Sociedade

Na Universidade Técnica há um caloiro de 72 anos

A idade não foi impedimento para que o "caloiro" mais crescido da Universidade Técnica de Lisboa (UTL) se lançasse num novo desafio. Horácio Augusto Ramos tem 72 anos e está atualmente a frequentar a licenciatura de Sociologia do ISCSP.
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A idade não foi impedimento para que o “caloiro” mais crescido da Universidade Técnica de Lisboa (UTL) se lançasse num novo desafio. Horácio Augusto Ramos tem 72 anos e está atualmente a frequentar a licenciatura de Sociologia do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), em Lisboa. A relação com os colegas e os professores “não podia ser melhor” e a experiência está a ser vivida em grande: até nas praxes o novo aluno quis participar.
 
Em entrevista ao canal online Play, do ISCSP, a propósito do Ano Europeu do Envelhecimento Ativo que se assinala em 2012, Horácio Ramos conta que, quando era pequeno, tal como as outras crianças da sua aldeia, “mal alimentadas e mal vestidas”, nem sequer podia sonhar. Porém, e como nunca é tarde para fazê-lo, decidiu aceitar o desafio das duas filhas e ingressar na universidade já depois dos 70.
 
“A minha filha Teresa ainda está aqui [na UTL] a fazer um mestrado em Gerontologia e levou-me as informações todas sobre os cursos que aqui havia. Inicialmente estava inclinado para Ciência Política, mas acabei por escolher Sociologia”, revela este “caloiro” sénior, que, durante a manhã, frequenta às aulas e à tarde dá “as suas voltinhas”, reservando a noite, quando tudo está silencioso, para se dedicar ao estudo.
 
Embora se tratasse de uma nova realidade, Horácio Ramos não hesitou em seguir para o ensino superior, aceitando os possíveis obstáculos de bom grado. “Acho que ninguém deve ter receio de aprender e de voltar à escola. Costumamos dizer que o que é fácil não tem valor. O que nós recordamos e o que nos dá histórias para contar são as dificuldades que atravessamos”, defende.
 
Porém, o futuro sociólogo faz questão de realçar que não está em causa nenhum “bicho de sete cabeças”. O sucesso depende somente da motivação. “Medi bem os prós e os contras e pensei: vou meter-me numa 'alhada' do arco da velha, mas que diabo… vou tentar. A perder não tenho nada”, relembra.

Idade não causa diferenças de tratamento
 

O facto de ser mais velho do que a maioria dos colegas não causa a ninguém qualquer estranheza. “Não vejo diferença de tratamento, o tratamento é igual”, sublinha Horácio, destacando que há, sobretudo, respeito mútuo. E o mesmo acontece com os professores. “A relação com os professores é a melhor possível. Todos se mostram disponíveis para aquilo que eu precisar, assim como todos os outros alunos”, garante.
 
A integração fácil e prova disso é que este aluno sénior aceitou, até, participar na praxe, que tende a ser sempre objeto de grande polémica. “Acho que é um costume tipicamente académico, é de respeitar e é bom”, afirma.
 
Além disso, “a nossa turma e algumas outras ainda tiveram uma praxe diferente que consistiu em fazer uma intervenção comunitária, em irmos pintar uma escola aqui no bairro. Acho que as praxes devem continuar mas que, talvez, em vez de andarmos aí a gritar e a fazer exercícios ao sol, pudesse ser mais produtivo transformá-las em serviço comunitário, porque o país precisa”, sugere ainda.
 
Horário faz ainda questão de salientar que, atualmente, ao contrário do que acontecia no passado – quando o objetivo da universidade era só “formar doutores” – a instituição universitária tem que ser “um pilar das empresas, da sociedade, um conhecimento que seja para por em prática ao serviço das empresas e do progresso do país”, lamentando que este sistema “tenha começado tarde”.
 
Daqui a três anos, o estudante universitário espera estar a concluir a licenciatura. Pelo caminho, deseja dar aos mais novos a única lição que, no seu entender, lhes pode dar. “Essencialmente uma lição de trabalho, de verticalidade, de cidadania. Ser cidadão tem muito que se lhe diga”, declara.
 
Até lá, e mesmo com um caminho longo pela frente, Horácio Ramos assegura que já se sente realizado. “Sou uma pessoa feliz porque não tenho pesos de consciência”, conclui.
 
[Notícia sugerida por Maria Manuela Mendes]

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