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Admirável mundo? Reciclado!

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Sejamos francos: todos temos uma ideia intuitiva de que existe uma certa hierarquia na credibilidade das ciências que compõem o nosso dia-a-dia. A física e a matemática impõem respeito a qualquer um de nós, por exemplo. Um comprimido na mão ou a perspetiva de uma intervenção cirúrgica surgem-nos como algo de concreto, tangível, que “faz qualquer coisa” de indiscutível – ninguém se lembra de dizer algo como “Ah! Eu não acredito nisso da Medicina”.

[Por Madalena Lobo, Psicóloga Clínica]

E, no entanto, todo os dias ouço alguém que me diz “Eu não acredito muito nessas coisas”, referindo-se à Psicologia Clínica. Desinformação? Desatualização? Resultados de uma ciência que tardam em chegar ao grande público (e, já agora, aos restantes profissionais de saúde)? A que poderemos atribuir a crença inabalável da atuação de uma cápsula que viaja invisível pelo nosso organismo (assumindo que não somos químicos ou farmacêuticos), a que contrapomos uma certa desconfiança das palavras e técnicas usadas no contexto psicoterapêutico?
 
Há muitos, muitos anos, os primeiros passos da Psicologia Clínica foram revolucionários, na medida em que permitiram explicar situações de mal-estar emocional, comportamentos e sintomas que, até essa altura, estavam rodeados de algum mistério e comportavam uma total ausência de resposta e solução. À medida que os anos foram passando, foi sendo possível demonstrar cientificamente que as mudanças conseguidas em Psicologia Clínica eram bem reais e, inclusivamente, superiores a algumas outras intervenções habituais.

Mas, entretanto, inaugurámos uma era feita de computadores, inovações tecnológicas ao alcance de todos, comprimidos e bisturis, por isso, instintivamente, criamos alguma desconfiança no poder de meras palavras trocadas entre dois seres humanos, quase como se fosse qualquer coisa de esotérico, por oposto a científico.
 
Agora, assistimos a algo que fica perto do maravilhoso – com as ressonâncias magnéticas, TACs e as suas diversas formas de observar a estrutura do cérebro e forma de funcionamento, bem como vários aparelhos que permitem uma leitura de indicadores corporais (variabilidade cardíaca, tensão muscular, etc) conseguimos ver – ver, mesmo – as alterações impossíveis de ser desmentidas após uma intervenção em Psicologia.

Um corpo que, de facto, e à luz de conceitos médicos, se aquieta e regulariza após intervenções dedicadas a corrigir estados de stress e ansiedade, um funcionamento cerebral que se altera profundamente à medida que sintomas de mal-estar emocional desaparecem e patologia psicológica que é resolvida, como uma depressão, por exemplo, e até mesmo alterações na própria estrutura do cérebro. Tudo isto decorrente de meras “palavras” e uns pequenos exercícios práticos.
 
E o que mais nos pode maravilhar vai muito além do contexto de uma intervenção formal: imagine a utilização prática de pequenas sugestões oriundas da Psicologia e ao alcance de qualquer um de nós, e que não têm porque depender de uma passagem por um consultório, ainda que, nos últimos anos, possam ter passado por serem apenas pequenos actos agradáveis mas sem grande consistência. A lista não caberia aqui, mas deixo-lhe alguns exemplos do que pode fazer a diferença:

  • Uns poucos minutos diários, dedicados a refletir sobre as coisas pelas quais nos podemos sentir gratos;
  • 15 minutos dedicados a praticar um pouco de meditação;
  • substituir uma linha de raciocínio negativista por um raciocínio construtivo;
  • praticar atividades de relaxamento;
  • praticar a ajuda ao próximo de uma forma desinteressada;
  • retirarmos um pouco de tempo para estar regularmente com amigos;
  • utilizar formas de comunicação mais eficazes com os outros;
  • praticar uma respiração profunda e regular

 Aquilo que nos últimos anos fomos deixando para trás, por força de circunstâncias culturais que nos tornaram adeptos da máxima do “ver para crer”, pode agora ser retirado da nossa caixinha das coisas boas e gratuitas, que podem ser feitas para nos sentirmos bem e sermos produtivos. A boa notícia é que já não é preciso deixarmos esta decisão ao sabor da fé: as várias “radiografias” atualmente disponíveis para sabermos o que se passa fisiologicamente dentro de nós, vão-nos dizendo, sem margem para dúvidas, de que, a cada investimento de uns minutos nas atividades certas, o nosso corpo muda em conformidade, e a saúde e resiliência aumentam.

Reciclemos, portanto, conhecimentos que já tínhamos mas que andavam menosprezados! Pela sua saúde, claro!

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[Madalena Lobo é Diretora Geral da Oficina de Psicologia. Para saber mais sobre este projeto visite www.oficinadepsicologia.com ou http://www.facebook.com/oficinadepsicologia]

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