Sociedade

Primeira aluna cega e surda na Universidade

O curso de Língua Gestual Portuguesa da Universidade Católica de Lisboa acolhe, este ano, a primeira aluna cega e surda a ingressar no ensino superior em Portugal. Carolina Canais, 44 anos, é vítima da Síndrome de Usher, que progressivamente degrada
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O curso de Língua Gestual Portuguesa da Universidade Católica de Lisboa acolhe, este ano, a primeira aluna cega e surda a ingressar no ensino superior em Portugal. Carolina Canais, 44 anos, é vítima da Síndrome de Usher, que progressivamente degrada a sua acuidade visual, mas pretende lutar pelo sonho de ser escritora.

As aulas do curso que Carolina vai agora frequentar já eram adaptadas a surdos; todos os conteúdos são transmitidos através de língua gestual, pelo que a videoconferência é um recurso frequentemente utilizado.

Por isso, a Universidade Católica contratou dois guias-intérpretes para orientar a nova aluna, bem como traduzir a língua gestual em língua táctil e converter todos os manuais para braille.

Carolina encontra, assim, um novo alento para continuar a batalhar pelo seu sonho de ser escritora, depois de a perda progressiva da visão a ter obrigado a reformar-se, há quatro anos, do cargo administrativo que desempenhava na Indústria Aeronáutica de Portugal.

“Solteira e independente”, como se descreve ao Diário de Notícias, Carolina reside num lar em Lisboa e desloca-se ao centro de artes, ao café, às compras ou à natação sem ajuda. Aprendeu a cozinhar pelo olfacto e a tratar da roupa sem a ver. Também comunica autonomamente: dactilografa com a ajuda de um teclado de comunicação aumentativa e usa uma lupa para escrever mensagens no telemóvel.

Embora tenha aprendido a fala, com a ajuda de uma terapeuta, aos 24 anos, Carolina utiliza a língua gestual desde criança. Os ouvintes comunicam com ela desenhando as letras na palma da sua mão, os surdos por língua gestual apoiada, também nas mãos.

Assim que foi diagnosticada com o tipo I da Síndrome de Usher, que a condena irreversivelmente à cegueira total, antecipou-se e dirigiu-se ao Centro de Reabilitação Nossa Senhora dos Anjos – “a melhor escola para cegos de Portugal” – para aprender braille e orientar-se sem a visão.

Inicialmente não a quiseram aceitar uma vez que a cegueira ainda não era evidente. Conseguiu porque batalhou, conta Carolina, mostrando que a persistência é uma arma poderosa que faz mover o mundo.

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