Saúde

Novo método para detetar tumores sem radiação

Uma equipa de investigadores dos EUA desenvolveu uma nova técnica para detetar cancro em crianças e jovens que não utiliza radiações. O novo método é tão eficaz como os tradicionais e poderá reduzir o risco de desenvolver cancros secundários devido à
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Uma equipa de investigadores dos EUA desenvolveu uma nova técnica para detetar tumores em crianças e jovens que não utiliza radiações. O novo método é tão eficaz como, por exemplo, os exames PET e poderá reduzir o risco de desenvolvimento de cancros secundários associados à radiação.
 
Embora os exames PET-CT (Positron emission tomography–computed tomography, em inglês) sejam altamente eficazes na sinalização de determinados tumores, estes exames têm uma grande desvantagem: um único ‘scan’ feito com estas máquinas expõe os pacientes a tanta radicação como 700 raios-X.

A equipa que desenvolveu a nova técnica afirma, em comunicado, que esta forte radiação pode ser perigosa, sobretudo para crianças e adolescentes cujo organismo está mais vulnerável, uma vez que ainda se está a formar.

O novo método, desenvolvido pela Universidade Médica de Stanford e pelo hospital de crianças Lucile Packard, consiste numa modificação da técnica da tradicional ressonância magnética que utiliza um novo tipo de contraste para detetar os tumores. A investigação foi divulgada num artigo científico publicado a 18 de Fevereiro no jornal The Lancet Oncology.

Para encontrar tumores com a nova técnica, os investigadores utilizaram a técnica de ressonância magnética mas com um novo agente de contraste que consiste em nanopartículas de ferro. As injeções de ferro são aprovadas pela maior parte dos países ocidentais para tratar anemia, pelo que os investigadores conseguiram autorização para usar este material na sua investigação. 

 
A equipa comparou dados de exames PET-CT com os dados da nova técnica em 22 pacientes com idades entre os 8 e os 33 anos, que sofrem de linfoma ou sarcoma. Estes cancros têm origem, respetivamente, no sistema imunitário e nos ossos e ambos se podem espalhar através da medula óssea, do sistema linfático, do fígado e do baço.
 
As nano partículas de ferro são retidas pelo organismo humano durante vários dias e fazem com que, nas ressonâncias magnéticas, o sistema sanguíneo fique mais brilhante, fornecendo importantes dados anatómicos. Estas nano partículas também fazem com que os ossos saudáveis, o sistema linfático, o fígado e o baço surjam mais escuros, o que dá destaque a eventuais nódulos que surgem num tom mais claro.

Sensibilidade e rigor
 

Os dados fornecidos pelas imagens geradas por estas ressonância foram consistentes com as informações avançadas pelos exames PET que os participantes já tinham realizado ao longo do seu tratamento.
 

Os exames PET detetaram 163 tumores num total de 174 tumores de 22 pacientes e a ressonância com recurso a nano partículas de ferro identificou 158 tumores nos mesmos pacientes. Os investigadores confirmam assim que os dois métodos têm níveis quase idênticos de sensibilidade e rigor.
 

Segundo o artigo agora divulgado, nenhum dos participantes registou qualquer tipo de reação adversa às nano partículas de ferro. Uma vez que não há obstáculos tecnológicos para começar a usar esta técnica, os investigadores esperam que esteja, em breve, disponível nos hospitais pediátricos.

A equipa quer agora ampliar a sua pesquisa e confirmar a eficácia deste tipo de imagiologia em pacientes adultos e noutro tipo de cancros. Outra prioridade será usar esta técnica para monitorizar pacientes que, após tratamento, ficaram livres de cancro. 

 
“Estou entusiasmada por ter desenvolvido um teste imagiológico para detetar cancro que implica uma exposição zero a radiações”, conclui a investigadora principal da equipa, a professora de radiologia Heike Daldrup-Link, em comunicado de imprensa.

Notícia corrigida a 24/02/2014 às 17h para corrigir informação relacionada com as ressonâncias e os exames PET

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