Sociedade

Movimento luso limpa beatas das ruas para reciclar

Um grupo de voluntários portugueses uniu-se para sensibilizar a população nacional e para recolher as beatas das ruas, pretendendo encontrar uma forma de reciclar e reaproveitar este resíduo.
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São milhares as beatas que, diariamente, são deitadas para o chão pelos fumadores portugueses, que assim sujam as ruas e contribuem para a degradação do meio ambiente. Consciente dessa realidade, um grupo de voluntários portugueses uniu-se para sensibilizar a população nacional e para as recolher, pretendendo encontrar uma forma de reciclar este resíduo.

por Catarina Ferreira

A primeira semente do Movimento Portugal Sem Beatas terá sido lançada quando Miguel Faria, um dos seus mentores, deixou de fumar e começou a fazer caminhadas, apercebendo-se da enorme quantidade de beatas descartadas nos mais variados locais.

“Durante os longos passeios que dava, o Miguel reparava que havia muitas beatas no chão, tanto na cidade, como no campo, como na praia…” conta Ana Manoel, voluntária da iniciativa, em entrevista ao Boas Notícias. “Certo dia ele decidiu fazer uma publicação no Facebook e recebeu muitas manifestações de interesse e mensagens positivas, que culminaram na criação de um grupo para debater a temática”.

Segundo Ana Manoel, a principal missão destes voluntários é “alertar e encontrar soluções para o problema das beatas de cigarro no chão, através de medidas de sensibilização, educação e mobilização”.

Além de chamar a atenção dos fumadores através de campanhas de comunicação sobre os efeitos nefastos deste resíduo, estes portugueses pretendem arranjar depósitos específicos e sistemas de recolhas para as beatas, bem como “encontrar uma solução para as que se encontram no chão, através de recolha, limpeza e transformação”.

Para o fazer, os responsáveis do Movimento Portugal Sem Beatas vão “desafiar a comunidade científica, parceiros e associados para encontrar soluções sustentáveis para as beatas”, que permitam transformá-las “e gerar valor reaproveitando a matéria”. “Estamos em contacto com algumas universidades para que nos possam ajudar neste passo”, revela Ana ao Boas Notícias.

Desde o início do ano, os voluntários que se associaram à ideia passaram a ter reuniões regulares e, até ao momento, já realizaram duas ações de recolha de beatas em Lisboa. A primeira, que envolveu apenas três amigos, permitiu recolher um total de 2.682 beatas e mostrou aos mentores a verdadeira amplitude do problema.

“A dimensão é bem maior do que alguma vez tínhamos imaginado”, confessa Ana, desvendando que o propósito inicial era ir do Jardim da Estrela ao Cais do Sodré mas que, perante tantas beatas espalhadas pelas ruas lisboetas, acabaram por não fazer mais de 200 metros.

“Depois percebemos que se tratava de uma meta perfeitamente irreal, mas foi com enorme espanto que só conseguimos fazer uma distância tão curta. A cada metro quadrado havia mais e mais cigarros, de todas as marcas, com vestígios de batom, pontas fumadas até ao filtro, que nos levavam a pensar de que mãos teriam caído”, relembra.

“Foi uma ação de recolha intensiva durante uma hora e meia, com muitas dores nas costas e nas pernas, e sentimentos que variavam entre a alegria de estar 'no terreno', o espanto, o constrangimento e a perplexidade para com a seriedade da questão”, acrescenta ainda.

A segunda iniciativa de recolha de beatas, primeira a título oficial, realizou-se em Agosto e serviu de estudo para a apresentação do projeto no festival ecológico GreenFestival. Com a ajuda de 12 voluntários, os mentores do movimento conseguiram apanhar 12.960 beatas, um número que deixou todos orgulhosos.

O Movimento Portugal Sem Beatas está também, atualmente, a efetuar uma parceria com um artista português, João Leonardo, que utiliza como matéria-prima das suas obras a cinza e as beatas.

Movimento organiza caminhada para angariar fundos

Querendo tornar-se oficialmente uma associação, o movimento vai ainda organizar, no próximo mês de Dezembro, uma caminhada para angariação de fundos na Serra de Sintra. A participação requer uma inscrição por e-mail no valor de 10 euros com seguro de acidentes, sendo que não é necessária “experiência em caminhada”. “É só preciso ter boa vontade e boa disposição, o resto acontece”, defende Ana.

Segundo dados divulgados pelo movimento, são consumidos, anualmente, 4,5 triliões de cigarros em todo o mundo. Considerando que uma beata demora entre 10 a 12 anos a decompor-se e nunca se decompõe na totalidade, libertando micropartículas de substâncias nocivas para o planeta, o desenvolvimento de projetos deste tipo torna-se particularmente importante.

Para Ana Manoel, o mais relevante é que os portugueses passem a assumir “que a sua casa se estende para além do quarto, da sala, da casa, e que continua pela porta do prédio, pelas ruas, pelos rios e pelas praias… em suma, que não existe um único centímetro da Terra que não seja nossa” e que, consequentemente, não tenha de ser protegido.

Clique AQUI para aceder à página oficial do Movimento Portugal Sem Beatas.

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