Saúde

Descoberta com selo luso combate excesso de ferro

A equipa da Universidade da Califórnia (UCLA), integrada pelo português João Arezes, desenvolveu um tratamento para evitar as infeções mortais de que são vítimas as pessoas que têm problemas em metabolizar o ferro.
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A equipa da Universidade da Califórnia (UCLA), integrada pelo português João Arezes, descobriu porque motivo as pessoas que têm problemas em metabolizar o ferro são mais susceptíveis de morrerem com certas infeções, por exemplo com a bactéria Vibrio vulnificus. A mesma equipa desenvolveu um tratamento capaz de combater este problema. 
 
A hemocromatose é uma doença genética que causa uma deficiência na hormona que regula o ferro do organismo, a hepcidina, levando a que estes indivíduos acumulem excesso de ferro no sangue e nos tecidos. Os investigadores da UCLA perceberam o que faz com que as pessoas que sofrem desta doença contraiam tantos problemas de saúde que muitas vezes dão origem a uma morte precoce. 
 
Mas o mais importante desta investigação foi a descoberta da hormona minihepcidina, uma versão da hepcidina criada em laboratório, que consegue baixar os níveis de ferro no sangue e prevenindo as complicações causadas por varias infeções, nomeadamente a infeção causada pela bactéria Vibrio vulnificus. Esta bactéria desenvolve-se em águas salgadas mornas e é muitas vezes transportada pelo marisco. 

“Eficácia dramática”
 
Em comunicado de imprensa da UCLA, a líder da investigação, Yonca Bulut, salienta a “dramática” eficácia do tratamento, “mesmo apos infeção”. 
 
Esta foi a primeira vez que a deficiência da hepcidina foi associada a uma maior vulnerabilidade perante certas infeções, especificamente a infeção causada pela bactéria Vibrio vulnificus, que nos doentes com hemocromatose é quase sempre mortal. As conclusões desta investigação foram publicadas este mês no jornal Cell Host and Microbe.

 
Para realizar este estudo, os investigadores compararam o efeito da infeção por Vibrio vulnificus em ratinhos saudáveis e em ratinhos com falta de hepcidina (simulando um organismo com hemocromatose). Os resultados demonstraram que esta infeção é muito mais mortal nos animais com deficiência de hepcidina já que não conseguiam reduzir os níveis de ferro dos corpos. 
 
A hemocromatose é uma doença genética, difícil de diagnosticar, que causa diversos problemas de saúde devido ao excesso de sangue no organismo. Nos EUA esta doença afeta 1 em cada 200 pessoas. Muitas vezes, estas pessoas só são diagnosticadas na idade adulta já que são necessários muitos anos para que o organismo acumule níveis excessivos de ferro. 
 
Agora, a equipa da UCLA – que João Arezes (do Instituto de Biologia Molecular e Celular da Universidade do Porto) integrou no âmbito do seu doutoramento – está a testar a utilização da minihepcidina para tratar outras infeções letais causadas pelo excesso de ferro no organismo.

Saiba mais AQUI.

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