Saúde

Forma modificada do VIH cura leucemia em menina

Além de estar a surpreender o mundo, a história da pequena Emma Whitehead, hoje com 7 anos, está também a ser considerada pelos especialistas uma enorme esperança para milhões de doentes.
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Além de estar a surpreender o mundo, a história da pequena Emma Whitehead, hoje com 7 anos, está também a ser considerada pelos especialistas uma enorme esperança para milhões de doentes. A norte-americana Emma, que o ano passado esteve quase de perder a batalha contra uma leucemia linfóide aguda, está hoje em remissão total depois de os médicos a terem curado com recurso a uma forma modificada do vírus da imunodeficiência humana (VIH), responsável pela SIDA.
 
Depois de a leucemia ter voltado duas vezes após a quimioterapia, a equipa médica que acompanhava Emma ficou sem opções. Porém, inconformados, os pais, Kari e Tom Whitehead, decidiram tentar qualquer alternativa e procuraram um tratamento experimental do Hospital Pediátrico de Filadélfia, que nunca tinha sido sequer aplicado numa criança.
 
De acordo com o New York Times, o tratamento consiste na remoção de milhões de células T – um tipo de glóbulos brancos – do paciente e da inserção, nessas células, de novos genes capazes de matar o cancro. A técnica utiliza uma forma “desativada” do VIH pela sua eficácia no transporte de material genético para as células T.
 
Estes novos genes programam, então, as células T para atacar as células B, normais no sistema imunitário mas que, nos doentes com leucemia, se tornam malignas. Posteriormente, os médicos voltam a colocar as células T modificadas nas veias do paciente e, se tudo correr bem, estas vão multiplicar-se e começar a destruir o cancro.
 
Segundo os médicos, um sinal de que o tratamento está a resultar é que o paciente fica extremamente doente, com sintomas semelhantes aos de uma gripe, com febre e arrepios. Embora seja, na opinião dos oncologistas, uma reação normal à terapia, os primeiros dias após o tratamento quase derrotaram Emma.
 

A menina teve febres tão elevadas que precisou de ser ligada ao ventilador, esteve inconsciente e o seu corpo inchou até ficar quase irreconhecível. Porém, um dos especialistas da equipa decidiu administrar-lhe um medicamento tomado pela filha para a artrite reumatóide – e que nunca tinha sido usado nestes casos – e a resposta foi “fantástica”.
 
Apenas algumas horas depois, a criança começou a estabilizar e, decorrida uma semana, no dia em que completou 7 anos, Emma acordou, livre do cancro, tornando-se a primeira criança e uma das primeiras pessoas no mundo nas quais esta nova terapia alcançou um objetivo procurado há muito: o de dar ao sistema imunitário dos pacientes uma capacidade duradoura de combater o cancro.
 
Terapia está ainda numa fase muito preliminar
 
Emma Whitehead faz parte de uma dúzia de pacientes com leucemia avançada que receberam este tratamento experimental, desenvolvido na Universidade da Pensilvânia, nos EUA, sendo que, atualmente, outros centros médicos estão já a tentar abordagens semelhantes para a luta contra a doença.
 
Dos pacientes a quem foi administrada esta terapia, três adultos com leucemia crónica também tiveram remissões completas, não revelando, até hoje, quaisquer sinais de regresso da patologia. Quatro deles registaram melhorias no estado de saúde mas não recuperaram totalmente e um dos pacientes foi tratado muito recentemente, pelo que ainda não é possível efetuar avaliações.
 
Por outro lado, uma criança cujo estado de saúde melhorou acabou por ter uma recaída e em dois dos adultos tratados o tratamento não teve qualquer efeito benéfico. Tal significa, portanto, que a investigação está ainda numa fase muito preliminar e há inúmeras questões que precisam de respostas.
Para já, os investigadores ainda não têm a certeza da razão pela qual o tratamento funciona ou, noutros casos, falha.

Além disso, ainda não é claro se o corpo dos pacientes necessita das células T alteradas para sempre e estas apresentam uma desvantagem: não só destroem as células cancerosas, como destroem também células B saudáveis, pelo que quem é submetido ao tratamento fica mais vulnerável a infeções, necessitando de terapias regulares com imunoglobinas para prevenir doenças.
 

“O nosso objetivo é alcançar uma cura, mas ainda não podemos falar nessa palavra”, disse Carl June, investigador que lidera a equipa da Universidade da Pensilvânia, em entrevista ao New York Times. Porém, o cientista tem esperanças de que o novo tratamento possa vir a substituir os transplantes de medula, um procedimento árduo, arriscado e caro que é, hoje, a última esperança quando outros tratamentos para os doentes com leucemia.

[Notícia sugerida por Raquel Baêta]

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