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Os três ingredientes em falta na receita do empreendedorismo

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Queremos ter mais empresas, queremos criar mais emprego, queremos criar mais autoemprego para os jovens formados que saem das nossas universidades, queremos levar mais tecnologias diferenciadoras para o mercado. Apostamos em investir na criação de muitos negócios, com vista ao desenvolvimento de uma cultura empreendedora.

Concordo plenamente com esta visão. No entanto, a qualidade de muitos potenciais negócios deixa muito a desejar. Criar empresas que não sobrevivem no mercado é algo que faz parte do empreendedorismo, tal como falhar faz parte da inovação. Contudo, apoiar negócios que sabemos que não irão vingar é um gasto de recursos completamente desnecessário. É um erro de gestão.

Há três ingredientes “simples” que devíamos adicionar à atual receita do empreendedorismo para aumentar a sua qualidade e o seu impacto:

  1. Processo Stage-Gate com testes de stress incorporados, desenhado para novos empreendedores, que possa ser aplicado por quem gere os cursos de empreendedorismo, por quem gere as incubadoras, pelos avaliadores dos resultados obtidos com os projetos financiados de estímulo ao empreendedorismo, e, sem dúvida alguma, pelos próprios empreendedores. Este processo é crítico para deixarmos de apostar em quantidade e passar a criar uma verdadeira geração de empreendedores de sucesso que possam ir de cabeça levantada para o Shark Tank, sabendo que estão prontos para enfrentar o desafio.
  2. Nova abordagem na formação de todos os futuros empreendedores para os dotar de competências reais de construção e avaliação de modelos de negócio. É obrigatório ultrapassarmos o mero preenchimento de um Business Canvas ou Value Canvas de Alexander Osterwalder e passar a interagir com os futuros clientes, co-criar se possível, fazer estudos de mercado, analisar verdadeiramente a concorrência, medir a dimensão do mercado e o seu potencial de crescimento. É indispensável “sujar as mãos” no mundo real dos empreendedores que batalham todos os dias para sustentar os seus negócios e para os fazer vingar num mundo extremamente competitivo. É diferenciador aprender a usar Business Intelligence para monitorizar o mercado em tempo real, “sentir” os clientes e identificar os movimentos da concorrência.
  3. Capacitação dos futuros empreendedores para estarem em permanente sintonia com os seus clientes, surpreendê-los, oferecer soluções integradas, fazer parcerias, pensar sempre no valor que criam para os clientes e, ao mesmo tempo, pensar no valor que fica na empresa para poder manter a sustentabilidade e crescimento do seu próprio negócio. É urgente mudarmos o paradigma technology-push tão apoiado no anterior Programa-Quadro e passarmos para o paradigma Horizonte 2020 – para um negócio vingar só interessam as propostas de valor, que estão intimamente ligadas ao cliente e ao mercado em que o mesmo se posiciona. É necessário implementar a inovação de marketing nos novos negócios.

Depois de adicionarmos estes três ingredientes, já poderemos recorrer à criatividade e desenvolver competências de pensar diferente, procurando sempre contribuir para a capacitação competitiva do novo negócio e adicionar as propostas de valor, de preferência de base tecnológica e devidamente protegidas, uma equipa empreendedora e uma rede de parceiros adequada.

Teremos assim uma receita mais completa para conceber mais modelos de negócio inovadores, que permitam diferenciação, vendas regulares, crescimento e satisfação constante das “almas” de determinados mercados, sempre com atenção à concorrência. A receita do empreendedorismo inteligente.

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