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Spotify lança lista com músicas para o Halloween

O Spotify divulgou esta quarta-feira, véspera do Halloween, a playlist Música para os teus Medos, um conjunto de faixas que se encaixam num guião biológico para assustar os ouvintes, para tornar este Halloween ainda mais assustador.
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O Spotify divulgou esta quarta-feira, véspera do Halloween, a playlist Música para os teus Medos, um conjunto de faixas que se encaixam num guião biológico para assustar os ouvintes, para tornar este Halloween ainda mais assustador.

Das estridentes facadas, durante a cena no chuveiro, no filme 'Psycho' de Hitchcock, ao ameaçador tema principal do “Tubarão”, o Spotify examinou os elementos musicais que fazem o coração dos ouvintes palpitar de medo.

 
O Spotify fez uma parceria com investigadores da University of California Los Angeles (UCLA) e com o galardoado compositor Jason Graves para perceber o que torna certas músicas tão assustadoras de forma a criar a mais aterradora banda sonora deste Halloween.

A resposta ao porquê destes tons nos arrepiarem tem que ver com os nossos instintos animais: certas notas chamam a nossa atenção porque são semelhantes aos sons de predadores ou das suas presas em perigo, explica Daniel Blumstein, professor e presidente do Departamento de Ecologia e Biologia Evolucionária, da UCLA, e Greg Bryant, professor associado do Departamento de Estudos Comunicacionais, da UCLA.
 
Enquanto alguns argumentam que o “medo” está na mente do ouvinte e não é inerente à música em si, Blumstein e Bryant realçam que quando se trata de fatores biológicos, é possível sentir medo quando se ouvem certos sons sem realmente estar ciente disso. “

É a maneira da natureza chamar a tua atenção. A música que se insere no que eu gosto de chamar 'marmota interior' pode ser assustadora,” diz Blumstein, que primeiro começou por estudar os sons assustadores que ouvia quando as crias de marmota eram capturadas.

Os gritos de animais, afirma, ocorrem quando a voz se dissipa, como quando a música através de um locutor é levada ao limite – resultando em sons não lineares que se surgem com distorção, mudança de frequência e rangidos.

 
Os compositores também perturbam os ouvintes ao incluírem conjuntos de música aleatória, ou música que não está definida por acordes ou melodias estruturadas conferindo ao som uma qualidade imprevisível e estranha.
 
“É o medo do desconhecido – a preparação psicológica para o verdadeiro susto”, afirma Jason Graves, que compôs pontuações assustadores para os vídeos jogos Dead Space e Tomb Raider. “E quanto mais desconhecido melhor”, acrescenta.
 
Com base nestas teorias, Spotify criou a lista Música para os teus Medos, que vem acompanhada por comentários dos especialistas Daniel Blumstein e Jason Graves:
 


The Murder – Bernard Herman (Psycho)
Os violinos estridentes ouvidos durante a famosa cena no duche em Psycho contêm rápidas mudanças de frequência e flutuações de amplitude, características do som produzido por indivíduos sob extrema ameaça.
 
Main Title and First Victim – John Williams (Jaws)
A baixa frequência dos famosos violinos sinalizam a aproximação, o que reflete a ideia de que na natureza os animais grandes produzem sons profundos. “Quanto maior o animal maior a frequência, e por norma temos sempre medo de coisas grandes,” diz Blumstein.
 
Threnody, “Victims of Hiroshima” – Krzysztof Penderecki
Na marca dos 53 segundos, a peça ilustra “medo do desconhecido” e música aleatória. Os músicos “batem, arrancam, curvam e raspam as suas cordas em um frenesi, algumas pessoas descrevem o som como insetos, outros ouvem ratos,” diz Graves.
 
Lacrimosa – Jason Graves (Dead Space 2)
Mudanças repentinas no registo e sons inesperados criam um sentimento de incerteza que nos faz estar atento ao que nos rodeia. Sinistramente, a sequência repetida de notas tocada na peça é D, E, A, D.
 
Musica Ricercata , II – Mesto, rigido e cerimoniale – Dominic Harlan (Eyes Wide Shut) 
Os intervalos dissonantes que se ouvem na peça são desagradáveis ao ouvido e estão associados ao som de humanos em perigo. Graves afirma que o piano é tocado “sem intenção emocional” o que torna a peça muito fria.
 
The Scavenger’s Den – Jason Graves (Tomb Raider) 
Para pontuar a última instalação de Tom Raider, Graves trabalhou com o escultor MattConnell de maneira a criar uma escultura de 9 pés de altura que faça uma variedade invulgar e assustadora de sons. “Volta ao desconhecido,” diz Graves, “aparece com sons que fazem com que as pessoas fiquem desconfortáveis.”
 
The Dream of Jacob – Polish National Radio Symphony Orchestra (composta por Penderecki) 
A peça está cheia de sons não lineares que levam o ouvinte ao limite. Aumentando o quociente de medo é a falta de um único passo compreensível para os nossos cérebros se sentirem seguros. “Está tudo a deslizar… o equivalente musical de estar com náuseas ou enjoos,” acrescenta Graves.
 
Dies Irae – Stanley Kubric (The Shining) 
Esta peça clássica regravada de The Shining aponta para as frequências baixas o que indica que animais grandes e assustadores podem estar à espreita. Presta atenção! Partes da faixa soam também como a uma música de baleia, que na natureza é uma som estranho e assustador.
 
Tubular Bells – Mike Oldfield (The Exorcist) 
Para muitos, é difícil separar o filme da música, mas a instabilidade das notas na peça pode estar ligado, à instabilidade ou angústia na voz, o que indica uma possível ameaça.
 
No Teeth No Bite – Marco Beltrami (World War Z)
A impura, tremenda, confusa natureza das notas pode indicar stress ou problemas de saúde na natureza. Blumstein aponta que animais saudáveis fazem sons puros, ao contrário do que acontece com as criaturas doentes, com sons incómodos que despertam um sentimento de medo e desconforto por quem os ouve.

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