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Existe ou não a necessidade de recorrer à quimioterapia?

Diferentes tipos de cancro da mama, diferentes abordagens.
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por Leonor Ribeiro, Oncologista da Unidade da Mama CUF, no hospital CUF Infante Santo

O cancro da mama é o tipo de tumor maligno mais frequente no sexo feminino na maior parte do mundo. Em Portugal é de facto o cancro com maior taxa de incidência e com tendência crescente, com cerca de 6000 novos casos por ano. Também pode ocorrer no homem, embora em muito menor frequência.

Embora surja com frequência crescente em idades mais jovens do que há duas ou três décadas atrás, é raro antes dos 30 anos de idade.

Sabe-se também que este aumento de incidência depende em parte, de uma maior possibilidade de diagnóstico precoce da doença. Tal deve-se a uma maior consciencialização da população para o problema, dos programas de informação e rastreio, e sem dúvida de melhores técnicas de diagnóstico disponíveis a uma maior parcela da população.

Como consequência surge, assim, a possibilidade de tratamento eficaz e probabilidade de maior sobrevida das mulheres.

Diferentes tipos de cancro da mama, diferentes abordagens

O cancro da mama não é todo igual existindo uma variedade de características demográficas, clínicas e do próprio tumor que determinam qual a melhor e mais eficaz sequência de tratamento a efetuar.

Este poderá englobar vários tipos de tratamento, desde a cirurgia, a radioterapia, a hormonoterapia e a quimioterapia com ou sem agentes biológicos. Algumas situações necessitam de todos estes tratamentos, outras alguns deles, mesmo que em contexto de prevenção, como tratamento adjuvante.

A imunoterapia encontra-se ainda em fase de investigação, sem aprovação para uso fora de ensaios clínicos, mas será seguramente mais uma “arma terapêutica” para o tratamento desta patologia.

Existem linhas de orientação terapêutica nacionais e internacionais, reflexo da investigação clínica dirigida ao cancro da mama e que ajudam a melhor alocar o tratamento adequado a cada situação.

Ainda assim, existem casos que se posicionam em situação intermédia, com fatores que orientam para uma determinada sequência de tratamento e outros para outra. Como por exemplo, se um caso específico terá necessidade de efetuar quimioterapia antes da hormonoterapia, em contexto pós-cirurgia ou não.

Nestes casos, existem testes que permitem calcular a probabilidade de risco de recorrência da doença aos 10 anos, por exemplo, fazendo apenas hormonoterapia adjuvante (após cirurgia), com estratificação de risco em baixo ou alto risco, e permitindo evitar quimioterapia e seus possíveis efeitos secundários para as situações de baixo risco. Estes testes apenas se destinam ao cancro da mama com recetores hormonais positivos, sem expressão de recetor Her2.

A frequente, e compreensível tendência das mulheres com cancro da mama em compararem os seus tratamentos, levanta, por vezes, muitas dúvidas e alguma ansiedade, nas diferenças que vão encontrando.

Gostaria, assim, de salientar que na realidade o cancro da mama não é uma única doença, mas um conjunto de doenças com particularidades que determinam diferentes atitudes terapêuticas.

Por exemplo, no que concerne a necessidade de efetuar quimioterapia antes da cirurgia, não depende apenas do tamanho da lesão da mama e da existência de gânglios afetados pela doença a nível axilar, mas também das tais características moleculares do tumor que já referi.

Sem entrar aqui em pormenores médicos, na realidade, a mulher com cancro da mama deverá ter uma boa relação com os clínicos que a irão tratar desde o Cirurgião, ao Oncologista e Radioncologista, de forma a, tranquilamente, poder rever o seu caso e compreender porque razão lhe estão a propor uma determinada sequência de tratamento.

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