Cultura

“Cativa na Arábia” de Cristina Morató [entrevista]

"Cativa na Arábia" [Esfera dos Livros] é o título do mais recente livro da jornalista catalã Cristina Morató. Uma obra que retrata a vida da "condessa" Marga d'Andurain, uma espia e aventureira basca que, na primeira metade do século XX, exploro
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“Cativa na Arábia” [Esfera dos Livros] é o título do mais recente livro da jornalista catalã Cristina Morató. Uma obra que retrata a vida da “condessa” Marga d'Andurain, uma espia e aventureira basca que, na primeira metade do século XX, explorou o mundo árabe. A autora esteve em Lisboa, a propósito da Feira do Livro, e o Boas Notícias aproveitou a oportunidade para conhecer melhor esta mulher enigmática que chocou a Europa do século XX.

Rui Costa

Boas Notícias (BN): Como surgiu a escrita no meio do jornalismo?
Cristina Morató (CM): Eu sou jornalista e estudei jornalismo na universidade, e desde muito jovem comecei a viajar pelo mundo por causa da minha profissão, fui escrevendo artigos e comecei desde cedo a tirar fotos, depois comecei a trabalhar na televisão espanhola e sempre fui intercalando este trabalho com as viagens.

Há oito anos decidi deixar a televisão e escrever um livro que chamada “Viajantes Intérpidas e Aventureiras” que se dedicou a recuperar as grandes viajantes e exploradoras do passado, e como o livro funcionou muito bem vi que havia um interesse em Espanha sobre este tema, decidi então deixar a televisão e as minhas colaborações em rádio e escrever livros sempre como jornalista porque há uma parte de jornalista na investigação e também da minha paixão nestas viagens.

BN: Sente falta do trabalho de televisão?
CM: Não, nada, tive o privilégio de trabalhar com grandes nomes espanhóis e em bons programas, nunca gostei muito da fama e do reconhecimento, então dediquei-me apenas à realização dos programas, mas como estamos muito sujeitas ao mercado e ás audiências deixei e dediquei-me à escrita.

BN: Como surgiu esta história?
CM: Esta história surgiu quando fui à Síria, há quatro anos, às ruínas de Palmira no deserto, em passagem visitei o hotel retratado na história porque me disseram que Agatha Christie tinha estado ali e tinha escrito algumas histórias naquele local. Quis conhecer esse apartamento, quando estava lá falaram-me de uma senhora que tinha sido proprietária deste hotel. Em 1926 a 1937 o hotel foi propriedade da Condessa Marga, amante do Lawrence da Arábia, e que havia tentado chegar à América, a informação era tanta que não acreditei que fosse real.

Quando lá estive descobri que Marga tivera dois filhos, um que já tinha falecido na frente da guerra da Alsácia e outro que se chamava Jacques que tinha sido herói da resistência francesa e calculei que deveria ter 90 anos e tentei encontrá-lo. Quando o encontrei reparei que ele tinha uma memória muito boa, que tinha sido testemunha das aventuras da sua mãe e que tinha muitas informações pessoais sobre ela.

BN: Quem é a Marga que aparece aqui nesta história?
CM: Ela foi uma espia e uma assassina, uma pessoa obscura, mas quis neste livro retratar o seu espírito rebelde e pouco convencional, uma mulher pioneira no Oriente próximo, principalmente na Síria. Era totalmente desconhecida principalmente na França, mesmo na sua terra natal Bayonne. Porque conheciam-na como Marguerit e não como Marga, já em Espanha ela era muito conhecida algo que lhe agradava.

BN: Existem pontos idênticos entre a Marga e a Cristina?
CM: Sim, identifico-me um pouco com ela em algumas coisas porque ela tem um ponto de audácia, porque também já viajei muito e sozinha tal como ela. Tal como a Marga também tive de dirigir um hotel, ela na Síria e eu no Congo, e também tive de me impor numa sociedade que me era adversa.

BN: Como é que era a relação de Marga com os homens?
CM: Ela usava os homens para conseguir os seus fins, manipulou o seu filho para conseguir dissimular o seu papel de espia, mas creio que era muito manipuladora mas ao mesmo tempo sedutora com uma personalidade especial.

BN: Alguns dos assassinatos atribuídos a Marga são mitos?
CM: A Marga só foi implicada em duas mortes, a do seu marido beduíno que morreu envenenado em circunstâncias muito estranhas, e a de um sobrinho seu durante a segunda guerra mundial em Paris. O que não é certo ser da sua autoria é a morte de um outro marido seu, e a imprensa sensacionalista francesa atribui-lhe muitas outras mortes e desaparecimentos chamando-lhe mesmo a Mata Hari Basca. Ela foi vitima da personagem que criou.

BN: Existe algum sitio onde gostaria de viajar e ainda não teve oportunidade?
CM: Vou à Índia em breve que já era um desejo meu, mas gostaria de ir à Antártica.

Para o futuro Cristina Morató promete recuar ainda mais no tempo, e recuperar uma mulher de 1830, que tal como Marga foi muito rebelde, uma mulher que esteve na Índia e nos Estados Unidos da América, não desvendando mais do que está a preparar para o novo projeto.

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