Saúde

Portugueses melhoram método de diagnóstico

A síndrome de transfusão feto-fetal, uma complicação grave associada às gravidezes de gémeos verdadeiros, pode agora ser diagnosticada numa fase mais precoce da gestação, graças a um novo método desenvolvido pelos investigadores Alexandra M
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A síndrome de transfusão feto-fetal, uma complicação grave associada às gravidezes de gémeos verdadeiros, pode agora ser diagnosticada numa fase mais precoce da gestação, graças a um novo método desenvolvido pelos investigadores Alexandra Matias e Nuno Montenegro da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP).

A doença afeta as gravidezes em que os dois fetos partilham a mesma placenta e, nalguns casos, o sistema circulatório dentro da mesma. Esta situação possibilita a transfusão de sangue de um gémeo para o outro, fazendo com que o dador se menor e anémico em prol de um maior crescimento e congestionamento do feto recetor.

Segundo o comunicado da FMUP, a síndrome de tranfusão feto-fetal atinge 15% das gravidezes de gémeos verdadeiros e, até agora, o seu diagnóstico era feito a partir da 16ª ou 17ª semana de gestação. No entanto, os investigadores da FMUP provaram ser possível antecipar o prognóstico entre três a seis semanas que pode prevenir a morte dos dois fetos que, num estado avançado da síndrome, seria inevitável.

O método desenvolvido por Alexandra Matias e Nuno Montenegro consiste em avaliar o fluxo sanguíneo na veia – denominada ductus venoso – que liga o cordão umbilical ao coração do feto, por onde passa o sangue rico em oxigénio. Segundo os investigadores, quando um ou ambos os fetos têm problemas de retorno venoso no ductus, o risco de haver partilha do sistema circulatório é 20 vezes superior ao normal.

Este método de diagnóstico apresenta uma eficácia de 80% e, de acordo com um artigo publicado pelos investigadores no início dos estudos, em 1996, permite detetar disfunções cromossómicas (trissomia 13, 18 e 21) e cardíacas em fetos com 11 a 14 semanas de gestação.

O teste do ductus venoso já é incluídos nos rastreios realizados às grávidas em todos os países desenvolvidos, mas estas novas informações deverão aumentar o seu índice de eficácia na deteção de complicações genéticas e cardíacas.

Desde que detetada entre os dois e três meses de gravidez, a síndrome de tranfusão feto-fetal pode ser tratada através de uma cirurgia que interrompe as trocas sanguíneas entre os dois fetos. O procedimento é invasivo e implica alguns riscos, mas é o único capaz de impedir a morte de ambos os fetos.

A investigação de Alexandra Matias e Nuno Montenegro já foi galardoada nacional e internacionalmente, destacando-se o primeiro Prémio Internacional Society of Ultrasound in Obstetrics and Gynecology.

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