Ambiente

Papel reciclado português “floresce” depois de usado

A empresa portuguesa Papel Florescente produz folhas de papel reciclado especiais: depois de usadas, podem ser semeadas e dão origem às mais variadas flores e plantas.
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A “causa ambiental” e a “preocupação com a sustentabilidade” sempre estiveram presentes no dia-a-dia de Nuno Bernardes e Mónica Oliveira. Foi com estes ideais como pano de fundo que nasceu, o ano passado, a Papel Florescente, uma empresa portuguesa que produz folhas de papel reciclado especiais: depois de usadas, podem ser semeadas e dão origem às mais variadas flores e plantas.
 
por Catarina Ferreira
 
Se a ideia de utilizar, por exemplo, o papel de uma carta recebida pelo correio como “matéria-prima” para cultivar, em casa, folhas de chá de camomila, agrião ou cravos franceses pode parecer remota à primeira vista, está agora mais perto graças ao trabalho destes dois portugueses, com formação em Economia e Marketing, que decidiram contribuir para tornar a vida na Terra mais ecológica.
 
“Sempre admirámos as iniciativas que iam surgindo em prol da sustentabilidade do planeta e sempre ambicionámos poder vir, um dia, a explorar áreas ou os recursos que ele nos oferece sem grandes impactos negativos”, conta Nuno Bernardes, de 35 anos, em entrevista ao Boas Notícias.
 
Foi por esta razão que, quando, em conversa com a sócia Mónica Oliveira, de 34, a ideia de criar folhas de papel reciclado com sementes incorporadas surgiu, ambos se entusiasmaram de imediato com a possibilidade, já utilizada em tempos passados. “A ideia era tão desafiadora, tão excitante e inovadora que era impossível não avançar”, confessa o empreendedor português.
 
Mas, afinal, o que distingue estas folhas? Em suma, a principal novidade está na utilização das sementes, que são “aplicadas no papel na altura em que a folha está a ser produzida”. A folha final é o resultado de uma folha dupla e, no meio, estão as sementes que vão dar vida ao papel que, de outra forma, acabaria no lixo, esclarece Nuno Bernardes. 

Produção é “totalmente” artesanal e amiga do ambiente
 

A produção é feita de modo “totalmente ecológico e artesanal”: primeiro, “o papel é selecionado e moído em água até formar uma pasta”; depois, “acrescenta-se ainda uma espécie de cola, desenvolvida especialmente para este papel para não ferir as sementes” e estas são inseridas entre as duas “camadas”.
 
“De um modo geral escolhemos sementes, devidamente selecionadas e certificadas, que sejam pequenas, que facilitem o processo de impressão e que ofereçam maior garantia de germinação”, explicam os responsáveis da Papel Florescente.
 

As folhas produzidas pela empresa “possuem uma variedade vasta de escolhas entre flores, 'gourmet' ou chás” – que permitem cultivar cravo francês, boca de leão, cosmea, chá de camomila, agrião, rúcula, salsinha, manjericão e pimenta – mas, segundo Nuno Bernardes, “as sementes maiores não podem ser utilizadas para impressão”.
 
De qualquer das formas, garante, a empresa está sempre disponível para trabalhar “com outras sementes que sejam sugeridas pelos clientes”, embora seja necessária uma análise prévia do que será possível fazer.
 
Para já, estas folhas de papel que “florescem” depois de usadas estão apenas à venda nas cores branca e parda, mas brevemente estará disponível a oferta “de papel com outras cores e padrões diferenciados”, desvenda Nuno ao Boas Notícias.
 
No que toca a preços, uma folha A4, sem qualquer impressão, tem, em média, o custo de 1,90€, “independentemente da gramagem, da cor (branca ou parda) e da semente”, sendo as folhas vendidas em pacotes de 10 unidades.
 
“Comercializamos também noutros tamanhos, como, por exemplo, A5 e A6, pelos valores de 0,95€ e 0,65€, respetivamente”, adianta o empresário, acrescentando que “o preço das restantes peças varia conforme os trabalhos, formas, quantidades pedidas e impressão – simples ou dupla”.


Os primeiros sinais das plantas começam a brotar das folhas de papel depois de rasgadas e regadas regularmente

Adesão ao produto está a superar as expetativas
 

Embora o projeto tenha apenas arrancado em Novembro de 2012, Nuno e Mónica mostram-se satisfeitos com os resultados obtidos até ao momento, reconhecendo que “os portugueses, tanto em termos individuais como a nível empresarial, estão cada vez mais conscientes da necessidade de um mundo sustentável”, estando, portanto, “bastante recetivos a este tipo de produto”.
 
“Acreditamos que fizemos uma boa avaliação do mercado português e que existe lugar para o nosso produto”, destacam os fundadores da Papel Florescente, sublinhando a existência de “um número interessante de empresas com projetos focados na área da sustentabilidade e que procuram diminuir o impacto ambiental que causam”, algo que também “já é uma preocupação nos governos corporativos”. 
 
De acordo com Nuno Bernardes, “as empresas têm reconhecido a vantagem” deste “papel ecológico e artesanal como instrumento primordial, de comunicação corporativa, em termos sociais e ambientais” e as reações têm sido “mais que positivas” desde o início da comercialização destas folhas de papel com sementes. 
 
O próximo passo será continuar “a fazer a divulgação do produto e a alertar para a necessidade da utilização de materiais sustentáveis”, com o objetivo de ampliar a utilização do Papel Florescente, cujo sucesso inicial está já “bastante acima” das expetativas, concluem.

Clique AQUI para aceder ao site da Papel Florescente e AQUI para visitar a página oficial da empresa no Facebook. 

[Notícia sugerida por Vítor Fernandes]

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