Ciência

Portugueses criam película comestível para alimentos

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Uma película comestível, invisível e que permite embalar os alimentos, preservando a sua conservação, promete revolucionar a indústria alimentar. É uma das mais recentes inovações do Instituto para a Biotecnologia e Bioengenharia (IBB) da Universidade do Minho(UM).

O Nanopacksafer, nome atribuído ao projeto do IBB, surgiu da necessidade de desenvolver uma “embalagem que permitisse a conservação dos alimentos e que ao mesmo tempo fosse comestível e biodegradável”, explica ao Boas Notícias, José Teixeira, investigador da UM, que coordena a equipa de cinco pessoas que desenvolveu esta inovação.

A equipa da UM iniciou o projeto em 2005, através da pesquisa de materiais que “pudessem ser usados como base” para a criação de uma película capaz de melhorar a conservação dos alimentos mas evitando os problemas típicos da “utilização das embalagens sintéticas para alimentos”.

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Da investigação nasceu o Nanopacksafer: uma solução líquida que cobre os alimentos. A película contém uma nanopartícula que, depois de seca, cria um revestimento protetor, impedindo que microrganismos contaminem os alimentos.
 
A matéria-prima biológica
 

A principal matéria-prima que está na origem da película tem base biológica, sendo extraída da biomassa. “Os principais materiais usados são os polissacarídeos, tais como galactomananos extraídos de sementes de leguminosas (ex: semente de alfarroba), carragenanas, agaranas extraídas de algas, e também quitosano obtido da carapaça dos crustáceos”, explica José Teixeira.

A equipa também já testou “algumas proteínas do leite e gorduras de vegetais na forma isolada ou combinadas com os polissacarídeos”.
 
O revestimento e o sabor
 
Segundo adiantou José Teixeira ao Boas Notícias, os materiais utilizados “não têm sabores detetáveis pelo paladar humano”. Porém, “existe a possibilidade de usar materiais e compostos que possam ter sabores”, o que permite “alterar ou enaltecer os sabores dos alimentos de uma forma natural, para uma maior satisfação do consumidor”.
 
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Uma vez que não tem sabor, o revestimento não altera o sabor dos alimentos. A única alteração prevista, segundo o responsável pelo projeto, é a “melhoria da qualidade dos alimentos durante o armazenamento”.

A película preserva os alimentos aumentando o tempo de prateleira e reforçando a sua segurança alimentar. José Teixeira adianta que o revestimento “pode ser usado para substituir as embalagens sintéticas usadas comercialmente”.

Devido à sua simplicidade e segurança, a película vem permitir por exemplo, no caso dos frutos, “uma aplicação do revestimento no próprio produtor”, aquando da colheita.
 
Outras vantagens e comercialização
 
Outra das características da película é que esta “pode tornar-se um veículo para a incorporação de compostos bioativos nos alimentos, como antioxidantes ou antimicrobianos”.
 
Para já a comercialização do Nanopacksafer “está dependente do interesse das empresas em aplicar esta tecnologia nos seus produtos”, salienta José Teixeira.
 
A tecnologia desenvolvida no IBB já foi publicada em revistas internacionais de referência. E o grupo de investigadores da UM afirma que tem “todo o interesse em colaborar com os empresários”, existindo já algumas empresas de laticínios interessadas em aplicar a película em queijos.

Ana Silva

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