Ciência

Truque: "Livre-se" da música que não lhe sai da cabeça

Não sabemos onde ou quando as ouvimos, mas acabamos a cantarolá-las durante dias a fio. Agora, a Ciência ensina-nos um truque para nos livrarmos das músicas que não nos saem da cabeça.
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Não sabemos onde ou quando as ouvimos, muitas vezes nem sequer gostamos delas, mas, mesmo sem querer, acabamos a cantarolá-las durante dias a fio. As músicas “teimosas” que não nos saem da cabeça são um verdadeiro teste aos nossos nervos mas, afinal, há um truque simples para nos livrarmos delas. É a Ciência que o garante.
 
De acordo com um estudo da Universidade de Reading, no Reino Unido, publicado o mês passado na revista científica Quarterly Journal of Experimental Psychology, a solução pode passar pelo simples ato de mascar pastilha.
 
O chamado fenómeno “earworm” – palavra inglesa que remete para as melodias que não conseguimos, literalmente, tirar da cabeça e que se repetem incessantemente no nosso pensamento – remonta, no mínimo, ao século XIX, “quando Edgar Allan Poe e Mark Twain começaram a referir-se a ele em vários trabalhos célebres”.
 
“A maioria de nós experiencia este fenómeno durante curtos períodos de tempo, por vezes apenas minutos, mas há quem o experiencie durante dois ou três dias, o que pode ser muito frustrante e debilitante”, explica Phil Beaman, investigador que liderou o estudo, acrescentando que a equipa procurou “perceber se um ato tão simples como mascar pastilha poderia ajudar”. 
 
Estudos prévios demonstraram já que outras soluções – como “falar” connosco próprios ou simplesmente mexer os maxilares – conseguem interferir na memória a curto-prazo e na imaginação dos sons, mas este é o primeiro trabalho a debruçar-se sobre o efeito da pastilha elástica sobre o fenómeno. 
 
Os investigadores recrutaram 94 voluntários, que foram convidados a ouvir duas músicas consideradas “contagiantes”: 'Play Hard', de David Guetta, e 'Payphone', dos Maroon 5. Depois, pediram-lhes que “tentassem não pensar nas músicas que tinham acabado de ouvir durante os três minutos seguintes, mas para tocarem numa tecla cada vez que o fizessem”.
 
“Aqueles que estavam a mascar pastilha disseram ter pensado e 'ouvido' a canção na cabeça com menor frequencia do que os elementos dos grupos de controlo”, revela Beaman, em comunicado. 

Mascar pastilha também afasta pensamentos “intrusivos”
 

Além de ajudar a afastar da mente as músicas indesejadas, esta solução pode, também, reduzir os chamados pensamentos “intrusivos” ou perturbadores, típicos de doenças como o Transtorno Obsessivo-Compulsivo. 

Segundo Beaman, “interferir no nosso 'discurso interior' através de uma versão mais sofisticada do ato de mascar pastilha pode ter efeitos mais amplos”. “No entanto, são necessários mais estudos para perceber se esta abordagem tem utilidade no combate a estas doenças”, alerta o investigador.
 
Uma investigação realizada, em 2009, pela Universidade de Reading tinha já revelado que qualquer música pode desencadear o fenómeno “earworm”, embora as de artistas como Justin Timberlake e bandas míticas como Pink Floyd ou Guns 'n' Roses estejam entre as mais mencionadas naquele estudo.
 
“É possível que haja canções que são particularmente difíceis de suprimir. O nosso trabalho anterior mostrou que as pessoas só experienciam este fenómeno com músicas que conhecem bem, algo que queremos explorar mais em estudos futuros. Para já, esperamos que os resultados deste sejam música para os ouvidos de muitos”, finaliza o cientista.

Clique AQUI para aceder ao estudo (em inglês). 

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