Ciência

Equipa cria “mini-cérebros” humanos em laboratório

Um grupo de cientistas austríacos criou, com sucesso, "mini-cérebros" humanos numa cultura tridimensional em laboratório, que têm grande potencial para ajudar no estabelecimento de modelos que permitam estudar e combater doenças neurológicas.
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Um grupo de cientistas austríacos criou, com sucesso, “mini-cérebros” humanos numa cultura tridimensional em laboratório. Segundo os investigadores, estes organóides cerebrais têm grande potencial para ajudar no estabelecimento de modelos que permitam estudar e combater com maior eficiência doenças neurológicas como a microcefalia ou a esquizofrenia.
 
Os especialistas do Instituto de Biotecnologia Molecular (IMBA) da Academia Austríaca de Ciências (OeAW) deram a conhecer o avanço através de um estudo publicado na revista científica Nature, que descreve o modo como transformaram células estaminais pluripotentes em organóides cerebrais que imitam diversas regiões do cérebro. 
 
Os cientistas aperfeiçoaram as condições de crescimento destas estruturas e, como resultado, conseguiram impulsionar o desenvolvimento de tecidos cerebrais diferentes e interdependentes, conseguindo também modelar o desenvolvimento de uma doença neuronal humana e identificar a sua origem, o que abre caminho à criação de um modelo cerebral humano que a Ciência muito tem ambicionado.
 
“Modificámos uma abordagem já estabelecida para conseguir gerar uma camada de células a partir da qual o sistema nervoso se forma. Os fragmentos de tecido cerebral foram mantidos numa cultura tridimensional e embebidos num gel específico para que pudessem crescer. Após três a quatro semanas, diferentes regiões do cérebro foram criadas”, explica  Jürgen Knoblich, coordenador da equipa, em comunicado.


Cientistas conseguiram criar organóides compostos por regiões cerebrais bem delimitadas
 

Após 20 a 30 dias, os cientistas tinham já conseguido gerar regiões cerebrais bem delimitadas, entre as quais o córtex cerebral, a retina e as meninges, e decorridos dois meses sobre o início da experiência, os “mini-cérebros” atingiram o tamanho máximo. A continuação do desenvolvimento foi impossibilitada pela falta de um sistema circulatório e, consequentemente, de nutrientes e oxigénio.
 
De acordo com os investigadores, o novo método oferece grande potencial para o estabelecimento de modelos do cérebro humano para uso na área da saúde, já que, muitas vezes, os modelos animais são menos complexos e não imitam de forma adequada as doenças em estudo.
 
“Além do potencial que trazem ao nível do desenvolvimento de doenças neurológicas humanas, os 'mini-cérebros' também vão ser de grande interesse para a indústria química e farmacêutica”, explica Madeline A. Lancaster, principal autora do estudo publicado na Nature.
 
“[Estas estruturas] vão permitir que sejam testadas terapias contra os defeitos cerebrais e as doenças neurológicas, bem como possibilitar a análise dos efeitos que determinados químicos têm no desenvolvimento do cérebro”, conclui.

Notícia sugerida por David Ferreira

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