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Nuno Palas: Conceito “saúde” cada vez mais complexo: porquê?

Saúde, segundo a Organização Mundial de Saúde, é o estado de completo bem-estar físico, mental e social.
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por Dr. Nuno Palas, nutricionista

Nunca, como agora, a busca pelo bem-estar físico e mental fez tanto jus a esta definição. Já lá vai o tempo em que saúde era só não ter doenças. Nunca, como agora, as pessoas procuraram sentir-se bem com o corpo para se sentirem bem psicologicamente – saudáveis, ativas, atraentes e com elevada autoestima.

Por isso, a exigência com o físico tem aumentado e a procura por este bem-estar eleva o conceito de “corpo” a níveis distintos, em que o controlo do peso já não é suficiente. Existe, hoje em dia, a necessidade de controlar, além dos quilos na balança, o perímetro abdominal, as gorduras localizadas, flacidez corporal e cutânea e tudo o que causa insatisfação.

Aliás, se antes o conceito de “falso magro” (pessoa que aparenta ser magra mas que tem elevada percentagem de gordura face à normalidade) passava despercebido, a verdade é que a expressão tem vindo a ganhar peso e a interferir no quotidiano de cada vez mais pessoas. Já não basta ter o peso saudável segundo os critérios do Índice de Massa Corporal, é necessário ter a equação perfeita entre gordura e músculo no corpo.

Felizmente, a exigência e a procura pelo bem-estar permitem reduzir os riscos para a saúde, principalmente quando falamos de gordura localizada no abdómen, pela diminuição do perímetro abdominal e consequente redução/eliminação de riscos cardiovasculares – as principais causas de morte e de incapacidades a nível mundial.

O conceito de “saudável” parece ser uma tendência cada vez mais em voga para as gerações mais novas. Estas optam por mais comportamentos que previnam males maiores, mas que ao mesmo tempo permitam uma melhor visão num espelho, numa roupa, e, claro, aos olhos dos outros. O conceito de fitness multiplica-se, o running é hoje uma moda saudável, novos conceitos de fastfood com mais opções saudáveis proliferam, novos mercados de produtos bio alimentares e não alimentares, sem parabenos, sem pesticidas, etc.

Temos assim gerações que privilegiam o “estar bem” e o “sentir-se bem”, e, por isso, estamos num caminho prometedor.

Mas, apesar dos benefícios da mudança de comportamentos, é necessário também abordar e refletir sobre as suas consequências, nomeadamente sobre a obsessão pela imagem. O protótipo de corpo perfeito, criado pela indústria e pelos modelos, atores e figuras públicas “inacessíveis” que transmitem ideais irrealistas, têm um impacto cada vez maior e mais preocupante. Os influenciadores digitais ganham espaço e tornam-se cada vez mais importantes para as camadas mais jovens, ao mesmo tempo que muitos – não todos, felizmente – não têm contrapeso e medida naquilo que dizem, anunciam e exibem como rotina, sem terem consciência da sua voz. Isto leva a que os “followers” privilegiem as modas alimentares e tratamentos estéticos sem pensaram na essência e consequências das sugestões seguidas, como por exemplo tratamentos estéticos mal aconselhados ou aconselhados sem qualquer tipo de critério. E claro, esta banalização só prejudica a saúde e o bem-estar.

Somos uma sociedade dinâmica, heterogénea e evolutiva. Por isso, saúde hoje não é o mesmo que há 20, 50 ou muito menos 100 anos atrás. Como em qualquer processo de evolução, não existem caminhos errados. Aliás, a saúde teve um processo de evolução tão amplo que hoje está cada vez mais complexa. De tal forma que são as soluções mais simples as mais eficazes, as menos descortinadas e, infelizmente, as últimas a serem tentadas. Por exemplo, ao nível dos alimentos, muito ainda estará por descobrir, mas ao nível da alimentação, da combinação de alimentos, da sua conjugação com o meio ambiente, família e amigos a simplicidade da dieta mediterrânica será o exemplo maior de um estilo de vida saudável!

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