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SMS salvam grávidas e crianças em Ruanda

O Governo de Ruanda tem vindo a distribuir centenas de telemóveis pela comunidade de voluntários instalados na zona rural de Musanze, onde prestam assistência médica a grávidas e bebés. O objetivo é facilitar a comunicação com as unidades de saúde lo
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[Foto: © Noor Khamis/Reuters]

O Governo de Ruanda tem vindo a distribuir centenas de telemóveis pela comunidade de voluntários instalados na zona rural de Musanze, onde prestam assistência médica a grávidas e bebés. O objetivo é facilitar a comunicação com as unidades de saúde locais, em caso de alguma emergência.

Os telemóveis são utilizados para monitorizar a condição clínica das mulheres grávidas da aldeia. Caso surja alguma questão ou complicação, os assistentes médicos necessitam apenas de enviar uma mensagem escrita (SMS) para a unidade de saúde mais próxima, que dá a sua resposta numa questão de breves minutos.

O sistema provou-se eficaz para Valentine Unwingabire, uma jovem de 23 anos que entrou inesperadamente em trabalho de parto em plena madrugada. “Enviei uma SMS para a unidade de saúde local, recebi o feedback e, em 10 minutos, uma ambulância chegou ao local onde nos encontrávamos”, conta Germaine Uwera, o voluntário que acompanhava a jovem.

Antes de ter acesso a este telemóvel, Germaine demorava pelo menos uma hora a obter ajuda para as suas pacientes. Nas zonas rurais de Ruanda, muitas das estradas não estão pavimentadas, raras são as pessoas que possuem viatura própria e cerca de 95% da população não tem sequer acesso a eletricidade.

O Ruanda é, por isso, um dos países do mundo com pior registo no que toca a mortalidade de grávidas, já que a grande maioria acaba por ter os filhos em casa, sem condições nem assistência adequada. Hemorragias e infeções são as principais causas de morte, complicações facilmente controláveis com os cuidados básicos de saúde.

“Estamos a perder as pessoas que deveriam assegurar o desenvolvimento da nossa nação”, diz à CNN John Kalach, diretor do hospital mais próximo de Musanze, em Ruhengeri. “Não queremos fazer parte de um país onde tantas mulheres grávidas morrem ao dar vida a outros seres”, conclui.

Desde que a iniciativa foi implementada, não houve qualquer registo de mortes maternas, por oposição às 10 registadas em 2008. O Governo pretende, por isso, alargar o programa a todo o país nos próximo anos.

No entanto, os voluntários a quem são concedidos os telemóveis, possuem muitas vezes dificuldade em carregar as suas baterias, já que a eletricidade é um bem escasso em muitas regiões. Além disso, a rede das operadoras móveis do Ruanda nem sempre é fiável, falhando muitas vezes nas zonas mais remotas do país.

Ainda assim, o projeto já se mostrou eficaz. Graças a ele, Valentine Unwingabire deu à luz um saudável menino, a quem deu o nome de Manirakoze, que significa “obrigada, Deus”.

“Quando fui para o hospital, pensei que o meu bébé pudesse não nascer saudável e de forma prematura. Mas quando soube que estava tudo bem, parei e agradeci a Deus porque não esperava tal milagre”, confessou Unwingabire à CNN.

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