Ciência

Aveiro: 1,4ME para transformar ovos em medicamentos

Mara Freire, investigadora da Universidade de Aveiro, vai receber uma bolsa de cerca de 1,4 milhões de euros para o projeto "IgYPurTech", que se baseia na de purificação de anticorpos retirados da gema dos ovos, para desenvolver medicamentos.
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Mara Freire, investigadora da Universidade de Aveiro, vai receber uma bolsa de cerca de 1,4 milhões de euros, atribuída pelo Conselho Europeu de Investigação, para desenvolver o projeto “IgYPurTech”, que se baseia numa tecnologia de purificação de anticorpos retirados da gema dos ovos, para desenvolver medicamentos.

Ao longo de cinco anos, a cientista – que faz também parte do Centro de Investigação em Materiais Cerâmicos e Compósitos (CICECO) – vai usufruir de uma bolsa que lhe permite desenvolver um projeto de investigação para criar biofármacos baratos e mais eficazes do que alguns antibióticos.

No comunicado da Universidade, a investigadora explica que, atualmente “há uma enorme preocupação com o aparecimento de microrganismos resistentes aos antibióticos e, consequentemente, de doenças que não respondem às terapias convencionais e de pessoas para quem a vacinação tradicional tem pouco efeito”

Esta é a principal razão para o desenvolvimento de novos medicamentos – como os biofármacos – alternativos aos conhecidos. No entanto, como explicou Mara Freire, “o uso corrente de anticorpos está ainda condicionado pelo elevado custo da sua produção”.

Nos últimos anos, o estudo da produção e purificação de anticorpos para uso em seres humanos tem-se centrado nos anticorpos produzidos por animais de pequeno porte, o que representa elevados custos e recurso a práticas invasivas.

Pelo que, atualmente, a investigadora propõe como “uma potencial alternativa” o recurso à “imunoglobulina Y (IgY), um anticorpo produzido em grande quantidade e presente na gema de ovo”. Pois, além de dispensar o uso de técnicas invasivas, “o facto de o IgY ser abundantemente produzido contribui para uma redução dos custos de produção pela indústria farmacêutica”.

No entanto, a necessidade desta bolsa de apoio atribuída à investigadora, tem que ver com o facto de ainda não existir uma técnica de purificação eficaz para separar a imunoglobulina de outras proteínas contaminantes.

Sendo esta uma técnica pioneira, o principal objetivo do projeto passa por conseguir obter anticorpos com a pureza necessária à indústria farmacêutica e a um preço competitivo.

Pelo que, segundo a investigadora, “recorrer-se-á à utilização de sistemas aquosos bifásicos constituídos por líquidos iónicos, sistemas contendo maioritariamente água, biocompatíveis e mais amigos do ambiente”.

A possibilidade de desenvolver esta técnica de purificação de anticorpos que, segundo a cientista, vai ter “um impacto muito significativo na saúde humana e na economia”, representa para Mara, “uma enorme conquista e um grande reconhecimento em relação ao trabalho científico” que desenvolveu nos últimos dez anos.

Pode consultar mais informações AQUI.

Notícia sugerida por Elsa Fonseca, Elsa Martins, Rita Guerra e David Ferreira

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