Ciência

Linfócitos evitam excesso de ferro no sangue

Investigadores do Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC) revelaram, pela primeira vez, novas funções desempenhadas pelos glóbulos brancos (ou linfócitos), nomeadamente a proteção contra o excesso de ferro no sangue. A descoberta ajuda a exp
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Investigadores do Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC) revelaram, pela primeira vez, novas funções desempenhadas pelos glóbulos brancos (ou linfócitos), nomeadamente a proteção contra o excesso de ferro no sangue. A descoberta ajuda a explicar a raridade e certas características da hemocromatose hereditária, doença que determina uma sobrecarga de ferro no organismo e que afeta o coração, o pâncreas e o fígado.

Nas palavras de Jorge Pinto, principal autor do artigo científico resultante do estudo, os glóbulos brancos podem “proteger outras células dos efeitos tóxicos do ferro em excesso”. Em termos práticos, “o estudo mostra que, em resposta ao aumento de ferro no sangue, os linfócitos sintetizam uma proteína que impede que eles próprios libertem ferro para o sangue”, explica o cientista à agência Lusa.

Segundo o investigador, os linfócitos podem controlar o crescimento de agentes patogénicos ou células tumorais e até favorecer a sua própria divisão, quando necessário. “Ou alternativamente, transportando o ferro para locais onde este seja necessário, só então o libertando”, acrescenta.

Já tinha sido verificado que os sintomas da hemocromatose hereditária tornavam-se mais severos quando o número de linfócitos dos pacientes estava mais baixo. Este estudo vem explicar por que razão isso acontece.

Em 1996, cientistas norte-americanos descobriram que a doença tinha origem na alteração de um gene responsável pelo fabrico da proteína HFE. Ao jornal Público, Jorge Pinto explica que, embora nessa época se achasse que “estava tudo descoberto: que todas as pessoas com a mutação iriam ter esta doença”, atualmente sabe-se que a questão não é linear.

“Começámos a pensar que devia haver outros fatores importantes para que uma pessoa tenha ou não hemocromatose, para além da mutação no gene”, refere Jorge Pinto. Com o desenvolvimento da investigação no IBMC, “pela primeira vez, percebemos que a calreticulina está associada a uma proteção do organismo relativamente aos sintomas da hemocromatose”, revela.

Trocando por miúdos: “Os indivíduos com concentrações mais elevadas desta proteína têm sintomas menos graves, embora a mutação genética seja a mesma”. As conclusões foram retiradas depois do estudo de 78 casos da doença, comparativamente a um grupo de controlo com cerca de 40 pessoas saudáveis.

Mais tarde, este estudo poderá dar origem a um novo teste que permita analisar os níveis da proteína calreticulina. Ao mesmo tempo, poderá ser possível prever se os indivíduos com a mutação genética irão ou não desenvolver a doença e com que grau de gravidade.

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