Ciência

Neve descoberta em sistema planetário longínquo

Uma equipa internacional de astrónomos acaba de obter, pela primeira vez, imagens de uma linha de neve num sistema planetário recém-nascido longínquo.
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Uma equipa internacional de astrónomos acaba de obter, pela primeira vez, imagens de uma linha de neve num sistema planetário recém-nascido longínquo. De acordo com o Observatório Europeu do Sul (ESO), esta linha de neve, localizada no disco que rodeia a estrela TW Hydrae, semelhante ao Sol, vai permitir descobrir mais sobre a formação de planetas e estrelas.
 
O estudo que dá conta desta descoberta, para a qual os cientistas utilizaram o já célebre telescópio ALMA, foram publicados esta quinta-feira na revista científica Science Express. Segundo a equipa, a linha de neve é claramente visível numa montanha, no local onde o pico coberto de neve termina e a face rochosa descoberta começa. 
 
Em comunicado, o ESO explica que, na Terra, as linhas de neve se formam a altitudes elevadas, onde as temperaturas baixas transformam a humidade do ar em neve. Em torno das estrelas jovens, o processo de formação da neve é semelhante, acontecendo nas regiões distantes e frias dos discos de poeira, a partir dos quais se originam os sistemas planetários. 
 
Em redor das estrelas existem, porém, diferentes “tipos” de neve, que resultam do facto de moléculas “mais exóticas” também poderem gelar, fazendo com que, além da água, também o dióxido de carbono (CO2), o metano (CH4) e o monóxido de carbono (CO) se transformem.
 
De acordo com o ESO, a neve aumenta a quantidade de matéria sólida disponível, podendo fazer acelerar drasticamente o processo de formação planetária. Cada um dos tipos de neve – água, dióxido de carbono, metano e monóxido de carbono – pode estar associada à formação de tipos particulares de planeta. 

Potenciais condições para a existência de vida
 

A linha de neve descoberta pelo ALMA é, congratulam-se os cientistas, o primeiro indício existente da linha de monóxido de carbono em torno da TW Hydrae, estrela jovem que se situa a 175 anos-luz de distância da Terra. No entender da equipa, o sistema planetário em formação da qual esta faz parte tem caraterísticas muito semelhantes às do nosso Sistema Solar quando este tinha apenas alguns milhões de anos de idade. 
 
“O ALMA deu-nos a primeira imagem real de uma linha de neve em torno de uma estrela jovem, o que é tremendamente excitante, já que podemos aprender muito sobre o período inicial da história do nosso Sistema Solar”, explica Charlie Qi, um dos principais autores do artigo científico. 
 
“Conseguimos observar detalhes escondidos anteriormente, sobre as regiões geladas de outro sistema planetário semelhante ao nosso”, acrescenta o investigador, que realça que a presença da linha de neve de monóxido de carbono pode ter consequências mais importantes do que apenas a formação de planetas.
 
Isto porque o gelo de monóxido de carbono é necessário à formação de metanol, que é um dos blocos constituintes das moléculas orgânicas mais complexas essenciais à vida. Se os cometas levarem estas moléculas até planetas recém-formados, com caraterísticas idênticas às da Terra, os mesmos poderão passar a dispor de todos os “ingredientes necessários à vida”. 
 
“Nestas observações usámos apenas 26 das antenas ALMA, que serão um total de 66. Já começam a aparecer indicações de linha de neve em torno de outras estrelas noutras observações ALMA e estamos convencidos de que futuras observações que vão usar a rede total revelerão muito mais e mais avançadas pistas sobre a formação e evolução de planetas”, conclui Michiel Hogerheijde, outro dos investigadores, membro do Observatório de Leiden, na Holanda.

Notícia sugerida por David Ferreira

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