Saúde

Placenta indica risco de autismo em recém-nascidos

O risco de desenvolver autismo poderá passar a ser detetado logo após o nascimento através de uma análise à placenta, concluiu uma equipa de investigadores norte-americanos.
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O risco de desenvolver autismo poderá passar a ser detetado logo após o nascimento através de uma análise à placenta. A conclusão é de uma equipa de investigadores norte-americanos, que acredita que uma busca precoce por defeitos específicos neste órgão temporário que liga a mãe ao bebé durante a gravidez tem potencial para tornar os tratamentos mais eficazes.
 
“É possível olhar para a placenta após o nascimento e determinar as hipóteses de a criança correr risco de vir a sofrer de autismo com relativa segurança”, afirma Harvey Kliman, da Universidade de Yale, que desenvolveu a investigação a par da Universidade da Califórnia – Davis. 
 
O autismo é um distúrbio no desenvolvimento do cérebro que se carateriza, entre outros fatores, por dificuldades na interação social e na comunicação. Por norma, a doença é apenas diagnosticada por volta dos dois ou três anos mas, quanto mais cedo começa a ser tratado, melhores são os resultados, já que os cérebros mais jovens são mais “moldáveis”.
 
“Não há [atualmente] um método que permita, no momento do nascimento, saber se o bebé poderá vir a ter autismo. Se os pais souberem que a criança tem riscos acima da média, estarão um passo à frente. A intervenção terapêutica pode começar cedo, quando o cérebro está mais aberto à mudança”, explica Kliman, citado pela publicação especializada HealthDay News.

Maior risco de autismo associado a “defeitos” placentários
 

No âmbito deste novo estudo, publicado recentemente na revista científica Biological Psychiatry, Kliman e os colegas examinaram 117 placentas de recém-nascidos cujas mães tinham já um ou mais filhos com autismo, o que deixa os irmãos em posição de maior risco. Os investigadores compararam-nas, depois, com as de 100 mulheres que já tinham um ou mais filhos com desenvolvimento “normal”.
 
A equipa coordenada por Harvey Kliman descobriu que as placentas dos bebés que tinham irmãos mais velhos com autismo apresentavam marcas diferentes, nomeadamente “dobras” consideradas anormais, bem como um crescimento anormal de células, defeitos conhecidos como inclusões trofoblásticas. 
 
Além disso, as placentas das gravidezes de risco revelavam oito vezes mais probabilidade de apresentar “uma ou mais dobras anormais do que as restantes” e as que tinham quatro ou mais inclusões estavam associadas a uma probabilidade de 74% de o bebé desenvolver autismo mais tarde na vida. 
 
“Entre as placentas de gravidezes não consideradas de risco, nenhuma tinha mais de duas dobras”, notou Kliman, defendendo que gostaria que, futuramente, esta análise passasse a ser efetuada “de forma rotineira” nas instituições hospitalares.
 
No entanto, o investigador alerta que um teste deste tipo poderá ser caro – rondando cerca de 1.500 euros – e que, para já, apenas prevê (com elevado nível de confiança) o risco de autismo, não podendo revelar, com total certeza, se a criança virá a sofrer do problema.

Clique AQUI para aceder ao resumo do estudo (em inglês). 

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