Cultura

30 horas de trabalho para sobreviventes de cancro

Cristina Coelho, uma professora portuguesa que foi diagnosticada com cancro em 2012, lançou, há duas semanas, uma petição online para que a legislação reduza as horas de trabalho dos doentes oncológicos. O documento já conta com mais de 3.200 assinat
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Cristina Coelho, uma professora portuguesa que foi diagnosticada com cancro em 2012, lançou, há duas semanas, uma petição online para que a legislação reduza as horas de trabalho dos doentes oncológicos. O documento já conta com mais de 3.200 assinaturas.

Na página da petição, a professora explica que a radioterapia e a quimioterapia a que foi submetida "provocaram efeitos colaterais": "Sono, fadiga, enjoo, dores articulares, lentidão no raciocínio, falhas de memória, perda de peso, esofagite aguda grave, dor ao engolir, neuropatias periféricas".

"O final de um dia normal, um dia após outro, torna-se complicado e injusto quando nos comparamos a um trabalhador normal e saudável", garante a professora portuguesa, defendendo por isso que estes trabalhadores tenham direito a uma redução da carga de trabalho para as 30 horas semanais.

 

A iniciativa online também propõe o direito à reforma após 30 anos de serviço ou aos 60 anos de idade. São necessárias quatro mil assinaturas para a proposta ser discutida no Parlamento e o documento já está perto desse número, com mais de 3.200 assinaturas.

A proposta é dirigida a funcionários públicos e a trabalhadores do setor privado. Para além da redução no número de horas de trabalho semanais, a petição (acessível aqui) também pede que seja o Estado a cobrir a parte do salário em causa para evitar penalizações nos salários dos trabalhadores ou na entidade empregadora.

Em Portugal não se tem um conhecimento exato da população de sobreviventes de cancro. "No entanto pode inferir-se que também se verifica um aumento de sobreviventes, pois no Plano Nacional de Saúde 2004-2010 é referido que a mortalidade global por cancro em Portugal estabilizou, embora apenas haja compilação publicada de dados de registos oncológicos até 1998 e ainda seja evidente uma tendência de aumento da mortalidade nos homens", segundo o artigo científico "A qualidade de vida dos sobreviventes de cancro", referido na petição.

Pode-se trabalhar com cancro?

Segundo a American Cancer Society, a incapacidade de um paciente oncológico trabalhar durante um tratamento ao cancro está dependente de fatores como o tipo de tratamento, a fase de desenvolvimento do tumor, estado de saúde geral e o tipo de trabalho.

"Algumas pessoas com cancro ainda podem trabalhar e cumprir as suas tarefas diárias durante a fase de tratamento", explica a organização. "Outras descobrem que precisam de mais descanso ou apenas se sentem demasiado doentes para fazer muito. O médico também pode recomendar a limitação de algumas atividades".

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