Negócios e Empreendorismo

Cooperativa já fornece energia solar a 250 famílias

Vende a eletricidade mais barata do país mas não é essa a bandeira que leva à frente do negócio. A Coopérnico quer ajudar os portugueses a tirarem mais partido do sol, essa energia limpa e sustentável, e pelo caminho dar uma mão a organizações sociai
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Vende a eletricidade mais barata do país mas não é essa a bandeira que leva à frente do negócio. A missão da Coopérnico é ajudar os portugueses a tirarem mais partido do sol, essa energia limpa e sustentável, e pelo caminho dar uma mão a organizações sociais. 

por Patrícia Maia
 

Já há painéis solares da Coopérnico em sete telhados de entidades portuguesas (desde bibliotecas, a instituições sociais passando por quintas de turismo rural). Com estes investimentos, a primeira e única cooperativa de energia solar do país está, neste momento, a gerar energia suficiente para fornecer mais de 200 famílias, revela ao Boas Notícias Nuno Brito Jorge, presidente e co-fundador da Coopérnico.
 
Com um investimento de apenas 60 euros, o valor de três títulos de capital, qualquer pessoa pode tornar-se membro desta uma cooperativa que, além da energia solar, tem também uma vertente social: os telhados onde os painéis são instalados são alugados a instituições sociais gerando receitas adicionais para a entidade. Ao fim de 15 anos de aluguer, a Coopérnico cede os painéis à instituição. 
 
“Fazemos esta cedência porque ao fim desse prazo o nosso investimento está pago. Este é um dos pontos que nos distingue dos outros projetos de energia: não temos fins lucrativos. O que queremos é conseguir o máximo beneficio comum”, explica o presidente. 
 
A Coopérnico foi fundada, em 2013, por Nuno Brito Jorge mais dois amigos que tinham acabado de regressar de uma “estadia no estrangeiro e queriam investir algumas poupanças num negócio amigo do ambiente”. Com ajuda de familiares conseguiram juntar “facilmente” os 30 mil euros necessários para instalar o primeiro painel solar, num quinta de turismo rural em Tavira.
 
“Pouco depois fomos a Bruxelas, a uma reunião de um consórcio de cooperativas desta área que nos desafiou a criar a Coopérnico, sendo que esse mesmo consórcio financiou os primeiros projetos em Portugal num valor de 260 mil euros”, conta Nuno Brito Jorge sublinhando que, “atualmente, a cooperativa já conseguiu devolver aos investidores europeus todo o investimento”.
 


Assim nasceu este modelo de negócio amigo do ambiente que, este mês, atingiu um novo recorde: em menos de uma semana conseguiu angariar, entre os membros da cooperativa, os 55 mil euros necessários para mais um investimento, desta vez nos telhados da Fundação Irene Rolo, em Tavira, uma entidade que dá apoio e formação a pessoas com deficiência. 
 
O modelo de negócio tem-se mostrado tão sustentável como a energia que produz: há um ano a cooperativa registava cerca de 200 associados, agora são mais de 470 membros.

Só em 2015, a Coopérnico evitou, com a produção de energia verde, a emissão de 187 toneladas de Co2, tendo abastecido cerca de 110 famílias através de 812 painéis solares colocados de norte a sul do país. Os lucros dos vários projetos em funcionamento são distribuídos pelos membros da cooperativa em função da sua participação. 

 
No seu percurso, a jovem cooperativa já acumula distinções. No início de 2015, a Coopérnico foi uma das entidades vencedoras do Green Project Awards. Este ano, foi vencedora da 4.ª edição do Prémio Cooperação e Solidariedade António Sérgio da CASES na categoria de Inovação e Sustentabilidade. Além disso, ficou entre os nove finalistas de prémio European Energy Awards, na categoria “Consumers” (ver vídeo acima). 

Comercializar eletricidade solar 

Além do investimento na produção de energia solar, a Coopérnico tem apostado em expandir as áreas de negócio. Há dois anos, a cooperativa começou a comercializar, através da Yilce, a energia limpa que produz e já tem mais de 250 contratos com consumidores que, ao mesmo tempo, são membros da Coopérnico. 

 
“Através desta parceria garantimos o preço mais barato do mercado [dado confirmado pela ERSE em 2015] e assumimos o compromisso de que toda a energia consumida pelos nossos clientes é limpa”, garante Nuno Brito Jorge. Ou seja, mesmo que a Coopérnico não produza energia suficiente para fornecer os seus clientes, a cooperativa garante a aquisição, a outros produtores, de energia com selo de certificado verde.
 

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Em Setembro, a Coopérnico vai anunciar mais um projeto na área da energia solar, num telhado solidário. A ideia de comprar terreno específico para instalar o equipamento, por enquanto, não atrai a Coopérnico que prefere “explorar os imensos telhados disponíveis em Portugal” e preservar esta vertente social que ajuda as instituições.
 
No futuro, a aposta da cooperativa passa por diversificar a tecnologia de produção de energia renovável a outras fontes, como é o caso da energia hídrica e eólica.

Apostar em novas fontes e no auto-consumo
 
Outra área em que em que a Coopérnico quer avançar é no incentivo ao auto-consumo. Embora aqui a legislação ainda imponha restrições, sobretudo em contexto urbano. Nuno elogia o progresso que foi dado com o decreto-lei 153/2014, que entrou em vigor em 2015, e que permite, finalmente, o auto-consumo sem obrigar à venda da energia à rede. 
 
“Contudo, ainda é preciso mudar muita coisa”, avisa. “Por exemplo, na área dos condomínios esta lei só permite o auto-consumo de energia para as partes comuns dos prédios, o que representa um consumo irrisório”. Nuno desafia o Governo a contrariar esta situação garantido que há duas ou três medidas muito simples que podem ser tomadas e que não passam por subsídios. 
 
Medidas que a Coopérnico vai lutar por ver implementadas, ajudando Portugal a reduzir cada vez mais o recurso a combustíveis fósseis e as emissões poluentes de CO2. Porque, como se lê num artigo divulgado no blogue da Coopérnico, “o Sol é de todos e a eletricidade também”. 
 

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