Sociedade

Educação: Portugal é modelo na igualdade de género

A educação em Portugal promove a igualdade de género e é um bom exemplo no quadro da União Europeia. A conclusão é de um estudo financiado pela Comissão Europeia, que, durante mais de dois anos, avaliou os 27 estados-membros.
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A educação em Portugal promove a igualdade de género e é um bom exemplo no quadro da União Europeia. A conclusão é de um estudo financiado pela Comissão Europeia, que, durante mais de dois anos, avaliou os 27 estados-membros. O objetivo da investigação foi apurar a necessidade de criar medidas e leis para prevenir e combater a discriminação sexual na educação consoante a realidade de cada país.
 
O trabalho “Study on sex discrimination in access to education: Evaluation of the need for and effectiveness of current measures in the Member States” foi liderado pela Fundação Giacomo Brodolini, um órgão estatal italiano, procurando informar a Comissão Europeia acerca da dimensão do fenómeno discriminatório e das medidas aplicadas em cada país, bem como dos impactos das mesmas.
 
Em Portugal, o projeto foi coordenado por Ana Paula Marques, socióloga da Universidade do Minho (UMinho), que trabalhou em conjunto com a então doutoranda Eva Temudo. De acordo com um comunicado enviado ao Boas Notícias, a coordenadora acredita que, no nosso país, a discrepância se deve a questões sociais, culturais e económicas, “gerando subtilezas na pedagogia e na escolha da profissão”.
 
As duas investigadoras entrevistaram os responsáveis da Inspeção-Geral da Educação e Ciência (IGEC), da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG), da Confederação do Desporto de Portugal, da Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP) e da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), entre outros, com o objetivo de detetar práticas, contextos e pedagogias discriminatórias informais ou camuflados.

Educação é “paraíso na igualdade de género” em Portugal
 

A investigação realizada em Portugal mostrou que a lei nacional rejeita formalmente a discriminação por género, como confirma o artigo 13º da Constituição e a Lei de Bases do Sistema Educativo de 1986. Além disso, quase 40 anos de democracia, a IGEC, entrevistada pelas investigadoras, garantiu não ter recebido qualquer queixa por ações escolares discriminatórias.
 
No entanto, há arestas a limar no que toca a aspetos subjetivos verificados em casos concretos. Ana Paula Marques exemplifica com os manuais escolares, onde “nem sempre se respeita uma linguagem neutra e permanece um modelo de ciência androcêntrico (o Homem), o que pode limitar os paradigmas da investigação e do pensamento”.
 
Em contexto de sala de aula, pode ser também difícil “contrariar dinâmicas de grupos que valorizam o porta-voz masculino” e no que toca à escolha do futuro, a opção por uma determinada área tende a ser, mesmo que involuntariamente, resultado dos papéis sociais que familiares, colegas, organizações e media promovem”. 
 
Apesar da existência de “sinais subtis de discriminação”, a socióloga da UMinho defende que “a educação é, de certo modo, um paraíso na igualdade de género em Portugal”. O aperfeiçoamento poderá passar, no seu entender, pela sensibilização, pela monitorização e pela capacidade de procurar soluções e alternativas”.

UE: Segmentação científica marca percurso educativo
 

“A educação é um domínio em que a UE tem alguma dificuldade em legislar, pois interfere na soberania, identidade e cultura de cada Estado nação”, reconhece a investigadora do Centro de Investigação em Ciências Sociais (CICS) da UMinho.
 
Ana Paula Marques admite que “há um esforço significativo e políticas para aumentar [na UE] a participação feminina nos ramos das engenharias, tecnologias, ciências, economia e até ao nível das oportunidades de negócio e de empreendedorismo feminino na inovação, criatividade e I&D”.
 
Porém, a investigadora considera que este é um terreno delicado, já que “o percurso [educativo] é muito marcado pela segmentação científica, com elas ligadas a áreas mais 'frágeis' e subordinadas em termos sociais, políticos e económicos face a áreas ocupadas por eles” e que, mesmo apesar de todo o progresso feito no ensino, rapazes e raparigas passam por diferentes processos de socialização deste o nascimento.

Clique AQUI para aceder ao estudo (em inglês).

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