Ciência

Descoberta nova forma de vida em lago na Antártida

Um grupo de cientistas russos acredita ter descoberto uma nova forma de vida isolada há milhões de anos num lago subglacial localizado sob a camada de gelo da Antártida.
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Um grupo de cientistas russos acredita ter descoberto uma nova forma de vida isolada há milhões de anos num lago subglacial localizado sob a camada de gelo da Antártida. O achado poderá ajudar a revelar como era a Terra antes da Idade do Gelo e dar pistas sobre a vida noutros planetas.
 
Depois de mais de uma década de perfuração intermitente, a equipa da Rússia atravessou, o ano passado, a crosta gelada da Antártida, o que permitiu aos investigadores recolher amostras de água de um vasto lago que permaneceu intacto durante, pelo menos, 14 milhões de anos.
 
Segundo informações avançadas pela agência de notícias russa RIA na passada quinta-feira, a escuridão gelada do lago Vostok, escondido debaixo de uma camada de gelo com cerca de 3.700 metros de espessura, poderá dar pistas sobre realidades até agora desconhecidas.
 
“Após excluir todos os contaminantes conhecidos, encontrámos ADN bacteriano que não corresponde ao de nenhuma espécie conhecida nas bases de dados mundiais”, afirmou Sergei Bulat, do Instituto de Física Nuclear de São Petersburgo, em declarações à RIA.
 
“Se [estas bactérias] tivessem sido encontradas em Marte, sem dúvida que teríamos dito que há vida em Marte, mas este é o ADN da Terra”, acrescentou, revelando que os cientistas têm dado a esta forma de vida a designação de “não identificada e não classificada”.

Investigadores estão à espera de mais amostras
 

A equipa de Bulat está, agora, a aguardar mais amostras de água do lado para efetuar a confirmação da descoberta. Visto que, para evitar contaminações do lago, é utilizada uma tecnologia especial, a Rússia só deverá obter amostras de água pura, sem contaminação pelo fluido de perfuração, dentro de alguns meses.
 
O investigador fez questão de destacar, porém, que foram encontrados micróbios desconhecidos mesmo após terem sido eliminadas as bactérias existentes no fluido de perfuração.
 
“Quando tentámos identificar o ADN ele não coincidiu com o de nenhuma espécie conhecida. O grau de semelhança foi sempre inferior a 86%, o que é praticamente zero quando estamos a trabalhar com ADN. Um nível de 90% diz-nos que o organismo é desconhecido”, esclareceu.
 
Uma nova amostra, recolhida ainda mais profundamente em fevereiro deste ano, vai chegar a São Petersburgo em maio. “Se voltarmos a identificar o mesmo grupo de organismos naquela amostra de água pura, então poderemos dizer com confiança que encontrámos nova vida na Terra”, concluiu o especialista.

Várias equipas estão a realizar investigações semelhantes
 

Saliente-se que, este ano, cientistas norte-americanos e britânicas têm também participado na corrida para tentar descobrir vida nos ambientes mais extremos do nosso planeta. Já em 2013, investigadores de uma expedição dos EUA disseram ter encontrado células microscópicas vivas em amostras recolhidas de outro lago subglacial, o Whillans, menos profundo.
 
Entretanto, novos estudos estão a ser feitos para tentar determinar que bactérias são essas e como vivem. Também uma iniciativa do Reino Unido para alcançar um terceiro lago subglacial, o Ellsworth, estava preparada, mas foi cancelada em Dezembro devido a problemas na perfuração.
 
A importância dada pelos cientistas à existência de vida em locais gelados prende-se com o facto de a mesma poder revelar a possibilidade de haver vida nas condições extremas de, por exemplo, o planeta Marte ou uma das luas de Júpiter, Europa.

[Notícia sugerida por Elsa Martins, Maria Manuela Mendes e Diana Rodrigues]

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