Sociedade

Investigadora da UMinho distinguida em Cabo Verde

A investigadora Irene Cruz, do Instituto de Letras e Ciências Humanas da Universidade do Minho, foi distinguida com o Prémio Nacional de Direitos Humanos, em Cabo Verde. Em causa está o trabalho 'Filosofias da Imigração - Cosmopolitismo versus Comuni
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A investigadora Irene Cruz, do Instituto de Letras e Ciências Humanas da Universidade do Minho, foi distinguida com o Prémio Nacional de Direitos Humanos, em Cabo Verde. Em causa está o trabalho 'Filosofias da Imigração – Cosmopolitismo versus Comunitarismo', que valeu o galardão à autora na categoria 'Estudo Científico'. 
 
Segundo a Comissão Nacional para os Direitos Humanos e a Cidadania de Cabo Verde, o projeto da portuguesa é “uma valiosa contribuição para a elaboração de políticas públicas de imigração” em Cabo Verde. 
 
Apesar da “grande responsabilidade”, o prémio é também “um incentivo para fazer mais e melhor” para a investigadora. Para a mesma, os direitos humanos devem ser a base das políticas migratórias dos Estados, protegendo as pessoas independentemente da sua nação, origem ou condição migratória. 
 
Como tal, Irene Cruz põe em causa a “legitimidade moral” dos critérios usados pelos Estados na seleção dos poucos imigrantes que admitem.”As instituições e países que, habitualmente, defendem e praticam o uso da força contra a entrada de estrangeiros, justificam as suas atitudes como necessidade de proteger as instituições e culturas igualitárias liberais existentes e, por outro lado, como forma de manter afastados os criminosos e invasores”, adianta em comunicado enviado ao Boas Notícias. 
 
“No entanto, muitos dos que tentam entrar são pessoas pacíficas, pobres e desesperadas, à procura de uma oportunidade para construir uma vida decente e segura. Daí ser pertinente perguntar em que base moral é fundamentada a expulsão destes imigrantes e o que dá a qualquer um o direito de lhes apontar uma arma?”, conclui Irene Cruz. 
 

A especialista sublinha ainda que o tráfico ilegal de pessoas é cada vez mais comum e que há Estados a admitirem imigrantes para libertar os seus cidadãos de trabalhos pesados e desagradáveis, impedindo também esses estrangeiros de serem sujeitos ativos de direitos.
 
Atualmente, a investigadora está a desenvolver um doutoramento em Filosofia Social e Política na Universidade do Minho, com o tema 'Justiça Global e Direitos Humanos'. É bolseira da Fundação Gulbenkian e, desde 2001, docente na Universidade de Cabo Verde , onde já presidiu o Departamento de Ciências Sociais e Humanas. 
 
Para a autora, a fundamentação teórica das migrações, em termos filosóficos, é ainda pouco abordada no mundo e os debates atuais sobre direitos humanos mantém em conflito as respetivas práticas e valores, pelo que “é preciso mais investigação na área”. 
 
O Prémio Nacional de Direitos Humanos, instituído em 2007, atribui 250.000 escudos cabo-verdianos, um diploma e uma escultura da “Pomba crioula” ao vencedor, visando distinguir instituições e personalidades que, pelas suas ações, conduta ou atividade, contribuem para promover os direitos humanos e a cidadania em Cabo Verde.

 
Segundo a Comissão Nacional para os Direitos Humanos e a Cidadania de Cabo Verde, o projeto da portuguesa é “uma valiosa contribuição para a elaboração de políticas públicas de imigração” em Cabo Verde. 
 
Apesar da “grande responsabilidade”, o prémio é também “um incentivo para fazer mais e melhor” para a investigadora. Para a mesma, os direitos humanos devem ser a base das políticas migratórias dos Estados, protegendo as pessoas independentemente da sua nação, origem ou condição migratória. 
 
Como tal, Irene Cruz põe em causa a “legitimidade moral” dos critérios usados pelos Estados na seleção dos poucos imigrantes que admitem.”As instituições e países que, habitualmente, defendem e praticam o uso da força contra a entrada de estrangeiros, justificam as suas atitudes como necessidade de proteger as instituições e culturas igualitárias liberais existentes e, por outro lado, como forma de manter afastados os criminosos e invasores”, adianta. 
 
“No entanto, muitos dos que tentam entrar são pessoas pacíficas, pobres e desesperadas, à procura de uma oportunidade para construir uma vida decente e segura. Daí ser pertinente perguntar em que base moral é fundamentada a expulsão destes imigrantes e o que dá a qualquer um o direito de lhes apontar uma arma?”, conclui Irene Cruz. 
 
A especialista sublinha ainda que o tráfico ilegal de pessoas é cada vez mais comum e que há Estados a admitirem imigrantes para libertar os seus cidadãos de trabalhos pesados e desagradáveis, impedindo também esses estrangeiros de serem sujeitos ativos de direitos.
 
Atualmente, a investigadora está a desenvolver um doutoramento em Filosofia Social e Política na Universidade do Minho, com o tema 'Justiça Global e Direitos Humanos'. É bolseira da Fundação Gulbenkian e, desde 2001, docente na Universidade de Cabo Verde , onde já presidiu o Departamento de Ciências Sociais e Humanas. 
 
Para a autora, a fundamentação teórica das migrações, em termos filosóficos, é ainda pouco abordada no mundo e os debates atuais sobre direitos humanos mantém em conflito as respetivas práticas e valores, pelo que “é preciso mais investigação na área”. 
 
O Prémio Nacional de Direitos Humanos, instituído em 2007, atribui 250.000 escudos cabo-verdianos, um diploma e uma escultura da “Pomba crioula” ao vencedor, visando distinguir instituições e personalidades que, pelas suas ações, conduta ou atividade, contribuem para promover os direitos humanos e a cidadania em Cabo Verde.

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