Espetáculos e Exposições

Yolanda Soares: Uma portuguesa que abraça o mundo

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Yolanda Soares é uma artista apaixonada e lutadora que abraça vários continentes sonoros. Depois do álbum de estreia Music Box, onde o fado se une à música clássica, avança agora pelo rock sinfónico com o álbum Metamorphosis. Os concertos agendados para os Coliseus de Lisboa [dia 05 de outubro] e do Porto [dia 08], com vários músicos, dançarinos, luzes, efeitos multimédia e um carrilhão de 23 sinos prometem revelar um universo cénico que irá muito além do som.

Veio de uma família ligada à música, com pais que cantam fado e um irmão (hoje em dia engenheiro) que estudou piano no conservatório e toca guitarra. Quando ainda era criança, Yolanda deixou-se deslumbrar pela dança, contrariando a tradição musical da família, mas cedo percebeu que não poderia escapar ao destino da música.

“Quando ouvi a Barbra Streisand, em trabalhos como Funny Girls, fiquei apaixonada, via compulsivamente os filmes dela. Decidi que queria ser assim: cantar e ser atriz”. Por isso, apesar de ter ingressado no Conservatório Nacional de Lisboa para ser bailarina, sairia de lá com formação em canto.

Mas Yolanda queria aprender mais, sair do formato clássico e explorar outros universos. “Eu não queria ser cantora de ópera, por isso decidi ir sozinha à procura”. Cantou em bares, em cruzeiros, passou pelo teatro. Foi com Filipe La Féria – com quem trabalhou no espetáculo “Maldita Cocaína” – e Adelaide Ferreira que aprendeu muito do que hoje partilha na sua música.

“Foram essas experiências que me despertaram e ajudaram a ter uma voz mais aberta. Hoje tenho duas vozes: a voz de peito e a voz de cabeça, ou lírica. Nos meus discos brinco com isso, vou da voz mais ligeira e depois subo para o lírico. É aquilo a que se chama crossover singer”, explica, apontando referências como Within Temptation ou Evanescence.

“Canto fado mas não sou fadista”

No seu álbum de estreia, Music Box [2007], Yolanda apostou na fusão do fado e da música clássica, mas sente que não foi compreendida: “As pessoas não perceberam. Acharam que eu era uma fadista vestida de boneca para impressionar. Mas eu não sou fadista. Canto fado, mas não sou fadista”.

No entanto, houve quem reconhecesse brilho e originalidade no seu trabalho. Prova disso foi o convite feito por Pedro Rapoula, assessor cultural de Cavaco Silva, para tocar perante diplomatas de todo o mundo no Dia de Portugal. A aposta do assessor estava certa. O concerto foi “um sucesso” e a parceria prolongou-se para além do espetáculo: Pedro Rapoula contribui com algumas letras para novo álbum Metamorphosis.Afastando-se do fado e da imagem de “boneca”, Yolanda Soares sofre uma metamorfose no novo álbum onde funde rock, eletrónica, música lírica. As letras, [de vários autores, entre eles Alex Fan Moniz e a própria Yolanda], percorrem vários idiomas: inglês, italiano, francês, latim e português. “Sou uma portuguesa que abraça o mundo. Nós já fomos descobridores e agora podemos dizer que somos um povo que abraça os outros. Estamos na Europa e cada vez mais no mundo, sobretudo com as novas tecnologias, a Internet”.

“Somos capazes de fazer coisas em grande”

Neste novo projeto, Yolanda tentou reduzir os meios, já que Music Box, pela enorme equipa envolvida [orquestra, piano, coro de vozes líricas, baterias, sintetizador, cravo, entre outras participações] tornou-se um espetáculo difícil de entrar em digressão. “Pediram-me em Espanha para ir só com guitarrista. Mas eu achava que aí não seria a Yolanda Soares”, sublinha.

Mas mesmo assim, Metamorphosis é um projeto ambicioso “continuo a ter muitas pessoas em palco, não consigo fazer as coisas de outra maneira”, confessa. E entretanto surgiu o apoio do banco Montepio que permitiu a Yolanda concretizar um espetáculo de maior dimensão. “Vou fazer o maior espetáculo que conseguir com este apoio, Quero que as pessoas vejam um espetáculo inesquecível, quero mostrar que nós, portugueses, somos capazes de fazer coisas em grande”.

Nos concertos dos Coliseus de Lisboa e Porto, Yolanda irá encarnar as várias personagens das suas músicas, como a eterna noiva do tema “Miss Havisham”. Em palco vão estar seis bailarinos do “Achas que Sabes Dançar?”, músicos dos Toca a Rufar e dos Gaiteiros de Lisboa, e ainda um carrilhão de 23 sinos que será tocado, através de um sistema wirelles, por Abel Chaves. O universo de Metamorphosis será de fantasia e de teatro.

Neste disco e neste espetáculo, Yolanda quer “incentivar as pessoas a mudar as suas mentalidades e a partir à descoberta, sem medos, para encontrar novas fórmulas”. Como na letra do tema “A quem Pertenço?”, Yolanda sublinha a importância de termos a “liberdade para nos podermos expressar, de sermos quem somos”. E espera corresponder às expectativas do seu público. “Eu sobrevivo pelas pessoas, são elas que me dão a confiança e a força que preciso”.

PM

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