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“Je Suis Charlie”: Portugal junta-se à onda solidária

Portugal vai juntar-se à onda de solidariedade e defesa da liberdade de expressão que está a varrer o mundo depois do ataque desta terça-feira à redação do jornal satírico francês Charlie Hebdo, em Paris, que resultou na morte de 12 pessoas.
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Portugal vai juntar-se à onda de solidariedade e defesa da liberdade de expressão que está a varrer o mundo depois do ataque desta quarta-feira à redação do jornal satírico francês Charlie Hebdo, em Paris, que resultou na morte de 12 pessoas, entre elas o diretor da publicação e alguns dos mais célebres 'cartoonistas' do país.

por Catarina Ferreira e Patrícia Maia
 

Lisboa será, esta quarta-feira (08) pelas 18.30h, palco de uma concentração para “defender a liberdade de expressão” que terá lugar na Praça dos Restauradores e que se assemelha a várias outras que têm invadido cidades europeias como Berlim, Londres ou Madrid, cujas populações saíram à rua no rescaldo do atentado para se solidarizar com o povo francês e gritar por valores fundamentais.
 
O evento está a ser organizado no Facebook pela jornalista francesa Marie-Line Darcy, residente em Portugal e ex-presidente da Associação da Imprensa Estrangeira em Portugal (AIEP). Até ao momento, já são quase 1.000 os utilizadores que asseguram que vão marcar presença na concentração lisboeta.

“O que aconteceu em Paris é terrível. Uma barbárie, uma violência gratuita contra a imprensa livre”, afirma, em declarações exclusivas ao Boas Notícias, a organizadora da concentração, que acrescenta que “o Charlie [Hebdo] era, é ainda e vai continuar a ser a voz da liberdade”. “
 
“Nem sempre toda a gente concordava com os exageros deles mas, mesmo assim, gostávamos deles”, diz Marie-Line Darcy, considerando que o ataque se traduz numa “grande perda” e “grande tristeza” e simboliza que “há qualquer coisa que não funciona”. 
 
Por trabalhar, atualmente, em Portugal, a jornalista explica ao Boas Notícias que não teve “grandes contactos com Paris” desde o acontecimento, mas assegura que o choque é geral. “Os meus colegas em França e os correspondentes pelo mundo ficaram em estado de choque”, salienta. 
 
Ainda assim, Marie-Line Darcy continua a acreditar que França é “o país da democracia e da liberdade de dizer e de fazer”. “Não podemos ter medo”, defende.

Minuto de silêncio em Lisboa

Uma hora antes desta concentração, pelas 17.00h, Lisboa associa-se, também, à marcha silenciosa que a Câmara de Paris vai promover nas ruas da capital francesa a partir das 18.00h locais. A autarquia lisboeta vai assinalar, na Praça do Município, um minuto de silêncio em homenagem às vítimas do ataque. 
 
A iniciativa vai contar com a presença do presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), António Costa, do embaixador de França e de vários líderes de comunidades religiosas lisboetas. Em comunicado enviado ao Boas Notícias, a CML apela à participação de todos porque “Todos Somos Charlie”. 

Na sequência do atentado, António Costa enviou, igualmente, à presidente da Câmara de Paris, Anne Hidalgo, uma carta de condolências em que repudia, em nome da cidade, “o ato bárbaro perpetrado na capital francesa”. 

“Lisboa transmite a sua profunda solidariedade e as suas mais sinceras condolências às famílias das vítimas, aos colaboradores do jornal Charlie Hebdo, à cidade de Paris, à sua comunidade e ao povo francês”, lê-se no documento. 
 

Dois principais suspeitos do ataque estão a monte
 

O ataque ao Charlie Hebdo aconteceu ontem (07) pelas 11.30h locais (10.30h de Lisboa) quando, pelo menos, dois atiradores invadiram e dispararam sobre a redação da publicação com armas automáticas, matando 12 pessoas e deixando 11 feridas, quatro delas em estado grave.
 
Entre as vítimas mortais estão o editor e cartoonista Stéphane Charbonnier – mais conhecido por “Charb”, de 43 anos, e caricaturistas franceses célebres como Wolinski, Jean Cabu e Bernard Verlhac (Tignous), além de quatro jornalistas da publicação, dois polícias, um funcionário da empresa 'Sodexo' que trabalhava no edifício e um convidado que visitava a redação. 
 
As informações mais recentes avançadas pela agência France Presse, que citam o ministro francês do Interior, Bernard Cazeneuve, revelam que sete pessoas foram, esta quinta-feira, colocadas sob custódia no âmbito da investigação sobre o ataque.
 
Os dois principais suspeitos do ataque – os irmãos Cherif e Said Kouachi, de 32 e 34 anos, estão ainda a monte e um terceiro suspeito, Hamyd Mourad, que terá ajudado na fuga, entregou-se, entretanto, às autoridades. 
 
Desde a sua criação, em 1970, que o Charlie Hebdo aposta na publicação de 'cartoons' provocadores e irreverentes. Entre os mais polémicos estão 12 caricaturas de Maomé publicadas em Fevereiro de 2006 e que voltaram às páginas do jornal em 2011, ano em que a redação foi incendiada.  
 
Apesar das constantes ameaças, Stéphane Charbonnier, que perdeu a vida no ataque, sempre garantiu não ter medo de represálias. “Prefiro morrer de pé do que viver de joelhos”, disse, há dois anos, numa entrevista recuperada pelo jornal “Le Monde”, na qual afirmou também que a caneta era a sua arma de eleição.

[Notícia atualizada e corrigida às 14.09h de 08-01-2015 para publicação das declarações de Marie-Line Darcy.]

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