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Porquê falar de inovação no ensino superior?

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1ª A tecnologia explode e o ensino mostra não saber acompanhar essa revolução.

2ª O ensino superior precisa de se reformar para transmitir novas e profundas competências e que a sociedade e o mercado de trabalho percebam exatamente o que são e como valorizar essas valências.

3ª Tempo é dinheiro. O conhecimento está disponível 24/7, e os professores têm de saber trabalhar com isso, aproveitando-o como vantagem e desligando-se de modelos de aprendizagem obsoletos.

4ª O talento conta! Acabou o tempo da Universidade enquanto “torre de marfim”. Com que novos serviços captamos os melhores estudantes? Como os potenciamos?

5ª Prestação de Contas. Público ou privado, cada vez mais o ensino superior tem de dar resposta do que faz, com os recursos que tem.

Sejam quais forem as respostas para estas questões, o facto é que está a decorrer, nas universidades mais atentas a estas questões, uma rápida e violenta transformação na educação, atravessando domínios como a sua missão, conteúdos, pedagogia e métodos. A tecnologia, as alterações sociais, e as décadas de aumento dos custos da educação deixam-nos numa encruzilhada, com vários desafios e com a necessidade de inovarmos, numa cultura educativa por regra avessa à mudança.

Nesta encruzilhada, temos duas certezas. Uma é que não há uma resposta certa para todos os estudantes. Outra, é que não é o ensino superior que está em vias de extinção, mas a noção de Aula tal qual existe. Os espaços estão a mudar, e refletem as novas abordagens, e ferramentas tecnológicas, com uma saída do papel do professor do centro do processo, no sentido de maior promoção do trabalho colaborativo.

“O que fazer?” é a pergunta que as melhores lideranças universitárias fazem. De facto sentem-se no centro de uma tempestade perfeita onde tudo acontece mais rápido do que conseguem prever ou gerir. As piores, ainda nem perceberam o que está a acontecer.

Podemos fazer duas coisas. A primeira opção, medieval, é esperar para ver o que acontece, e depois correr atrás do prejuízo. Outra é reconhecer que se trabalhar para isso terão as ferramentas, a tecnologia e os recursos humanos para reinventarem a sua missão e uma estratégia que responda às falhas atuais. Educação online, MOOCs, educação científica, são apenas a primeira folha do livro. A gamificação* é apenas a segunda.

É o próprio percurso do estudante que está a mudar. Tal como hoje compra apenas os singles que quer em vez dos álbuns musicais completos, os estudantes obterão os seus créditos de muitas maneiras diferentes. Poderão consegui-los em várias instituições, escolhendo componentes de várias fontes, e até de áreas não relacionadas, personalizando a sua aprendizagem e o seu próprio conceito de educação. Os estudantes continuarão a graduar-se a partir das instituições de referência, mas o seu percurso educativo será muito diferente do vigente.

Mas e no momento de dar o salto para o mercado de trabalho, qual o valor de um diplomado? E da transversalidade dos seus conhecimentos? E das Humanidades?

A educação só pode ser vista como um processo de preparação para sermos proeminentes colaboradores dos nossos empregadores, famílias e comunidades. E é esta transversalidade que faz de nós cidadãos e trabalhadores produtivos. Pensamento crítico, ética, criatividade, cultura e a capacidade para produzir. Não é uma questão de “ou” mas de “e”.

Assim, a liderança de uma Universidade que prepara os seus diplomados para serem os líderes do futuro inova e desenvolve estes novos currículos, independentemente dos modelos de reconhecimento de créditos ou validação de competências.

Em geral, as instituições no futuro inovarão, olhando mais para fora de si próprias, trabalharão mais com terceiros (incluindo privados) e a cadeia de valor no setor entrará em disrupção. Em diversos países, principalmente de tradição anglo-saxónica vemos já parcerias com empresas para vários dos serviços tradicionalmente prestados pelas instituições, como para recrutamento e inscrição dos candidatos.

A inovação na Educação é irreversível, mas creio que esta transformação é simultaneamente uma oportunidade positiva e interessante quer para os estudantes quer para as suas famílias.

*Estratégia de interação entre pessoas e empresas com base na oferta de incentivos que estimulem a ligação do público às marcas de maneira lúdica.

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