Ciência

Sistema luso produz energia com sol, vento e chuva

Chama-se Skinenergy e é um sistema de revestimento português que poderá contribuir para a revolução da produção de energias limpas. A solução, criada por três portugueses, é capaz de gerar energia através do sol, do vento e até da água das chuvas.
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Chama-se Skinenergy e é um sistema de revestimento português que poderá contribuir para a revolução da produção de energias limpas. A solução, criada por três portugueses, é capaz de gerar energia através do sol, do vento e até da água das chuvas, o que lhe dá a possibilidade de, em muitos casos, produzir energia durante as 24 horas do dia, sete dias por semana.

por Catarina Ferreira

O Skinenergy é como uma “pele” – daí o nome, do inglês “skin” – que tem por base “elementos de composição plástica”, construindo-se sob a forma de duas membranas flexíveis: uma que serve como base e outra que funciona, propriamente, como revestimento, sendo composta por células fotovoltaicas em silício amorfo para a captação da luz solar.

Em entrevista ao Boas Notícias, Ricardo Sousa, arquiteto de 37 anos especializado em eco-arquitetura e sustentabilidade e um dos criadores do sistema, explica que estas membranas, ou seja, esta “pele” (que pode ter várias cores, padrões ou transparências), é “ancorada ao edifício ou estrutura” com elementos que, além de a fixarem, servem como “microgeradores de energia que atuam com pequenas brisas e movimentos do vento e pelo movimento criado através do batimento da chuva”.  

Em suma, esclarece o especialista, que está a trabalhar neste projeto em conjunto com o irmão, José Augusto Sousa, técnico de eletrónica e informática, e com João Pereira, estudante de Doutoramento e licenciado em Física e Química, este é “um produto híbrido porque tem a capacidade de gerar energia através do aproveitamento solar, eólico e de uma forma muito particular retira partido da água das chuvas”.

Num pleno dia de sol em que haja algum vento, o sistema é capaz, por exemplo, de produzir energia de modo combinado entre o fotovoltaico e o gerador de movimento em paralelo, podendo depois continuar a gerar energia durante a noite, com a presença das brisas, do vento e da chuva.

Ricardo Sousa e os colegas estimam que o sistema seja capaz de produzir 120 w/p (“watt-picos”, o padrão usado na indústria fotovoltaica para medir a capacidade técnica dos módulos solares) por cada metro quadrado de aplicação em regime híbrido, embora a capacidade possa ser superior porque “é cada vez mais possível obter maiores quantidades de energia através do silício amorfo”.

De acordo com o arquiteto, a energia gerada pode ser usada diretamente na instalação, ser armazenada em acumuladores ou descarregada na rede pública, representando os valores estimados “uma poupança para de atmosfera de 626,52kg de dióxido de carbono por ano por cada metro quadrado de aplicação do Skinenergy”.

Este é um produto que pode ter várias formas de aplicação – além de poder ser incorporado durante a reabilitação de edifícios, poderá também integrar soluções arquitetónicas criadas de raíz, “independentemente de se tratar de edifícios públicos ou privados de grandes ou pequenas dimensões”.

Em complemento, os mentores do Skinenergy acreditam que o sistema poderá vir a ter, também, utilizações mais amplas, “como a aplicação junto aos painéis informativos das estradas e autoestradas” para os tornar autossuficientes em termos energéticos, “junto aos ‘rails’ de proteção e barreiras sonoras para alimentação de sistemas elétricos nas suas proximidades’ e ainda em “linhas de comboios ou túneis”.


Ricardo e José Augusto Sousa são dois dos mentores do Skinenergy, que já conquistou o seu primeiro prémio

Criadores estão à procura de financiamento

Para já, Ricardo Sousa e os companheiros estão a tentar encontrar financiamento para uma prova de conceito a ser criada e desenvolvida em parceria com a Universidade do Minho. “Uma das coisas que mais queremos é arranjar um ou mais parceiros desta área que acreditem e que se aliem a nós neste projeto”, confessa o arquiteto.

O mentor do Skinenergy estima que serão necessários “entre 10.000 e 15.000 euros para a fase de I&D que se segue, com a prova de conceito, a prototipagem e fase de testes”, o que torna indispensável encontrar “um parceiro disposto a injetar algum desse capital”, que lhe seria retribuído numa fase posterior.

No futuro, o objetivo é colocar o sistema no mercado “por um valor a rondar os 500 euros por cada metro quadrado”, um valor de venda “próximo dos que se praticam habitualmente num vulgar sistema de painéis solares de microgeração”.

Embora se trate de um projeto recente, o Skinenergy, que tem na Universidade do Minho uma parceria de investigação e desenvolvimento, já conquistou o Prémio Cidades de “Uma Cidade Perfeita”, iniciativa da revista Visão, Siemens, Inteli e Sociedade Ponto Verde.

Clique AQUI para visitar o site do Skinenergy e saber mais sobre este projeto.

[Notícia sugerida por David Ferreira e Vítor Fernandes]

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