Ciência

ESA revela imagem da infância do Universo

A Agência Espacial Europeia revelou esta quinta-feira uma imagem inédita que mostra como o Universo era 380 mil anos depois do Big Bang. O mapa dos céus é o mais detalhado de sempre e poderá desafiar as bases da compreensão atual do Universo.
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A Agência Espacial Europeia (ESA) revelou, esta quinta-feira, uma imagem inédita que mostra como o Universo era 380 mil anos depois do Big Bang. Este é o mapa dos céus mais detalhado de sempre e revela que, afinal, o Universo tem pelo menos mais 80 milhões de anos do que se pensava.

A equipa de cientistas da ESA reuniu os registos de cerca de 15 meses da missão do telescópio Planck e criou uma representação da radiação cósmica de fundo (CMB, sigla inglesa), a luz mais antiga do nosso Universo, com 13,7 mil milhões de anos.

De acordo com os novos dados, a percentagem de energia negra do universo, a força misteriosa responsável pela acelaração da expansão do Universo, é menor do que se pensava anteriormente.

Assim, o Planck indica que a velocidade de expensão do universo é, afinal, menor e que a sua idade será cerca de 80 milhões de anos superior ao que se pensava, ou seja, 13.82 mil milhões de anos.


O projeto da Agência Espacial Europeia vem reforçar a teoria cosmológica de que a explosão do Bing Bang terá dado origem ao Universo. No entanto, a vastidão de informação contemplada na imagem do Planck deixou a descoberto alguns detalhes “inesperados” que vão ter de ser mais estudados para que possam ser compreendidos.

“O padrão pintalgado revela pequenas variações de temperatura que correspondem a regiões com densidades ligeiramente diferentes nos primórdios da história do Universo, representando as sementes da estrutura do futuro: as estrelas e as galáxias de hoje”, explica a equipa científica europeia no seu site oficial.

O telescópio europeu foi construído para mapear este tipo de variações de temperatura nos céus, “com uma resolução e um detalhe sensibilidade que nunca tinha sido alcançado”. O estudo das imagens captadas pelo Planck vai permitir aos cientistas determinar a composição e evolução do Universo, “desde o seu nascimento à presente data”.
 

Imagem da ESA mostra universo com “apenas” 380 mil anos

O congelamento da CMB no céu permitiu à ESA criar o mapa da infância do Universo, quando este tinha “apenas” 380 mil anos. “Como o Universo se expandiu, o sinal da CMB alongou-se para comprimentos de onda na banda das microondas, equivalente a uma temperatura de apenas 2,7 graus acima do zero absoluto”, explica a agência europeia.

A resolução e sensibilidade do telescópio Planck permitiram obter com sucesso uma imagem inédita dos primórdios do Universo. As missões de exploração da CMB, para tentar entender a formação do universo que nos rodeia, foram iniciadas há cerca de 24 anos, com as primeiras missões a serem desenvolvidas pela NASA.

A agência espacial norte-americana lançou-se na primeira missão de estudo  da CMB em 1989, com a colocação em órbita do satélite COBE – Explorador da Radiação de Fundo. Com este avanço, a NASA confirmou a existência das oscilações de temperatura no espaço estelar.

Em 2001, os investigadores dos Estados Unidos da América lançaram a segunda geração da Sonda Anisotropia de Microondas Wilkinson para estudar as flutuações da radiação cósmica com um maior nível de detalhe.

As novas descobertas da ESA prometem revolucionar tudo aquilo que foi estudado até agora. O novo mapa que retrata os primórdios do Universo foi apresentado esta quinta-feira, dia 21 de Março, numa conferência de imprensa na sede da agência europeia. O evento foi transmitido em direto, na internet, e pode agora ser visto em diferido no site oficial da ESA.

Clique AQUI para consultar o comunicado oficial da ESA.

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