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Ajudar a alimentar: Programas nacionais e internacionais

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Para a total erradicação da fome no mundo seria preciso investir mais de 10 mil milhões de euros por ano até 2030. O relatório do Instituto Internacional de Investigação sobre Políticas Alimentares concluiu, ainda, que no ano passado havia 795 milhões de pessoas a passar fome no mundo e que, dentro de 14 anos, continuarão a existir 600 milhões de pessoas na mesma situação.

Os contributos dos vários doadores mundiais é uma ajuda indispensável para reduzir estes números, mas por que não participar em iniciativas locais que possam apoiar e proteger as comunidades mais próximas de nós?

Em 2010, o norte-americano Hunter Halder começou a desenhar a ideia por detrás do projeto Re-food. Depois de algum trabalho de pesquisa durante os primeiros meses de 2011, em março do mesmo ano foram distribuídas as primeiras refeições às pessoas que mais precisavam.

O mentor,captura-de-ecra-2016-11-23-as-15-49-55 a viver há 26 anos em Portugal, reconhece que “ninguém sabe de onde vêm as ideias”, mas o contexto que deu origem ao Re-food prendeu-se com a sua necessidade de repensar a carreira profissional que, há alguns anos, tinha sido afetada pela crise. No meio desta reflexão, percebeu que seria o momento de “poder fazer alguma coisa pelos outros” e, depois de um ocasional jantar com os filhos, no qual tinha sido questionado sobre o que acontece com toda a comida preparada, que nem sempre é servida e as pessoas nem chegam a comer, Hunter pensou numa alternativa. Nessa mesma noite, escreveu o “esboço” daquilo que hoje conhecemos como Re-food, que conta atualmente com 34 núcleos em plena atuação, estando 17 na zona da grande Lisboa e os restantes espalhados por todo o país.

Para solucionar a fome de pessoas e famílias carenciadas, a Re-food procura eliminar o desperdício alimentar, recolhendo junto dos seus parceiros refeições e alimentos, confecionados ou não, e em boas condições, para depois os distribuir de forma sustentável.

Hunter, que começou por recolher e entregar as refeições de bicicleta, reconhece que os restaurantes, com poder de decisão, foram e são mais fáceis de aliar ao projeto, “do que os hotéis e grandes cadeias de distribuição, como a Jerónimo Martins, Sonae e Lidl, e refeitórios e outras entidades públicas, porque têm pouca capacidade para decidir rapidamente”. Daí terem começado a solicitar refeições apenas junto dos primeiros, porém, ao longo do tempo e por força da mudança de consciências na sociedade, já fazem parte da sua rede de parcerias as grandes cadeias distribuidoras e também explorações agrícolas, num total de 1231 parceiros.

A Re-food faz uma articulação com outras entidades locais para agilizar o processo e evitar “duplicações, conseguindo que todas as famílias e pessoas que precisam tenham acesso à distribuição de comida”.
O trabalho, assegurado a 100% pela dedicação e boa vontade de milhões de voluntários e de uma equipa de gestores formados pelo movimento, exige que todos os dias se recolha “comida em todo o lado”, dada sem custo. Por mês, são recolhidas 84 mil refeições com um custo real unitário de menos de dez cêntimos, e que chegam, não só aos 4064 beneficiários registados na Re-food, mas a muitas outras pessoas, como os sem-abrigo.captura-de-ecra-2016-11-23-as-15-50-11

O caráter socialmente empreendedor e inovador da Re-food tem sido regularmente distinguido. Em 2011, com apenas de seis meses de atividade e a resgatar apenas mil refeições, ganharam o Prémio Voluntariado Jovem Montepio. Em 2013, foi um dos projetos apoiados pela EDP Solidária da Fundação EDP, tendo recebido algumas viaturas elétricas para a distribuição de refeições. Um ano depois, receberam mais de 70 mil euros no âmbito da iniciativa Rock’n’Law – um grupo de sociedades de advogados que se reúne anualmente para angariar fundos para projetos de solidariedade social. O montante foi investido na abertura de mais 20 núcleos Re-food. Em 2015, foram distinguidos pela revista Marketeer com o Prémio Responsabilidade Social e venceram o Selo de Reconhecimento de Práticas de Prevenção do Desperdício Alimentar – PRA-TØ na categoria Iniciativa de Mobilização. Neste ano, acaba de receber o Prémio BPI Solidário, que na sua primeira edição recebeu 335 candidaturas.

Com previsão de abertura de cerca de 20 novos centros Re-food, alguns já neste Natal – como em Oeiras e Viana do Castelo -, Hunter Halder destaca que a metodologia para abrir um novo núcleo Re-food “começa com o interesse do cidadão”. O responsável anunciou também a nova ação “Pão e Bolos”. Vão “às pastelarias e padarias para receber excedentes de pão, de bolos e salgados que entregamos diretamente às instituições locais”.

Entre os objetivos para 2017, este “americano alfacinha” pretende criar uma plataforma online que funcione como uma “academia Re-food”, através da qual as pessoas percebam como opera o movimento e como o podem replicar, não só no nosso país, mas em todo o mundo.

O combate ao desperdício alimentar também está na génese do Wefood. Inaugurado em fevereiro deste ano, em Copenhaga, na Dinamarca, este supermercado apenas vende comida “fora de prazo”, mas que continua apropriada para consumo.

Este supecaptura-de-ecra-2016-11-23-as-15-50-19rmercado social da organização não-governamental dinamarquesa DanChurchAid destina-se a pessoas com poucos rendimentos, que podem adquirir os produtos com cerca de 30 a 50% de desconto.

Os bens têm a mesma qualidade que um supermercado tradicional, a única diferença é que não podem ser vendidos devido a erros nos rótulos, embalagens danificadas ou porque ultrapassaram a data de “consumir de preferência antes de”, fora isso, estão em perfeitas condições para serem comercializados e consumidos.

Cada pessoa pode apenas levar cinco produtos do mesmo artigo e o supermercado é operado quase exclusivamente por voluntários.

O Wefood procura assim combater as cerca de 303 mil toneladas de alimentos que os retalhistas dinamarqueses deitam fora (de acordo com Agência Dinamarquesa de Proteção Ambiental) e as 700 mil toneladas de alimentos que, por ano, cada família na Dinamarca deita para o lixo (segundo o Ministério do Ambiente dinamarquês).

// www.re-food.org

// www.noedhjaelp.dk

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