i9magazine

TURISMO, da urgência à sustentabilidade

Versão para impressão

Num momento de forte retração da economia nacional decorrente da crise que temos vindo a enfrentar o sector do turismo percorreu o caminho inverso. Pressionado positivamente por uma procura crescente, o mercado teve (tem) de se reinventar, seja do ponto de vista da qualificação da oferta, seja ao nível do modelo de relacionamento, com e entre os diferentes atores do ecossistema turístico. Mas a evolução tecnológica tem sido também um acelerador de mudança, a digitalização do modelo de negócio, a criação de marketplaces abertos, a disponibilização de plataformas e open e big data… trouxeram um novo dinamismo ao setor, não só para os atores tradicionais, mas acima do tudo na dinamização de novos modelos de negócio e no aparecimento de novos players.

Para a implementação de um modelo sustentável para o setor é essencial ter uma visão de longo prazo, alinhada entre os seus principais atores, sejam públicos ou privados, de geometria variável, flexível e preditiva, capaz de responder às variações de ciclo, sejam estes políticos ou económicos. O alinhamento top down na estratégia de promoção externa, liderado pelo Turismo de Portugal, com as diferentes Agências Regionais de Promoção Turística é essencial para maximizar o impacto da operação de promoção nos mercados internacionais e com isto aumentar a eficiência da mesma, sem ignorar as especificidades dos diferentes destinos, envolvendo de forma ativa os diferentes agentes privados no desenho, desenvolvimento e implementação desta visão. Mas importa também agilizar e otimizar o atual modelo de gestão, nomeadamente no que respeita à promoção interna; com as atuais Entidades Regionais de Turismo, a suportarem um legado estrutural que consome recursos que poderiam estar orientados à geração de novas dinâmicas indutoras de negócio para as diferentes regiões. O assumir de um novo papel por parte das Áreas Metropolitanas, Comunidades Intermunicipais e Autarquias, em conjunto com os agentes económicos locais, na promoção interna dos diferentes destinos será um cenário a equacionar no curto prazo no sentido de fazer mais com menos e maximizar a eficiência do sector turístico regional. Mas, para um modelo de governança efetivo é urgente regular, seja à escala nacional ou local, no sentido de antecipar e evitar fatores de pressão negativos que possam impactar de modo menos positivo o dia a dia dos cidadãos e dos territórios e com isto deitar a perder aquilo que foi construído e alcançado.

Além da governança é essencial conhecer a procura e qualificar a oferta. Se a estratégia e o modelo de governo são o cérebro de todo o modelo, as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) serão o sistema nervoso, dando capilaridade e efetividade a toda a relação entre os diferentes atores do processo, potenciando novos modelos de relacionamento, novas estratégias promocionais, novos atores e modelos de negócio, sendo também um ativo estratégico no suporte ao modelo de governação.

Conhecer e participar no ciclo de vida do turista potencial ou efetivo é essencial; tirar partido do potencial das TIC e do marketing digital na influência no processo de escolha do destino, mas acompanhar e manter um relacional ao longo de todo o processo, viagem, experiência no destino, e em particular no processo de feedback e follow-up da experiência é determinante no processo de recomendação futuro, pois mantendo a relação ativa, fruto da empatia criada, o turista poderá ser um embaixador do destino e recomendar ativamente a experiência, algo que no modelo tradicional não era viável. Mas as plataformas tecnológicas são também o espaço de oportunidades ao nível da estruturação e qualificação da oferta. A disponibilização de marketplaces abertos, que permitam colocar numa única plataforma uma oferta integrada de experiências locais, poderá não só influenciar o decisor no momento da escolha do destino, como criar novas dinâmicas de negócio no momento da presença no destino, com vantagens evidentes para o turista e para os players do setor. As plataformas de open data podem ser também um instrumento importante na dinamização local do setor, ao disponibilizar informação estruturada e certificada por entidades oficiais ao mercado, induzimos um ciclo virtuoso de geração de novas soluções, grande parte das vezes a custo zero, desenvolvidas pela comunidade empreendedora, nomeadamente start-ups, o que induzirá um efeito de arrasto relevante no ecossistema económico local.

É certo que o caminho se faz caminhando e, como noutros setores, é essencial competir, cooperar competindo, pelo que o setor privado, em parceria com o setor público, terá de assumir um papel central na definição do modelo de governança do setor, privilegiando a qualificação da oferta, a estabilidade de políticas, a co-regulação e a inovação, no sentido de responder às reais expectativas dos turistas, dos territórios e dos agentes económicos.

Vladimiro Cardoso Feliz
CIO & HEAD Smart Cities Program do CeeiA e Presidente da Assembleia Geral da Addict

O conteúdo TURISMO, da urgência à sustentabilidade aparece primeiro em i9 magazine.

Comentários

comentários

Pub

Live Facebook

Correio do Leitor

Subscreva a nossa Newsletter!

Receba notícias atualizadas no seu email!
* obrigatório

Pub

Este site utiliza cookies. Ao navegar no site estará a consentir a sua utilização. Saiba mais aqui.

The cookie settings on this website are set to "allow cookies" to give you the best browsing experience possible. If you continue to use this website without changing your cookie settings or you click "Accept" below then you are consenting to this.

Close