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Ex-Skin faz 25 cirurgias para apagar tatuagens nazis

Até há pouco tempo, as tatuagens de orgulho nazi cobriam toda a face e o pescoço do norte-americano Bryon Widner, que já foi considerado um dos nacionalistas mais perigosos dos Estados Unidos.
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Até há pouco tempo, as tatuagens de orgulho nazi cobriam toda a face e o pescoço de Bryon Widner, que já foi considerado um dos skinheads mais perigosos dos Estados Unidos. Após 25 cirurgias com laser, este homem conseguiu, no final de 2011, uma vida nova. A sua “conversão” já deu origem a um documentário.
 
As tatuagens deste homem  refletiam dezenas de anos de discriminação e ódio racial, que exibia com orgulho quando fazia parte do movimento Skinhead. No entanto, a posição de Bryon Widner mudou, em 2006, quando se juntou com a atual mulher, Julie, de quem teve um filho.
 
A partir daí, o casal formou uma família – juntamente com os filhos do anterior casamento de Julie – e decidiu afastar-se da extrema direita. Mas a reinserção na sociedade não foi fácil. Com tatuagens agressivas – onde se viam suásticas, a palavra “hate” (ódio, em inglês) e lâminas ensanguentadas (que eram as armas preferidas do ex-skinhead) – Widner era olhado com desconfiança mal saia de casa.
 
Os maiores desafios surgiram quando tentou, sem sucesso, procurar emprego. Ninguém queria empregar um homem que tinha estampada, na própria face, uma atitude de ódio e intolerância. Desesperados, Widner e a mulher procuraram maneiras de remover as tatuagens.
 
No entanto, a única hipótese era mesmo recorrer ao laser: uma intervenção demasiado cara para o casal, com cinco jovens a viver em casa. A solução acabou por surgir de um sítio muito improvável. O casal Widner recorreu a um grupo que luta contra os movimentos skinhead e neonazis nos EUA. 
 

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Widner foi ajudado por ativistas que combatem skinheads
 
Joseph Roy, um dos principais ativistas de luta contra grupos de ódio, nem queria acreditar quando recebeu o pedido de ajuda de Bryon Widner. De entre os skinhead que conhecia, ele “era o mais agressivo, o mais provocatório, o mais destacado”. Primeiro, Roy desconfiou daquele arrependimento, mas depois de falar com o casal acreditou na sua sinceridade e deu-lhes a mão. 
 
Através do grupo Southern Poverty Law Center (organização norte-americana que monitoriza os “grupos de ódio”), Roy conseguiu a ajuda de um doador anónimo para pagar as cirurgias. Em contrapartida, Widner vai liderar palestras para contar a história da sua mudança de comportamento e atitude, que envolveu também a ajuda do ativista negro Daryle Lamont. 
 
Bryon Widner passou por 25 cirurgias com laser para retirar as dezenas de tatuagens de cunho racista que exibia nas mãos e no rosto. Os procedimentos duraram 16 meses e custaram aproximadamente 27 mil euros.
 
Entretanto, o ex-skinhead encontrou trabalho e já não sente vergonha de andar na rua com o filho nos braços. O mais difícil será esquecer o passado. O ex-skinhead disse à Associated Press que sonha todas as noites com as pessoas que agrediu.

Documentário “Erasing Hate”

A mudança de vida deste casal – antigo pilar do movimento de extrema direita nos EUA – deu origem ao documentário “Erasing Hate”, que foi lançado no início deste ano e já está nomeado para várias competições. “Queremos dizer aos outros que é possível uma vida depois do ódio”, salienta Julie na sua página do Facebook, referindo-se ao documentário.

“A sociedade pode ser dura mas as pessoas podem ser perdoadas pelos seus pecados e, aqueles que pensávamos serem os nossos inimigos podem, afinal, tornar-se os teus melhores amigos”, conclui a mulher de Bryon.


Clique AQUI para saber mais sobre o documentário “Erasing Hate”.

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