Saúde

Parkinson: importante descoberta portuguesa

Uma investigação do Programa Champalimaud de Neurociências no Instituto Gulbenkian de Ciência identificou as células do cérebro envolvidas no início e no fim de uma sequência de movimentos ou uma acção. A descoberta pode ajudar doentes com Parkinson
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[Imagem:© DN]

Uma investigação do Programa Champalimaud de Neurociências no Instituto Gulbenkian de Ciência identificou as células do cérebro envolvidas no início e no fim de uma sequência de movimentos ou uma acção. A descoberta pode ajudar doentes com Parkinson ou Huntington que têm dificuldade nestas áreas.

“Em todas a ações sequenciais ou movimentos não inatos – como conduzir um carro ou tocar piano – há um grupo de células no nosso cérebro, nos circuitos neuronais dos gânglios basais, que são activadas nos momentos que marcam o início e o fim de uma tarefa”, conta Rui Costa, um dos co-autores do estudo juntamente com o investigador Xin Jin dos EUA.

Na investigação, os cientistas ensinaram os ratos a tocar numa tecla por oito vezes e verificaram que havia muitos neurónios ativos antes do primeiro e do último toque.
 Através de ferramentas genéticas, os investigadores alteraram a atividade deste circuito neurológico e constataram que tal modificação implicou deficiências na iniciação e na terminação das sequências, assim como na sua aprendizagem.

Deste modo, os pequenos roedores deixaram de cumprir aquilo que lhes tinha sido ensinado e, em vez de pressionar oito vezes na tecla, fizeram-no com maior ou menor frequência, demorando também mais tempo a iniciar uma nova sequência.

Esta desordem nos movimentos assemelha-se àquelas que são provocadas em doentes de Parkinson ou de Huntington, caracterizadas “pela dificuldade em iniciar ou parar uma sequência de movimentos”, sublinhou ao portal Ciência Hoje Rui Costa, frisando que, por isso, esta investigação pode tornar-se importante no estudo destas desordens.

Questionado sobre a importância desta investigação para um futuro tratamento destas doenças degenerativas, o investigador do Instituto Gulbenkian de Ciência admite que poderão demorar anos até se produzirem efeitos sentidos pelos doentes.

No entanto, acredita que, se for possível, “de uma forma artificial, fazer estimulação cerebral ou a substituição das células afetadas [pelas doenças], há a esperança de que os pacientes possam iniciar e terminar as sequências de movimentos sem problemas”.

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