Ambiente

Portugal realiza estudo inédito sobre tubarão-baleia

A Universidade dos Açores está a realizar um estudo inédito sobre os tubarões-baleia que conta com investigadores de vários países. Já foram colocados transmissores em alguns exemplares desta espécie que, ainda hoje, está pouco estudada.
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A Universidade dos Açores está a realizar um estudo inédito sobre os tubarões-baleia que conta com investigadores de vários países. Já foram colocados transmissores em alguns exemplares desta misteriosa espécie. A equipa espera, por exemplo, compreender melhor as rotas de migração, a alimentação, a estrutura populacional e os hábitos reprodutivos do maior peixe do mundo.
 
por Patrícia Maia
 
Os Açores são o único local da Europa onde se pode ver tubarões-baleias adultos mas, até agora, não se sabe ao certo a rota que percorrem para chegarem ao arquipélago português. A rota do tubarão-baleia, o maior peixe do mundo que pode chegar a atingir 20 metros de comprimento, pelos mares é apenas um dos muitos mistérios que esta espécie ameaçada continua a esconder.
 
Há cerca de seis anos que Nuno Sá, o multipremiado fotógrafo da natureza portuguesa, ‘persegue’ estes animais. Foi nos Açores que registou pela primeira vez, com a sua lente, um exemplar. “Já há muitos anos que ouvia os pescadores falarem do tubarão-baleia mas nunca o tinha avistado”, conta Nuno Sá ao Boas Notícias.
 
“Em 2008, devido à  movimentação das correntes, a temperatura do mar (nos Açores) subiu e aumentaram as ocorrências, sobretudo na ilha de Santa Maria, pelo que fui para lá e estive 10 dias a fotografar”, recorda o fotógrafo. Desde essa altura, e até hoje, Nuno Sá já se cruzou com dezenas de tubarões-baleia.
 


Uma das fotos registadas, nessa época, por Nuno Sá, correu o mundo: a imagem capta o momento em que o mergulhador alemão Martin Wilke se aproximou de um tubarão-baleia apoiando-se na sua barbatana e navegando as águas açorianas à  boleia deste peixe. A foto foi divulgada pela National Geographic e por outros meios de comunicação internacionais.
 
Apesar do seu tamanho impressionante, o tubarão-baleia não representa qualquer ameaça para o ser humano uma vez que as suas fileiras de dentes não são usadas no processo de ingestão de alimentos. A água está sempre a entrar e sair da boca do tubarão-baleia que não mastiga as suas ‘refeições’ compostas por algas e pequenos peixes.
 
Transmissores fornecem dados sobre os tubarões-baleia 
 
A curiosidade de Nuno Sá por esta espécie é partilhada por muitos investigadores. Com o objetivo de estudar melhor este animal, a Universidade dos Açores e a norte-americana Woods Hole Oceanographic Institution (WHOI) uniram esforços formando uma equipa multidisciplinar que conta, entre os seus elementos, com a participação de Nuno Sá e de mais três investigadores nacionais, bem como dois investigadores dos EUA, um investigador da Arábia Saudita e outro do Brasil.
 
“Com este estudo pretendemos sobretudo conhecer a ecologia desta espécie ameaçada e protegida internacionalmente, para a qual ainda pouco ou nada se sabe relativamente à  sua reprodução, hábitos alimentares, migrações horizontais e verticais, utilização do ‘habitat’, estrutura populacional e conectividade”, explica ao Boas Notícias o investigador Jorge Fontes.
 
A equipa já conseguiu, no final do ano passado, colocar transmissores em quatro tubarões-baleias, uma tarefa difícil já que o equipamento é colocado através de um arpão que tem de furar a espessa pele do tubarão (ver vídeo abaixo).
 
Aliás, um dos transmissores acabou por se “soltar prematuramente”, o que compromete a qualidade e quantidade de dados recolhidos através da rede de satélites Argos. Neste caso, por exemplo, “o transmissor acabou por se soltar antes do animal sair dos Açores”.
 


O projeto está a ser cofinanciado pela Universidade dos Açores, pela WHOI e pela KAUST (King Abdullah University of Science and Technology). Mas a investigação “não tem data de conclusão prevista pois depende do número de animais que se conseguirá marcar”.
 
Ou seja, só quando a equipa conseguir dados fiáveis, a partir de uma amostra representativa de, pelo menos, uma dezena de tubarões, se poderá pensar em divulgar conclusões que lancem uma nova luz sobre o misterioso mundo dos tubarões-baleia.

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