Sociedade

Benefícios sociais incentivam pessoas a trabalhar

A existência de benefícios sociais "generosos" motiva as pessoas a procurarem emprego. Um estudo que analisou dados de 18 países europeus, incluindo Portugal, contraria a ideia de que estes apoios promovem a "subsidiodependência".
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A existência de benefícios sociais “generosos” motiva os desempregados a procurarem emprego. Um estudo que analisou dados de 18 países europeus, incluindo Portugal, contraria a ideia defendida por alguns analistas de que estes apoios promovem a “subsidiodependência”.

“Muitos académicos e comentadores acreditam que a existência de benefícios sociais generosos ameaça a sustentabilidade do Estado Social (…)” mas este estudo “conclui que há poucos sinais de que as pessoas que estão fora do mercado de trabalho fiquem menos motivadas para trabalhar se viverem em países com sistemas sociais generosos e motivadores”, dizem os autores do estudo em comunicado de imprensa.

O estudo baseou-se nas respostas de 19.000 cidadãos de 18 países europeus, incluindo Portugal. Os sociólogos Kjetil van der Wel e Knut Halvorsen examinaram as reações dos inquiridos à frase 'Eu gostaria de ter um trabalho remunerado mesmo que não precisasse do dinheiro’ colocada a pessoas entrevistadas no âmbito do European Social Survey, em 2010.

Os investigadores da Oslo and Akershus University College (Noruega) compararam estas respostas com os valores que os respetivos países investem em benefícios sociais e incentivos de empregabilidade, cruzando também dados sobre a população.

Os investigadores descobriram que quanto mais um país gasta em apoios a desempregados e sistemas de saúde mais os seus cidadãos manifestam vontade de regressar ao mercado de trabalho.

Os resultados indicam que quase 80% dos inquiridos da Noruega, país que paga os maiores benefícios entre as 18 nações analisadas, concordou com essa frase. Por outro lado, menos de 40% dos inquiridos da Estónia e da República Checa, ambos países com poucos benefícios sociais, concordaram com a afirmação.

Alias, os níveis mais baixos em termos de motivação para ter um trabalho remunerado encontram-se entre os países da europa de leste, antigos membros do bloco da URSS, à exceção da Hungria e da Polonia que se destacam ligeiramente. Portugal, Espanha e França também apresentaram baixos níveis de motivação laboral, associados a apoios pouco generosos, pouco acima dos 40%.

“A assunção que é feita é de que se os cidadãos puderem obter um relativo bem-estar – a nível social, económico e psicológico – vivendo de benefícios socias, em vez de obterem uma remuneração pelo seu trabalho, esses indivíduos vão preferir não trabalhar”, salientam os investigadores no estudo publicado no final de Março na revista de sociologia “Work, Employment and Society”. Contudo, este estudo revela uma relação contrária.

Os autores especulam que “as pessoas que recebem benefícios generosos quando estão sem trabalho podem sentir-se mais inclinadas a dar algo de volta ao Estado lutando mais por regressar ao mercado de trabalho”, acrescentando ainda que, nos países com fortes estados sociais, “há menos desemprego e as poderão viver experiências laborais mais positivas”.

De qualquer forma, garantem os autores, a noção de que a existência de muitos apoios sociais promove uma cultura de dependência e que desincentiva as pessoas a trabalhar não encontra, neste estudo que defende o reforço do estado social, apoio”.

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