Ambiente

Golfinhos unem-se para tentar salvar fêmea ferida

Pela primeira vez, um grupo de golfinhos foi visto a unir-se para tentar salvar uma fêmea da espécie que se encontrava ferida e em dificuldades. O animal acabou por morrer, mas o gesto, registado em vídeo, está a circular por todo o mundo e a merecer
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Pela primeira vez, um grupo de golfinhos foi visto a unir-se para tentar salvar uma fêmea da espécie que se encontrava ferida e em dificuldades. O animal acabou por morrer, mas o gesto, registado em vídeo, está a circular por todo o mundo e a merecer a atenção dos especialistas.
 
O episódio aconteceu em 2008, mas só agora a equipa de cientistas do Cetacean Research Institute, na Coreia do Sul, que se encontrava a estudar aquele grupo de animais quando tudo aconteceu no mar do Japão, deu a conhecer o vídeo e as conclusões da investigação sobre o comportamento dos golfinhos.
 
De acordo com o portal New Scientist, que avança a notícia, à data, os investigadores aperceberam-se de que cerca de 12 golfinhos se encontravam a nadar muito próximos uns dos outros e rapidamente entenderam porquê: uma fêmea estava em dificuldades e parecia ter as barbatanas peitorais paralisadas. 
 
Os outros animais da espécie juntaram-se, então, à sua volta para tentar mantê-la à superfície, colocando-se até debaixo de água e empurrando o seu corpo para cima. Após cerca de 30 minutos, o grupo posicionou-se sob a companheira formando uma espécie de “jangada” para a ajudar a respirar e evitar que se afogasse.
 
Depois de algum tempo a tentativa acabou por sair frustrada, já que o animal acabou por morrer e os companheiros foram, pouco a pouco, abandonando o local. No entanto, cinco golfinhos permaneceram junto dela até o seu corpo desaparecer completamente no fundo do mar.

Comportamento é caraterístico de espécies sociáveis
 

“A ideia com que ficamos é que se trata de uma forma sofisticada de manter o animal à tona”, explica Karen McComb, especialista da Universidade de Sussex, em Brighton, no Reino Unido, citada pelo New Scientist.
 
Segundo McComb, este tipo de comportamento observa-se apenas em animais inteligentes e com tendência para a sociabilidade, já que, na maioria das espécies, os elementos feridos são deixados para trás. 
 
Embora nos dê a sensação de que se trata de um ato de altruísmo, os cientistas acreditam que a vontade de ajudar traz benefícios ao próprio grupo, já que salvar um companheiro em dificuldades contribui para manter a união e, consequentemente, o controlo do território. Além disso, caso o grupo contenha parentes próximos, protegê-los significa proteger os genes partilhados.
 
McComb salienta ainda que o simples facto de os animais “trabalharem” em conjunto fortalece os laços da comunidade. “Faz muito sentido, sendo que estamos a falar de um animal inteligente e sociável, que os diferentes membros da comunidade apoiem um companheiro magoado”, conclui.
 
Os especialistas acreditam também que o apoio dado a um companheiro em dificuldade pode significar que os golfinhos têm a capacidade de compreender o sofrimento de outros e sentir empatia – ou seja, de se imaginarem no seu lugar. 
 
Clique AQUI para aceder à primeira página do estudo publicado na revista científica Marine Mammal Science (em inglês). 

[Notícia sugerida por David Ferreira]

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