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Startup Braga: Linguagem empreendedora

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Acaba de celebrar dois anos de existência, pelo que o balanço é “muitíssimo positivo”, garante Carlos Oliveira, presidente da Startup Braga. “Nestes dois anos, a Startup Braga afirmou-se como um dos importantes epicentros de empreendedorismo em Portugal. Já apoiou mais de 70 start-ups e 250 empreendedores que conseguiram angariar para cima de 7,5 milhões de euros de financiamento. Fizemos roadshows, a Londres e aos Estados Unidos da América (EUA). Contabilizámos ainda mais de 200 horas de eventos, workshops e training sessions, que envolveram mais de 2300 participantes”, acrescentou. Mas os responsáveis deste hub não ficaram por aqui! Conseguiram também reunir mais de 30 mentores e 25 especialistas que orientam as várias empresas e empreendedores que rumam a este espaço inserido no edifício GNRation, no centro da cidade.

Focados especialmente nas áreas de web & mobile, nanotecnologia e tecnologia médica, dispõem de vários programas de apoio a start-ups em diferentes fases do seu ciclo de vida. O programa de pré-aceleração, no qual são identificadas tecnologias e ideias de negócios inovadoras provenientes do meio académico; o programa de incubação, com espaço de trabalho para as start-ups e acesso a vários recursos e serviços essenciais ao seu crescimento, e o programa de aceleração. Este tem uma vertente mais operativa, ajudando as jovens empresas a construir, executar e validar o seu modelo de negócio, bem como a acederem a mercados internacionais e a obterem financiamento.

Captura de ecrã 2016-06-23, às 14.46.57Contudo resta a pergunta: como conseguiram cativar empreendedores (e investidores) para fora dos grandes polos urbanos de Lisboa e Porto? Carlos Oliveira ressalva que Braga é a terceira cidade de Portugal e que o “Norte é conhecido pelo seu cariz empreendedor e Braga, em particular, é um verdadeiro viveiro empreendedor, cujo know-how em inovação e tecnologias é amplamente reconhecido. Aqui surgiram várias empresas de sucesso e também aqui estão instalados centros de saber internacionalmente relevantes, como a Universidade do Minho e o Laboratório Ibérico In
ternacional de Nanotecnologia (INL). Ou seja, Braga reúne todas condições para acolher um hub de inovação como a Startup Braga”.

Além disso, sendo um centro de “empreendedores para empreendedores”, onde todos falam a mesma linguagem, sendo eminentemente práticos e focados nas start-ups, conseguem atrair bons empreendedores e bons investidores. Um facto que se traduz em sucesso e “credibilidade que tem vindo a ser ganha precisamente por este enfoque e pelos resultados que as “nossas” start-ups têm alcançado”, garante o presidente da instituição.

Assumindo o lema de Braga (e de Portugal) para o mundo, a Startup Braga, integrada na InvestBraga, Agência para a Dinamização Económica de Braga, tem cerca de 20 empresas a atuar nos mercados internacionais. De acordo com Carlos Oliveira, através dos programas de aceleração, e em parceria com a Fundação Luso Americana para o Desenvolvimento (FLAD), estimulam a “participação cruzada de empresas e grupos de investigação entre os dois lados do Atlântico, fazendo com que as start-ups tenham uma forte ligação aos Estados Unidos”.Captura de ecrã 2016-06-23, às 14.47.08

No entanto, a Startup Braga também estabeleceu outras parcerias estratégicas – com a Microsoft (parceiro fundador), com a Caixa Capital e ainda com o Hospital de Braga, a Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho, o CeNTI e o Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia (INL). Associada a este último, a Startup Braga prepara-se para lançar o STARTUP.NANO, um programa totalmente dirigido para a nanotecnologia.

Incubada na Startup Braga desde outubro do ano passado, a Kide é uma das 20 empresas que já opera internacionalmente. Portugal, Bélgica, Espanha, Reino Unido e Holanda são alguns dos países em que se pode aceder à Kide. Esta comunidade de designers de moda infantil (0-8 anos), em versão mobile e web, assente numa app para iPhone e Android (pendente ainda de autorização), proporciona aos utilizadores uma experiência de compra aditiva, divertida e simples. Nuno Pinto, Alexandra Mateus, Francisco Silva, João Veiga, Nuno Ferreira e João Pereira sempre pensaram na Kide como projeto além-fronteiras. Defendem que “Portugal é um local excelente para fazerem nascer a empresa, mas sempre na ótica do seu crescimento não ter barreiras e ser à escala global”. Contudo identificam alguns obstáculos à internacionalização e eles “prendem-se quase sempre com a nossa visibilidade reduzida e que obriga a um esforço enorme de promoção da Kide nos novos mercados em que opera. A língua é, em alguns mercados, também uma barreira (que se contorna, mas demora) principalmente por estarmos a operar num mercado B2C. E perceber com exatidão quais os canais que mais convertem em cada país, apenas se consegue com tempo e tração”.

De assinalar que a Kide acaba de vencer o terceiro Demo Day da Startup Braga – o evento que fecha quatro meses intensivos de programa de aceleração e que premiou a start-up com cem mil euros de financiamento de capital de risco da Caixa Capital. Ficaram ainda elegíveis para os adicionais cem mil euros no âmbito do Caixa Empreender Award, que vai realizar-se em Fevereiro de 2017.

À semelhança da Kide, a Seatwish também nasceu com recurso a fundos próprios, e também foi premiada com cem mil euros no Demo Day de 2015 da Startup Braga, além de ter recebido um investimento de igual valor por parte de investidores do Luxemburgo.

Captura de ecrã 2016-06-23, às 14.47.02Este mercado social de compra, venda e troca de bilhetes do mercado secundário para concertos, festivais e eventos desportivos funciona nos EUA, Espanha, Portugal, México e Brasil. Para Afonso Barbosa, a ideia sempre “foi preparar um produto que escalasse mundialmente, mas com foco de crescimento inicial em Portugal. Neste momento já estamos em cinco países [EUA, Brasil, México, Espanha e Portugal] com a plataforma (web, iOS e Android) preparada para quatro línguas”. Com crescimento mensal de 25%, a Seatwish já tem mais de 70 mil users registados e encontra-se em processo de negociação com investidores para valores na ordem dos 500 mil euros.

A Loqr entrou na Startup Braga em abril do ano passado, na mesma altura que a Seatwish. A Loqr recorre ao smartphone para que, em vez de memorizarmos passwords, possamos receber sms, cartões matrizes e outras soluções de autenticação. Dirigida a empresas e consumidores finais, a Loqr foi uma das três start-ups finalistas na categoria Fintech (tecnologias para a área financeira) do programa de aceleração SXSW, a competição de start-ups do South by Southwest (SXSW) – um conjunto de festivais de música, cinema e tecnologia que nasceu há 30 anos em Austin, Texas, EUA.

Ricardo Costa, CEO da empresa, garante que o hub bracarense os tem “ajudado ao máximo na divulgação da nossa solução, em contactos com mentores, investidores e potenciais clientes permitindo-nos, pouco a pouco, ganhar alguma visibilidade nacional e mesmo internacional”.

Tendo recebido um investimento pre-seed da RedAngels (sociedade de business angels), a start-up está determinada em consolidar-se no mercado nacional, contando expandir-se, em breve, para o Reino Unido.

Do mesmo modo que os exemplos anteriores, o objetivo da Loqr “sempre foi o mercado global, numa lógica de evolução progressiva via Europa”. Porém, segundo Ricardo Costa, “o maior obstáculo sentido está relacionado com o tradicionalismo associado ao primeiro setor que decidimos “atacar”: o setor bancário. Existe neste setor uma grande desconfiança por novas soluções provenientes de novos players no mercado e que, de uma forma ou de outra, se afastam das soluções mais tradicionais. Mas, pouco a pouco, temos conseguido mostrar as mais-valias de trabalhar com um equipa jovem, dinâmica e com um produto em constante evolução. Somos future-proof!”.

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Integrada na vertente de medtech, a Nutrium assume-se como um software que promove o acompanhamento nutricional entre os profissionais da área da nutrição e os seus utentes.

Incubada desde 2015 na Startup Braga, a equipa da Nutrium, composta por oito membros, acredita que os pacientes “vão deixar uma consulta de nutrição com o plano alimentar numa aplicação móvel, na qual podem receber notificações à hora da refeição e validar o cumprimento do seu plano de forma simples”.

Na atualidade têm cerca de 1500 nutricionistas e dietistas registados, mas esperam que, até ao final deste ano tenham cerca de 250 profissionais com subscrições válidas, primariamente em Portugal e no Brasil. O objetivo é alargar a plataforma para os mercados de língua inglesa, como EUA, Inglaterra e Austrália.

A equipa Nutrium assume que “a rede de mentores e contactos da Startup Braga é também uma excelente oportunidade para aprender com a experiência e conhecimento de quem mais sabe e, mais do que isso, de quem já teve de resolver problemas e tomar decisões semelhantes às que por vezes temos de tomar. Outro aspeto decisivo é o espírito de entreajuda e o ambiente bastante positivo que existe entre as start-ups que se encontram incubadas, que facilita a partilha de conhecimento e de experiência entre todos”.

Com uma estratégia de internacionalização definida desde o primeiro momento, a Nutrium identifica alguns problemas quando pensam em vender o seu software. Constatam que é difícil “alterar o fluxo de trabalho dos nutricionistas estabelecido há bastante tempo e que tem por base o uso de papel e de folhas de Excel. É difícil convencê-los que a adoção do nosso produto irá, de facto, simplificar e automatizar o seu trabalho”, mas também têm reparado que o mercado português por si só é mais avesso à adoção de novas tecnologias”, uma situação que não se encontra nos mercados da América e Brasil, onde há um “mindset diferente e são bastante mais recetivos no que toca a adoção de novas tecnologias”.

Por fim, a história da Hype Labs conta-se de uma maneira um pouco diferente. André Francisco e Carlos Lei criaram a empresa em 2014, mas cruzaram-se com a Startup Braga em 2015, data em que realizaram o programa de aceleração, apesar de já terem escritório próprio na cidade do Porto.

Captura de ecrã 2016-06-23, às 14.47.36A Hype é uma solução de software que habilita os dispositivos a comunicarem, mesmo quando não há internet. Os dispositivos ligam-se uns aos outros e formam uma rede local, a rede mesh, que permite a troca de mensagens no local. Isto permite que as mensagens “saltem” de dispositivo em dispositivo, aumentando o alcance das tecnologias tradicionais de comunicação. Sem limitarem o seu uso ao universo mobile, a Hype pode ser integrada em aplicações desenvolvidas por outras empresas ou programadores em minutos e dar conectividade onde ela não existe.

Carlos Lei partilha com a equipa da Nutrium a importância e o valor que a Startup Braga tiveram no seu projeto. “Numa fase inicial, a Startup Braga oferece um excelente programa de aprendizagem que dá uma perspetiva mais esclarecida sobre o universo do empreendedorismo, algo que é fundamental para uma empresa em fase de início. Destacamos a rede a que o programa dá acesso, com mentores, outras empresas e investidores. Esta rede é valiosíssima e, regra geral, é difícil penetrar sem o apoio de programas como o da Startup Braga”.

Para este ano, a Hype pretende concluir o produto para o mobile e começar a atacar o mercado de Internet of Things (conectando sensores, luzes, eletrodomésticos, carros, etc…), tanto na Europa como nos Estados Unidos.

Em rigor, a comunidade Startup Braga tem o compromisso de criar um ambiente favorável ao desenvolvimento de um ecossistema onde existe uma linguagem comum: inovar e empreender, com sucesso e sempre à escala global.

Início Atividade
2014

Localização
Edifício GNRation, Braga

Infraestruturas
4.400m²

Nº empresas incubadas/aceleradas
70 start-ups apoiadas (15 em incubação)

Nº empresas internacionalizadas
Cerca de 20

Nº empreendedores
250

Capital  captado pelas empresas
+ 7,5 M€

Nº patentes registadas
20 patentes submetidas para aprovação

Website
// www.startupbraga.com

// www.kidefashion.com

// www.seatwish.com

// www.loqr.io

// www.nutrium.io

// www.hypelabs.io

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