Ciência

OAL: A “despromoção” de Plutão

Durante séculos, a visão era o único instrumento que a Humanidade possuía para observar o céu.
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Durante séculos, a visão era o único instrumento que a Humanidade possuía para observar o céu. Sem tecnologia para o ajudar a perceber os fenómenos que presenciava, o homem atribuía a corpos celestes designações baseadas naquilo que observava. Um exemplo disto são corpos que aparentam mover-se no céu em relação ao “pano de fundo” de estrelas – os “planetas” – cujo nome provém da palavra grega “errantes”.

por João Retrê (Astrofísico)
 
O desenvolvimento da Ciência e Tecnologia veio proporcionar uma compreensão mais aprofundada do Universo que nos rodeia. Os métodos de observação e de análise continuam a ser melhorados, fornecendo muito mais informação acerca dos corpos celestes.
 
Será de esperar então, que este desenvolvimento venha colocar em causa alguns conceitos centenários. No caso dos “planetas”, sabemos hoje muito mais do que o simples facto de estes se “moverem” em relação ao “pano de fundo das estrelas”.
 
A descoberta de novos objetos nas regiões exteriores do Sistema Solar, com dimensões comparáveis às de Plutão, vieram colocar em causa o significado da palavra que tantas vezes usamos no quotidiano – “planeta”.
 
Na 26ª Assembleia Geral da União Astronómica Internacional, realizada em Praga, na qual participaram mais de 2.500 astrónomos, foi votada uma resolução que visou a criação de uma nova definição científica de “planeta”.

Tendo esta resolução sido aprovada, a palavra “planeta” passou a ter um novo significado. Todos os corpos no nosso Sistema Solar, com a exceção dos satélites naturais, foram integrados em três categorias: planeta, planeta anão e pequenos corpos do Sistema Solar. Para se enquadrarem em qualquer uma destas três categorias, os corpos celestes têm de obedecer aos seguintes requisitos:
 

Um planeta é um objeto celeste que:
a) se encontra em órbita em torno do Sol;
b) possui massa suficiente para se manter em equilíbrio hidrostático (possuindo assim uma forma aproximadamente esférica);
c) tenha a vizinhança da sua órbita “livre” de outros objetos.
 
Um planeta-anão é um objeto celeste que:
a) se encontra em órbita em torno do Sol;
b) possui massa suficiente para se manter em equilíbrio hidrostático (possuindo assim uma forma aproximadamente esférica);
c) não tenha a vizinhança da sua órbita “livre” de outros objetos;
d) não seja um satélite.
 
Todos os outros objetos que não se enquadram nas categorias acima descritas, serão designados coletivamente como 'pequenos corpos do Sistema Solar'.
 
As definições acima referidas são feitas no contexto do Sistema Solar. Para generalizar as definições de planeta e de planeta-anão, basta acrescentar que estes dois tipos de objetos orbitam uma estrela (no caso do Sistema Solar, o Sol) sem que eles próprios sejam estrelas. É que existem no Universo muitos sistemas binários, em que duas estrelas se orbitam mutuamente e obviamente nem uma nem outra é um planeta.

Sistema Solar ganhou 5 planetas-anões
 

Segundo esta resolução, Plutão, historicamente reconhecido como o 9º planeta do Sistema Solar, passou a ser um planeta-anão. A sua “despromoção” tem origem no facto da órbita deste corpo residir numa zona conhecida por albergar muitos outros objetos semelhantes e designada como Cintura de Kuiper. Com este facto, a vizinhança da órbita de Plutão não se encontra “livre” de outros corpos e consequentemente Plutão não obedece a um dos requisitos da nova definição de planeta. 
 
Plutão não se encontra sozinho na sua nova categoria. Em 2003, foi descoberto em órbita do Sol, também na Cintura de Kuiper, um corpo tão grande como Plutão, ao qual foi atribuído o nome de Eris. Devido ao facto de se encontrar nas mesmas condições que Plutão, face aos requisitos da definição de planeta-anão, Eris foi também enquadrado nesta categoria, assim como Ceres – o maior objeto da Cintura de Asteroides.

Corpos como os cometas, restantes asteroides e a maioria dos objetos Trans-Neptunianos, passaram a ser classificados como pequenos corpos do Sistema Solar.
 

Entretanto foram anunciados mais dois planetas-anões, chamados Haumea e Makemake, e é provável que existam ainda dezenas à espera de serem descobertos. 
 
O Sistema Solar pode ter “perdido” um planeta, mas “ganhou” cinco novos planetas-anões.
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Para mais informações, consulte:

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