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Oficina da Psicologia: Zangão!

Andamos todos zangados. Pois. Coisa que ninguém estranha ? já que nos levam tudo, pelo menos que nos deixem a zanga. Mas não é da zanga bem colocada, bem modulada e, sobretudo, bem direcionada, de que lhe gostaria de falar aqui.
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Andamos todos zangados. Pois. Coisa que ninguém estranha – já que nos levam tudo, pelo menos que nos deixem a zanga. Não é da zanga bem colocada, bem modulada e, sobretudo, bem direcionada, de que lhe gostaria de falar aqui. De facto, as emoções básicas representam movimentos adaptativos e reativos àquilo por que passamos e, devidamente contextualizadas, todas elas têm o seu lugar e função e permitem-nos fluir na vida, ainda que nem sempre os ditames culturais as entendam como “simpáticas” ou “agradáveis”.

[Por Madalena Lobo, Psicóloga Clínica]

Image and video hosting by TinyPicCuriosamente, também, não lhe quero falar da sua zanga! Na Oficina de Psicologia temos diversos textos publicados sobre o assunto, em diferentes perspetivas e vozes que, na sua globalidade, ajudam à riqueza da reflexão sobre motivos pelos quais possa ter bloqueado nesta emoção e sugerem formas de voltar ao movimento que é fonte de vida e permite a gratificação pessoal.

Neste artigo, gostava mesmo de lhe falar de si enquanto alvo de zanga. As emoções primárias mais problemáticas para o ser humano – ansiedade, tristeza e zanga – não visam uma ação sobre um destinatário, à exceção da zanga, que tem um alvo, suscetível de ver o seu bem-estar igualmente perturbado. E quando digo que se sente um incremento significativo da zanga que paira no dia-a-dia, inevitavelmente, penso também nos transeuntes inocentes que, sem o quererem ou terem feito algo por isso, são usados como recetáculos dessa zanga endémica. Buzinam-nos no trânsito a propósito de nada, despejam-nos veneno em cima por uma publicação inocente do Facebook, respondem-nos torto no café, acusam-nos de coisa nenhuma, insultam-nos e gritam connosco, assim, sem mais nem porquê, cada vez com maior frequência. Anda zanga pelo ar e uma parte dela acaba no nosso colo. Fazer o quê?

O mais importante é percebermos que “comportamento gera comportamento” e, se não queremos uma escalada emocional, gratuita e destrutiva, mais vale optar por uma pausa interna consciente, e por em marcha algumas estratégias de serenidade, de que lhe deixo pequenas sugestões.

1. Faça um esforço por entender a agitação emocional do outro por aquilo que é: mera agitação emocional que não lhe é necessariamente dirigida – mal-estar, frustração, preocupações diversas, medo disfarçado – pelo presente e pelo futuro. Se recusarmos internamente o papel do alvo, não personalizando, torna-se muito mais fácil não reagir a quente e não nos sentirmos implicados e magoados.

2. Pratique um olhar de bonomia ao deixar que o outro se expresse, sempre que o assunto não for importante: deixá-lo deitar cá para fora o material tóxico que navega lá dentro. Só porque alguém fala, não nos obriga a ouvir, pois não? Imagine as palavras a rodearem-no, sem chegarem aos ouvidos, meros símbolos de que apenas retiramos sentido se quisermos. Use o bom humor, que nem sempre é natural, antes exigindo cultivo e intenção; mobilize o seu instinto empático, recordando que o portador da zanga sofre e que apenas reage desta forma porque está invadido de mal-estar.

3. Se o tema for importante e envolver pessoas com quem lida no dia-a-dia ou lhe são próximas, vale a pena refletir não sobre o conteúdo específico das palavras ou ações, mas sobre as emoções que lhes estão na base, comunicando ao outro a forma como o estão a atingir, como o fazem sentir, e a tensão e conflitos internos que lhe criam. De uma forma muito assertiva, firme, tranquila e sempre na primeira pessoa, partilhe com quem o agride, critica, culpabiliza, o impacto que isso tem em si, facilitando, desta forma, o diálogo construtivo. 

4. Proteja-se, sempre que possível, de situações de agressividade gratuita e de pessoas que abusam deste modo de comunicação. As melhores estratégias comunicacionais caem por terra quando a temperatura emocional interna atinge limiares de racionalidade, pelo que se estivermos expostos a uma agressividade constante será muito difícil manter a cabeça fria o suficiente para recusarmos envolvimento direto e fazermos um papel de travão ao seu aumento.

5. E, finalmente, lembre-se das estratégias de não reação, talvez as mais difíceis para todos nós: por vezes, apenas não reagir, suster as palavras e as ações, ficar quieto, esperar que passe, é a melhor resposta quando confrontados com um pico de agressividade genérica que, no fundo, não nos é dirigida. 

São tempos difíceis os que passamos mas, como em tudo, há sempre formas de os amenizar no que for possível – cuide de si e cuide dos outros, usando com fartura de compreensão humana e de serenidade.
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[Madalena Lobo é Diretora Geral da Oficina de Psicologia. Para saber mais sobre este projeto visite www.oficinadepsicologia.com ou http://www.facebook.com/oficinadepsicologia]

 

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