Sociedade

Portugueses descobrem América do Sul de caravana

Cansados da "crise e do stress de viver num país sem oportunidades", um casal de portugueses largou tudo e partiu à aventura, rumo à América do Sul, onde vão estar durante 12 meses. Um dos objetivos, além da descoberta, é contar a história de portugu
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Cansados da “crise e do stress de viver num país sem oportunidades”, um casal de portugueses largou tudo e partiu à aventura, rumo à América do Sul, onde vão estar durante 12 meses. Um dos objetivos, além da descoberta, é contar a história de portugueses que fazem a vida do outro lado do atlântico.

por Margarida Cruz
 

A aventura de Catarina e Hugo está há dez meses na estrada. Somam-se histórias e experiências de vida num continente “completo, com uma variedade de paisagens impressionante e onde há de tudo: selva, montanha, deserto, rio, praia, glaciares”, conta Catarina Costa e Palma ao Boas Notícias.

O principal objetivo do casal é conhecer todos os doze países sul-americanos e “escrever sobre as vidas, usos e costumes dos seus povos”. Mas também contar a histórias de portugueses que se cruzem pelo seu caminho, uma ideia que surgiu em parceria com o projeto Coração Luso (que o Boas Notícias divulgou em 2012). 
 

Depois da Argentina, Uruguai, Brasil, Paraguai, Chile, Bolívia e Peru, Hugo e Catarina chegaram ao Equador. À frente, ficam a faltar Colômbia, Venezuela, Suriname, Guiana e Guiana Francesa. É a Nómada, a autocaravana Mercedes Benz 208D onde viajam, que todos os dias lhes serve de teto para dormir e comer.


A filosofia de vida é simples: “desatar as amarras, cortar as cordas, deixa as prisões e viver precisamente da forma que se deseja viver”, conta Catarina Costa e Palma, de 27 anos, que juntamente com o namorado, Hugo Portela, de 33, batizou este projeto de viagem de 'Coração Nómada'. 
 
Ela, “uma alentejana sonhadora, leitora ávida, aficcionada de fotografia, de flores e de pores do sol”, ele, “sempre de sorriso no rosto, já conduziu mais de 24 mil quilómetros nesta viagem e vive dia-a-dia sem stresses e longe das redes sociais”. Os dois sempre tiveram “o bichinho das viagens”. “Ainda não nos conhecíamos e já ambos íamos a diferentes países (Índia, Jamaica, Egipto, Brasil, ect.)”, revela Catarina ao Boas Notícias. 

Artesanato ajuda a financiar viagem

“Quando nos conhecemos e percebemos que tínhamos esta vontade em comum de viajar por toda a América do Sul,  ganhámos força e decidimos partir de vez”. Por isso, pouparam para poder partir e apostaram no artesanato, a sua única fonte de rendimento.

“Não o fazemos pelo negócio, mas sim pela arte e criatividade. Quanto mais viajamos, mais nos inspiramos e mais necessidade e vontade temos de partilhar isso”, refere a jovem jornalista.
 

Foi assim que, em plena América do Sul, nasceu a 'NomadArt', “uma marca de artesanato em couro puro, pedras preciosas e tesouros marinhos, como fósseis e conchas exóticas.” Cada peça produzida é “inspirada pelo lugar onde estamos e, por isso, recebe o seu nome”. Depois de feitas, são vendidas nas ruas pelo casal, nos locais por onde vão passando.


“Também recebemos encomendas feitas pela Internet”, acrescenta a viajante, natural de Almodôvar. A verdade é que, como membros da 'geração wireless', Catarina e Hugo mantêm-se ligados ao mundo através do computador portátil que levaram consigo, onde vão atualizando os produtos e criações disponíveis para venda online e contando as histórias desta aventura no blogue e no Facebook.
 
“Já tivemos a oportunidade de testemunhar o que é a amizade, a simpatia e o amor dados em troca de nada, e criámos amizades que vão transcender tempo e espaço”, conta Catarina, responsável pela escrita e documentação de todas as histórias que o 'Coração Nómada' tem para contar.

Até porque um dos outros objetivos da viagem é torná-lo um projeto jornalístico e encontrar ao vivo e a cores os portugueses que estejam espalhados por este continente e que “se queiram cruzar [com o casal] nas estradas, vilas, cidades e praias” por onde passam.
 

A acompanhá-los nesta viagem, há ainda três fiéis amigos que também não ficaram por Portugal: Pinki, Dandi e Brownie. “Para o Hugo era impensável deixar para trás a Pinki e a Dandi (na altura ainda não tínhamos a Brownie, que nasceu no Chile). Por isso, quando decidimos que as iriamos trazer connosco, soubemos que tínhamos que andar com a casa atrás. Por isso é que optámos fazer a viagem de autocaranava e não a pé.”
 
O regresso está previsto para depois do Carnaval, que querem passar no Rio de Janeiro. Depois disso, e de novo por cá, o objetivo é apenas um: “continuar a ser feliz”. 
 

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