Ciência

Homem amputado recupera tato graças a mão biónica

O dinamarquês Dennis Aabo Sorensen acaba de tornar-se o primeiro amputado do mundo a recuperar o sentido do tato graças a uma prótese de mão biónica inovadora ligada aos nervos do seu antebraço.
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O dinamarquês Dennis Aabo Sorensen acaba de tornar-se o primeiro amputado do mundo a recuperar o sentido do tato graças a uma prótese de mão biónica inovadora ligada aos nervos do seu antebraço. Com a ajuda desta tecnologia, Sorensen voltou a ser capaz de agarrar objetos de forma intuitiva e de identificar aquilo em que toca mesmo de olhos vendados.
 
A prótese revolucionária foi desenvolvida por uma equipa da Escola Politécnica Federal de Lausanne (EPFL) e da Escola Superior de Sant'Anna (SSSA), em Itália. Em Fevereiro do ano passado, a mão biónica foi testada num ensaio clínico em Roma e os resultados foram dados a conhecer na edição desta quarta-feira da revista Science Translational Medicine. 
 
Nove anos depois de ter sofrido um acidente doméstico com fogo de artifício que lhe causou a perda da sua mão esquerda (amputada de imediato quando foi transportado para o hospital), Dennis Aabo Sorensen, de 36 anos, deixou por algum tempo a prótese tradicional que lhe permite abrir e fechar a mão e agarrar objetos para abraçar uma verdadeira experiência sensorial. 
 
No dia 26 de Janeiro de 2013, Sorensen foi submetido a uma cirurgia no Hospital Gemelli, em Roma, onde a prótese biónica, denominada LifeHand 2 e cujo desenvolvimento contou com a colaboração de várias outras universidades e hospitais europeus, foi “conectada” aos nervos do seu braço por uma equipa composta por cirurgiões e neurologista.


Dennis Aabo Sorensen participou num ensaio clínico em Roma, durante o qual testou a prótese biónica 
 

Em comunicado, a EPFL explica que a prótese foi melhorada pelos cientistas, coordenados por Silvestro Micera, com recurso a sensores que detetam informação sobre o toque através da medição da tensão em tendões artificiais que controlam o movimento dos dedos e da transformação desta medição em corrente elétrica.
 
Uma vez que este sinal elétrico não podia ser compreendido pelo sistema nervoso, os investigadores transformaram o referido sinal num impulso que os nervos conseguem 'decifrar', socorrendo-se de algoritmos informáticos. O sentido do tato foi recuperado através do envio deste sinal refinado por intermédio de fios ligados a quatro elétrodos implantados cirurgicamente no braço do paciente. 

Resposta sensorial foi “incrível”
 

“Esta é a primeira vez na história da neuroprostética que foi recuperada uma resposta sensorial e que esta foi utilizada por um amputado para controlar um membro artificial em tempo real”, congratula-se Micera. 
 
Apesar de os cientistas terem temido que a redução da sensibilidade nos nervos do paciente em consequência da ausência de uso ao longo de nove anos pudesse ser um obstáculo, o ensaio clínico realizado foi um sucesso e permitiu reativar o sentido do toque do dinamarquês.
 
“A resposta sensorial foi incrível”, conta Sorensen. “Pude sentir coisas que já não sentia há nove anos”, confessa o paciente, que, em ambiente laboratorial, com uma venda e tampões de ouvidos, foi capaz de identificar a força com que agarrava os objetos com a mão biónica, bem como a sua forma e consistência. “Ao segurar num objeto consegui perceber se era duro ou mole, redondo ou quadrado”, partilha. 

Chegada ao mercado vai demorar vários anos
 

As equipas multidisciplinares envolvidas na experiência, que foi também a primeira no âmbito da qual foram implantados transversalmente elétrodos no sistema periférico de um paciente, levaram a cabo uma investigação preliminar profunda para garantir que estes elétrodos continuariam a funcionar mesmo após a formação de tecido após a cirurgia. 
 
Após um mês de ensaio os elétrodos tiveram de ser removidos do braço do paciente devido às restrições de segurança impostas a este tipo de procedimento pelas regras dos ensaios clínicos. No entanto, os cientistas dizem-se otimistas e acreditam que estes poderiam ter permanecido funcionais durante vários anos sem danos para o sistema nervoso. 
 
O paciente dinamarquês também não perde a alegria. “Fiquei muito feliz por ter sido voluntário neste ensaio clínico, não apenas por mim, mas também para ajudar outros amputados”, garante Sorensen, que, por agora, agora terá de voltar a habituar-se à sua antiga prótese.
 
De acordo com a EPFL, esta investigação constitui o primeiro passo para o desenvolvimento de uma verdadeira mão biónica, embora os cientistas admitam que será preciso esperar vários anos até que uma prótese com estes melhoramentos sensoriais possa ser comercializada.
 
O próximo objetivo da equipa é reduzir as dimensões da eletrónica responsável pela resposta sensorial para uso em próteses portáteis, bem como aperfeiçoar esta tecnologia com vista à obtenção de um toque mais fino e de um melhor controlo do movimento angular dos dedos.

Veja abaixo um vídeo partilhado pela EPFL que recupera o momento em que Sorensen testou a mão biónica:
 

Notícia sugerida por Elsa Martins e Maria da Luz

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