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Vítimas de ataques com ácido posam para calendário

Não são modelos nem estrelas de cinema, mas querem provar que são tão belas como quaisquer outras. 11 mulheres vítimas de ataques com ácido sulfúrico posaram para um calendário inspirador.
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Não são modelos nem estrelas de cinema, mas querem provar que são tão belas como quaisquer outras. No âmbito de uma campanha promovida por uma organização não-governamental (ONG) indiana, 11 mulheres vítimas de ataques com ácido sulfúrico posaram para um calendário inspirador com o objetivo de alertar para a gravidade deste tipo de crime que, com frequência, assola o seu país.
 
O calendário “Bello”, apresentado esta semana a propósito do Dia Internacional da Mulher, que se celebrou no passado dia 8, é da responsabilidade da organização “Stop Acid Attacks” com sede em Nova Deli, na Índia, e está à venda por cerca de seis euros na Internet, sendo que, se assim quiserem, os compradores podem pagar mais e contribuir com um valor adicional para esta causa.
 
Sem pudores, estas 11 mulheres destaparam o rosto deformado e as cicatrizes, consequência de ataques com produtos químicos, e mostraram-se em frente às câmaras fotográficas para chamar a atenção do mundo.

“Nos calendários aparecem sempre estrelas de cinema ou modelos, não mulheres como nós. Queremos mostrar que a beleza é interior, que continuamos a ser belas”, disse Sonia, uma mulher de 30 anos atacada com ácido em 2004 que integra a iniciativa.

 
Segundo Sonia, que foi vítima da ira de um vizinho depois de uma discussão e que trabalha como maquilhadora, aparecendo no calendário a maquilhar uma cliente, o propósito desta iniciativa é mostrar que todas estas mulheres são pessoas normais que querem uma vida normal. 
 
A mesma opinião é partilhada por Geeta, uma mulher de 44 anos atacada pelo marido há já duas décadas. O ato de violência afetou, também, a filha, que ficou com o rosto deformado e perdeu a visão, e levou, inclusive, à morte do bebé desta indiana, que tinha apenas meses de vida. 
 
“Nenhuma de nós fez nada de mal. Não há razão para nos escondermos. Estou orgulhosa por ter posado [para o calendário]”, garantiu esta cozinheira, que foi fotografada com o uniforme de trabalho e que cozinha num restaurante da mesma ONG na cidade de Agra, que emprega cinco sobreviventes a ataques de ácido. 

Campanha quer chegar a 100 milhões de pessoas

 
Alok Dixit, fundador e diretor da “Stop Acid Attacks”, explicou à Efe que a associação ambiciona chegar a 100 milhões de pessoas com esta campanha através das redes sociais. “Quanto mais pessoas souberem delas, quanto mais pessoas as conhecerem, mais normais elas serão. Devemos devolver-lhes a dignidade”, defendeu.
 
No entender do responsável, é necessário que a sociedade global tenha consciência da existência desta realidade e do quão difícil é para estas mulheres refazerem as suas vidas.

“Não são vítimas, são lutadoras. Lutam para recuperar uma vida que lhes foi tirada. Se virmos este calendário todos os dias, a imagem ficará na nossa mente e vamos lembrar-nos de que há pessoas que lutam muito”, notou Dixit. 

 
Com a venda do calendário, a organização pretende, também, angariar fundos para continuar a oferecer ajuda sanitária, legal e laboral a mulheres vítimas deste flagelo.

Em parceria com o seu lançamento, foi iniciada, também, uma campanha para encontrar sobreviventes deste tipo de agressão e para as ajudar, já que muitas vezes desconhecem os seus direitos legais.

 
A Índia endureceu, em 2013, a venda de ácidos no país, mas estes químicos continuam a ser de fácil acesso, já que são comercializados a preços irrisórios e utilizados com frequência para limpar canos e casas-de-banho. 
 
Apesar de o governo indiano ter, há dois anos, determinado a obrigatoriedade do pagamento de uma indemnização às vítimas de ácido no valor de 300 mil rupias (cerca de cerca de 4.405 euros), esta medida não tem, segundo a “Stop Acid Attacks” sido posta em prática.

Atualmente, a lei daquele país pune os agressores com oito a 12 anos de prisão.

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