, a norte-americana decidiu partilhar a sua história e acabou por integrar a experiência que, com recurso a uma tecnologia “cérebro-computador” dá aos pacientes a possibilidade de controlar, com a mente, um braço robótico. 
 
Para que tal fosse possível, a equipa implantou no cérebro de Scheuermann duas grelhas de eletródos com um centímetro quadrado e com 96 minúsculos pontos de contacto nas regiões cerebrais que efetuam, normalmente, o controlo do braço direito e do movimento da mão. 
 
“Antes da cirurgia, efetuámos testes de imagiologia ao cérebro para determinar exatamente onde colocar as duas grelhas”, conta Elizabeth Tyler-Kabara, cirurgiã responsável pelo procedimento, numa nota divulgada no site da Universidade de Pittsburgh.
 
Os elétrodos colocados nas grelhas recebem os sinais dos neurónios dos indivíduos e, posteriormente, são utilizados algoritmos computacionais para identificar os padrões associados a determinados movimentos observados ou imaginados, como levantar e baixar o braço ou rodar o pulso. Depois, a intenção do movimento é transformada em verdadeiro movimento, materializando-se no braço robótico.

A caminho da independência

 
Ao fim de uma semana, a mulher conseguia já esticar o braço – ao qual deu o nome de “Hector”, movê-lo para a direita e para esquerda, levantá-lo e baixá-lo, o que lhe proporcionou o chamado “controlo tridimensional”. Passados três meses, Scheuermann tornou-se capaz de dobrar o pulso e rodá-lo, além de agarrar objetos – ou seja, de efetuar um “controlo a sete dimensões”.
 
“Trata-se de um passo em frente espetacular no caminho em direção à independência das pessoas que não são capazes de mover os braços”, defende Andrew B. Schwartz, um dos coordenadores da investigação, em comunicado.
 
Segundo Schwartz, a tecnologia em causa “interpreta os sinais do cérebro para guiar um braço robótico” e “tem enorme potencial”, um potencial que continuará a ser explorado. O especialista garante que o estudo mostrou “”que é tecnicamente plausível restaurar a mobilidade” e que todos os participantes afirmaram que o sistema lhes deu “esperança para o futuro”. 
 
Já para Schuermann, esta tem sido “a viagem de uma vida”. A norte-americana vai continuar a treinar movimentos com recurso a esta tecnologia durante os próximos dois meses e, depois, os implantes serão removidos numa nova cirurgia. “É uma autêntica montanha russa. É como fazer queda livre. É maravilhoso e estou a aproveitar cada momento”, conclui.

[Notícia sugerida por Patrícia Guedes e David Ferreira]

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