Sociedade

Português devolve passaporte perdido há 60 anos

Nuno Fonseca estudava na capital francesa quando viu, à venda na rua, um passaporte perdido. Curioso em descobrir a identidade da mulher que, há 60 anos, embarcou na aventura de ir viver para Paris na mesma rua onde ele próprio vive, o jovem decidiu
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Nuno Fonseca estudava na capital francesa quando viu, à venda na rua, um passaporte perdido. Curioso em descobrir a identidade da mulher que, há 60 anos, embarcou na aventura de ir viver para Paris na mesma rua onde ele próprio vive, o jovem decidiu procurar a dona do documento. E encontrou-a.

O jovem português (na foto pequena) realizou uma investigação que teve de ir mais além do que a simples pesquisa em motores de busca online. Descobriu a cidade de nascimento da norte-americana Betty Werther, nascida Betty Hatfield, assim como o nome da Universidade onde concluiu a sua licenciatura e onde o avô tinha sido reitor, a University of California, Berkeley (UC Berkeley).

Através da Sociedade Histórica de Ardsley, encontrou um vizinho da família de Werther. No entanto, ninguém sabia o paradeiro atual da americana, agora com 85 anos. 

Depois de investigar contactos de ex-colegas de Betty, Nuno Fonseca acabou por receber a confirmação, de que Betty Werther estaria, afinal, na mesma cidade que une as suas histórias: em Paris. Em pouco tempo, entra em contacto, via telefone, com dona do passaporte perdido.

Encontro de gerações em Paris

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No comunicado da Universidade de Berkeley, a proprietária do objeto perdido assegura que “alguém com esta perserverança e iniciativa será um médico incrível”, mostrando-se surpreendida por o estudante a ter encontrado apenas através do seu segundo nome.

Agora, com 23 anos e a terminar o curso de Medicina na Universidade do Porto, Nuno Fonseca confessou à mesma fonte: “através das páginas carimbadas do passaporte dela imaginei alguém com um espírito forte, uma mulher corajosa e sofisticada, que eu gostaria muito de conhecer”.

A verdade é que Betty Werther esteve nos mais diferentes países do mundo, numa rota invejável até para os dias de hoje. Enviuvou duas vezes, e foram os seus dois maridos que a mantiveram em Paris, onde trabalhou como professora, arquivista e jornalista. O seu último trabalho foi para a UNESCO, sobre assuntos relacionados com a biodiversidade, a iliteracia e os direitos das mulheres.

A história do estudante e da reformada, ainda que passada entre gerações afastadas no tempo, podia ser contada como mais um dos livros que têm Paris como pano de fundo. A cidade do amor encantou Werther há 60 anos e agora encanta Nuno Fonseca, que este ano lá regressa para fazer um estágio na Universidade Pierre et Marie Curie.

[Notícia sugerida por Raquel Baêta]

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