Sociedade

Lisboeta foge ao desemprego com entregas de bicicleta

Cara a cara com o desemprego, como milhares de portugueses, Patrícia Cardoso, 36 anos, decidiu procurar uma alternativa, inspirada pelo gosto pela Natureza, pela liberdade proporcionada pela bicicleta e pela vontade de apostar no seu próprio negócio.
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Cara a cara com o desemprego, como milhares de portugueses, Patrícia Cardoso, 36 anos, decidiu procurar uma alternativa. Inspirada pelo gosto pela Natureza, pela liberdade proporcionada pela bicicleta e pela vontade de apostar no seu próprio negócio, esta portuguesa criou o (“ainda pequeno”) projeto Asas nas Rodas, um serviço de estafeta em bicicleta que opera na cidade de Lisboa.
 
por Catarina Ferreira
 
“Não sou pessoa de baixar os braços e de me lamentar, não é do meu feitio. Sempre gostei da Natureza e da liberdade e, ao efetuar alguma pesquisa, apercebi-me de que a maioria dos serviços de estafetas atualmente, tanto em mota como em bicicleta, é feita por homens, pelo que decidi desenvolver o meu projeto”, conta a mentora do Asas nas Rodas em entrevista ao Boas Notícias.
 
A escolha da bicicleta como meio de transporte prendeu-se, precisamente, com o apreço pela “simplicidade e pela liberdade”, que considera fazerem parte das suas “caraterísticas natas”. “A bicicleta é um antidepressivo, traz-me qualidade de vida não só a mim, mas também aos outros. Permite-nos observar, captar todo o ambiente à nossa volta, e dá-nos uma grande força de vontade para superar os nossos limites”, sublinha Patrícia. 
 
Além das entregas, que cobrem “todo o tipo de objetos e documentos até 4kg, para todo o tipo de público-alvo, dos 0 aos 100 anos”, para pessoas individuais e para empresas, esta “ciclista” presta também outros serviços que vão desde fazer e entregar compras, pagar contas em atraso, entregar presentes surpresa ou supervisionar pequenas obras e reparações. 
 
Patrícia está ainda disponível para, por exemplo, levar animais ao veterinário, passeá-los ou colocar-lhes alimentação e água fresca. Os preços destes serviços variam entre os 3,50€ e os 4,00€ por hora, ao passo que as entregas de bicicleta custam, em média, 5,00€. Os clientes podem igualmente, para entregas repetidas, solicitar um orçamento personalizado.
 
“Já me fizeram alguns pedidos curiosos. Aos sábados, de 15 em 15 dias, transporto cascas de laranja para uma loja de reciclagem no cesto da bicicleta. Muitas pessoas devem perguntar-se o que vou fazer com aquilo”, brinca a lisboeta. 


Segundo Patrícia Cardoso, a bicicleta deve tornar-se o “transporte do futuro” e é um bom auxiliar de trabalho

Projeto quer também inspirar lisboetas a pedalar
 

Embora o projeto tenha apenas cerca de três meses, a resposta dos clientes tem sido muito positiva e Patrícia já fez perto de 40 entregas, um número que, na opinião da responsável do Asas nas Rodas, só não cresceu mais por agora pelo facto de os portugueses ainda verem muito a bicicleta “como um transporte de lazer ou desporto e não como um auxiliar de trabalho ou de família”. 
 
“A reação das pessoas não poderia ser melhor. Dão-me os parabéns e tentam dar o seu apoio, mas creio que ainda há um caminho a percorrer para que a bicicleta comece a ser vista como um instrumento de trabalho”, defende.
 
A experiência, garante a empreendedora, é também gratificante a nível pessoal. “É bom percorrer a cidade de Lisboa e ver um sorriso, uma brincadeira que o carro ou a mota não dão a oportunidade de ver”, afirma, admitindo, porém, que pode ser difícil pedalar numa cidade íngreme como a capital portuguesa.
 
“Não vou dizer que as colinas de Lisboa sejam fáceis, mas como costumo dizer, por trás de uma subida há sempre uma descida, e quando ela aparece… é sublime. Andar de bicicleta nas cidades é bom não só para o ambiente, mas para a nossa própria disposição”, assegura Patrícia.
 
Enquanto continua a pedalar pela capital e ajuda a satisfazer os pedidos dos lisboetas, a criadora deste projeto espera também alterar mentalidades. 
“A bicicleta tem de ser um transporte de futuro, que pode ser conjugado com os nossos transportes públicos”, alerta.

“Quando andamos de bicicleta damos o exemplo aos outros e fazemos com que eles se perguntem: porque não fazer o mesmo?”, questiona, em jeito de conclusão, deixando no ar o mote que espera que venha a servir de inspiração para a mudança. 

Clique AQUI para aceder à página oficial do Asas nas Rodas no Facebook e AQUI para visitar o blog oficial do projeto.

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